Entesopatia aposenta? Regras do INSS, CID e como provar

A entesopatia pode aposentar pelo INSS, mas só quando a inflamação causa incapacidade total e definitiva para o trabalho. O diagnóstico, sozinho, não basta: quem decide é a perícia médica, pelo quanto a doença limita a sua função. 

imagem representando pessoa com entesopatia
Entesopatia aposenta? Regras do INSS, CID e como provar

Uma dor no cotovelo que não passa. Um calcanhar que reclama a cada passo. Um ombro que perde força no meio do expediente. A entesopatia costuma começar assim, discreta, até o dia em que a dor começa a tirar a pessoa do trabalho.

O diagnóstico, sozinho, não abre as portas do INSS. Quem decide o benefício é a perícia médica, que mede o quanto a doença limita a sua função, e não o nome escrito no laudo.

E um detalhe muda muito o resultado: quando a entesopatia tem ligação com o trabalho, a aposentadoria pode sair de 60% para 100% da média salarial.

No VLV Advogados, acompanhamos segurados de todo o Brasil nesse caminho. Neste texto, você vai ver quais CIDs identificam a entesopatia, quando ela aposenta e qual benefício pedir.

Sabemos que dúvidas podem surgir, seja sobre a carência, o valor do benefício ou o que fazer quando o INSS nega o pedido. Clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

O que é entesopatia e quais são os CIDs?

Entesopatia é a inflamação da êntese, o ponto onde o tendão ou o ligamento se prende ao osso.

Os sinais mais comuns:

Com o tempo, o local pode calcificar e formar pequenos bicos de osso, os entesófitos. É a chamada entesopatia calcificada.

CIDs da entesopatia

CID Região Exemplos
M76 Membros inferiores (exceto pé) Quadril, joelho e perna, como a tendinite patelar (M76.5) e a do tendão de Aquiles (M76.6)
M77 Outras regiões Epicondilite medial (M77.0) e lateral (M77.1) do cotovelo, esporão do calcâneo (M77.3)
M46.0 Coluna Entesopatia vertebral, como a lombar

Entesopatia aposenta? Quando o INSS reconhece a incapacidade

Sim, a entesopatia pode aposentar. O benefício é a aposentadoria por incapacidade permanente, a antiga aposentadoria por invalidez.

O INSS só concede quando a doença impede qualquer trabalho, de forma total e definitiva, sem chance de reabilitação para outra função.

O que o perito observa

A mesma entesopatia no cotovelo pesa de um jeito para um digitador e de outro para um porteiro.

Quando a reabilitação entra no caminho

Antes de aposentar, o INSS costuma tentar a reabilitação profissional, um programa que prepara o segurado para uma nova função. Durante esse período, o auxílio continua sendo pago.

Uma cozinheira que não consegue mais erguer panelas, por exemplo, pode ser reabilitada para trabalhar no caixa. A aposentadoria entra quando a reabilitação não é possível, pela gravidade da doença ou pela idade e escolaridade do segurado.

Doenças somadas também contam

Quando a entesopatia aparece junto com hérnia de disco, artrose ou outras doenças, o conjunto pode impedir o trabalho, mesmo que nenhuma delas, sozinha, incapacite.

Auxílio por incapacidade temporária, aposentadoria ou auxílio-acidente: qual pedir 

A entesopatia pode gerar três benefícios diferentes. O que define qual benefício pedir caso você tenha esse diagnóstico é o tamanho da limitação. 

Situação Benefício
A crise afasta do trabalho por mais de 15 dias, mas há chance de melhora Auxílio por incapacidade temporária
A doença impede qualquer trabalho, de forma definitiva Aposentadoria por incapacidade permanente
Ficou uma sequela que reduz a capacidade, mas você segue trabalhando Auxílio-acidente

Auxílio por incapacidade temporária

É o benefício mais comum nos casos de entesopatia. Vale para o período de tratamento, fisioterapia ou repouso.

Se o quadro não melhorar com o tempo, esse auxílio pode ser convertido em aposentadoria.

Auxílio-acidente

Cabe quando a entesopatia deixa uma sequela permanente. A pessoa volta ao trabalho, mas com menos força ou movimento do que antes.

Um mecânico que volta ao trabalho com o ombro enfraquecido, sem conseguir erguer peças pesadas, é um exemplo típico.

Nenhum desses benefícios é automático. A perícia do INSS define qual deles se encaixa no seu caso.

Entesopatia causada pelo trabalho (LER/DORT): o que muda no benefício

Movimentos repetitivos, esforço físico e postura forçada estão entre as causas mais comuns da entesopatia. Quando a doença nasce da atividade profissional, ela entra no grupo das LER/DORT e passa a valer como doença do trabalho.

Essa ligação, chamada de nexo, muda bastante o benefício.

Profissões mais expostas

O que o segurado ganha com o nexo reconhecido

O papel da CAT

A Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) registra que a doença tem relação com o serviço. A empresa deve emitir.

Se ela se recusar, o próprio trabalhador, o médico, o sindicato ou um advogado podem fazer o registro.

Mesmo sem CAT, o INSS pode reconhecer o nexo quando a doença é frequente na atividade da empresa. É o chamado nexo técnico epidemiológico.

Quando a entesopatia vem do trabalho, deixar de provar o nexo é abrir mão de parte do benefício.

