CID F95: Síndrome de Tourette aposenta? Veja quais benefícios do INSS podem ser solicitados 

Entenda o que é o CID F95, por que a Síndrome de Tourette corresponde ao F95.2, quais benefícios do INSS podem ser solicitados e como funciona a avaliação de cada um. 

imagem representando homem com cid f95
CID F95: Síndrome de Tourette aposenta? Veja quais benefícios do INSS podem ser solicitados 

Receber o diagnóstico de síndrome de Tourette costuma vir acompanhado de uma segunda preocupação: a financeira. Consultas com neurologista, acompanhamento psicológico e medicação pesam no orçamento de qualquer família.

É comum que a dúvida chegue no formato “o CID F95 aposenta?”. A resposta exige separar duas coisas que costumam ser confundidas: aposentadoria e benefício assistencial.

Em outubro de 2025, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou o projeto que reconhece pessoas com Síndrome de Tourette como pessoas com deficiência para fins legais.

Enquanto isso, o enquadramento segue sendo feito caso a caso. O que decide o pedido não é o código do laudo, e sim o impacto do quadro na vida da pessoa.

A equipe previdenciária do VLV Advogados explica, a seguir, o que significa o CID F95, quais benefícios do INSS podem ser solicitados e o que fazer diante de uma negativa.

Questões jurídicas costumam gerar indagações. Em caso de dúvidas, clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

O que é a síndrome de Tourette?

É um transtorno neurológico caracterizado por tiques involuntários, ou seja, movimentos e sons repetitivos que a pessoa não consegue controlar de forma voluntária.

Os sintomas costumam aparecer na infância e se dividem em dois tipos:

Para o diagnóstico de Tourette, é necessário que os dois tipos estejam presentes e persistam por mais de um ano. Quando apenas um deles aparece, ou quando o quadro é passageiro, a classificação é outra dentro do grupo dos tiques.

O que é o CID F95?

O CID-10 é a Classificação Internacional de Doenças. Já o código CID F95 identifica o grupo dos tiques, dentro do capítulo de transtornos mentais e comportamentais. A Síndrome de Tourette não corresponde ao F95 genérico. Ela tem código próprio.

Código Descrição
F95.0 Tique transitório
F95.1 Tique motor ou vocal crônico
F95.2 Tiques vocais e motores múltiplos combinados (doença de Gilles de la Tourette)
F95.8 Outros tiques
F95.9 Tique não especificado

Essa distinção importa. Um laudo com F95.0 descreve um quadro transitório. Um laudo com F95.2 descreve tiques motores e vocais combinados e persistentes, cenário com potencial de impacto bem maior na rotina.

A advogada especialista do VLV Advogados, Dra Rafaela Carvalho explica que, para o INSS, o código cumpre a função de identificar a condição. “A análise do benefício, porém, se apoia no que o laudo descreve depois dele: frequência dos tiques, medicação em uso, acompanhamento realizado e efeitos concretos na escola, no trabalho e no convívio social.”

Como conseguir laudo de síndrome de Tourette?

O diagnóstico é clínico. Não existe exame de sangue ou de imagem que confirme a condição. O profissional avalia o histórico, observa os tiques e descarta outras causas neurológicas.

Onde buscar o atendimento

O que separa um laudo comum de um laudo consistente

Conseguir o documento costuma ser a parte simples. O problema aparece quando ele registra apenas o CID e a data. Um laudo assim informa a condição, mas não descreve o impacto, que é justamente o que a análise do benefício examina.

Um laudo bem construído indica:

Documentos que reforçam o laudo médico

O laudo não precisa carregar sozinho a demonstração das barreiras. Somam a ele relatórios de psicólogo e terapeuta ocupacional, declarações escolares sobre adaptações ou episódios de bullying, receitas e notas de medicação contínua, além do histórico de consultas.

“A avaliação do INSS não se encerra no diagnóstico. Documentos que descrevem a rotina, as terapias e as dificuldades enfrentadas no ambiente escolar ou de trabalho ajudam a demonstrar o impacto funcional que a perícia precisa examinar.”
Dra. Rafaela Carvalho, advogada previdenciarista do VLV Advogados

Quem tem Tourette é considerado PCD? 

O reconhecimento existe, mas passa por avaliação individual. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) define pessoa com deficiência como aquela que tem impedimento de longo prazo que, em interação com barreiras, pode obstruir sua participação plena na sociedade.

Ou seja, o enquadramento não decorre do diagnóstico em si, e sim do conjunto formado por sintomas e obstáculos enfrentados. Essa análise é chamada de avaliação biopsicossocial e considera:

O que tramita no Congresso

Existe um projeto em andamento para tornar esse reconhecimento expresso na lei. Em outubro de 2025, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou o PL 4.767/2020, que inclui as pessoas com Síndrome de Tourette entre as pessoas com deficiência, pela LBI.

Como o texto foi alterado pela Câmara, voltou ao Senado para nova análise. Enquanto o projeto não é concluído, o enquadramento continua sendo feito caso a caso.

Como isso aparece na prática?

Uma decisão da Justiça Federal de Santa Maria (RS), de junho de 2026, ilustra o funcionamento desse critério. O caso envolveu uma adolescente de 14 anos com Síndrome de Tourette que pedia o benefício assistencial. O INSS sustentou que não havia impedimento de longo prazo. 

O juiz entendeu de forma diversa e considerou que a estigmatização gerada pelos tiques e o isolamento social vivido pela jovem, que chegou a mudar de escola após episódios de bullying, configuram barreira concreta à participação social.

A sentença registra que a comprovação da