Laudos e exames que fazem diferença na perícia

O perito do INSS costuma ter poucos minutos para cada segurado. Nesse tempo curto, o laudo fala por você.

Um laudo que traz só o nome da doença e o CID quase sempre termina em negativa. O que convence é a descrição do que você não consegue mais fazer no trabalho.

Veja a diferença:

Laudo que não ajuda
Laudo que convence o perito
Diagnóstico
“Entesopatia. CID M77.1.”
“Epicondilite lateral no cotovelo direito (CID M77.1), com dor ao esforço e perda de força para segurar objetos.”
Limitação no trabalho
Não menciona.
“Não consegue digitar por mais de 30 minutos nem carregar peso acima de 2 kg.”
Tratamento
Não menciona.
“Fisioterapia há 8 meses e duas infiltrações, sem melhora da dor.”
Exames
Não cita exames.
“Ressonância de junho/2026 mostra espessamento do tendão e entesófito.”
Afastamento
“Repouso.”
“Afastamento estimado de 90 dias, com reavaliação ao fim do período.”
Identificação
Sem data ou com data antiga.
Data recente, assinatura e CRM do médico.

O que levar para a perícia: 

Atenção, é importante levar os documentos originais no dia da perícia e explicar, com exemplos do seu dia a dia, o que a dor impede você de fazer.

Qual o valor do benefício por entesopatia?

Não existe um valor fixo para quem tem entesopatia. O INSS calcula o benefício pelo seu histórico de contribuições, e não pela doença.

A base é a média de todos os salários de contribuição desde julho de 1994. Sobre essa média, cada benefício aplica um percentual diferente.

Benefício Quanto paga
Aposentadoria por incapacidade permanente 60% da média + 2% por ano que passar de 20 anos (homem) ou 15 anos (mulher) de contribuição
Aposentadoria por doença do trabalho 100% da média
Auxílio por incapacidade temporária 91% da média, limitado à média dos 12 últimos salários
Auxílio-acidente 50% da média, pago junto com o salário

Um exemplo com números

Pense em um homem com 25 anos de contribuição e média salarial de R$ 3.000:

A aposentadoria pode sair menor que o auxílio temporário. Muita gente só descobre isso depois da conversão.

A Dra. Rafaela Carvalho, especialista do VLV Advogados, explica que muita gente tem medo de receber menos que um salário mínimo, mas o auxílio temporário e a aposentadoria por incapacidade nunca ficam abaixo desse piso.

“O auxílio-acidente é diferente: ele pode ser menor, porque funciona como uma indenização paga junto com o salário. E quem se aposenta e passa a depender da ajuda permanente de outra pessoa pode pedir um adicional de 25%. Nos casos de entesopatia, o que eu sempre investigo primeiro é a ligação da doença com o trabalho. É esse nexo que mais muda o valor final.”

Como pedir pelo Meu INSS e o que fazer se o INSS negar

O pedido é feito pela internet, sem sair de casa. Você não escolhe entre auxílio ou aposentadoria: pede o benefício por incapacidade, e a perícia define qual se encaixa.

Passo a passo

  1. Separe os documentos: laudo, exames, atestados e receitas, digitalizados e legíveis.
  2. Acesse o Meu INSS: pelo site ou aplicativo, com a conta gov.br.
  3. Faça o pedido: busque por “Benefício por Incapacidade”, preencha os dados e anexe os documentos.
  4. Agende a perícia: escolha a data e a agência mais próxima.
  5. Compareça com os originais: explique ao perito o que a dor impede você de fazer no trabalho.

O pedido também pode ser feito pelo telefone 135.

Para afastamentos mais curtos, o INSS pode aprovar o auxílio só com a análise dos documentos, pelo Atestmed, sem perícia presencial.

Se o benefício estiver perto de acabar

Ainda sem condições de voltar ao trabalho? Peça a prorrogação pelo Meu INSS nos 15 dias finais do benefício.

Se o INSS negar

Primeiro, leia a carta de indeferimento no Meu INSS. O motivo da negativa indica o melhor caminho.

Caminho Quando usar
Novo pedido Surgiram laudos ou exames novos que mostram piora.
Recurso administrativo Você discorda da decisão; prazo de 30 dias após a ciência.
Ação judicial A negativa se repetiu ou o caso precisa de uma nova perícia imparcial.

Na Justiça, um perito nomeado pelo juiz refaz a avaliação. O juiz também pode levar em conta sua idade, escolaridade e profissão, e não fica preso ao laudo.

Quando a entesopatia tem ligação com o trabalho, a ação corre na Justiça Estadual. Nos demais casos, na Justiça Federal.

Não deixe o prazo de 30 dias passar. Uma negativa não encerra o seu direito.

Artigo de caráter meramente informativo 

Sobre o autor

Dra. Rafaela Carvalho é advogada inscrita na OAB sob o nº 61.735, com atuação em Direito Previdenciário. É pós-graduada em Direitos Fundamentais e Justiça e possui formação em Liderança pela Conquer Business School. Atualmente, coordena a equipe jurídica do VLV Advogados.

Direito Civil | Direito de Família | Direito Criminal | Direito Previdenciário | Direito Trabalhista | Direito Bancário

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Autor

  • rafa menor

    Advogada com atuação em Direito Previdenciário 61.735 OAB/BA, pós-graduada em Direitos Fundamentais e Justiça e com formação em Liderança pela Conquer Business School. Atualmente coordena a equipe jurídica do VLV Advogados.

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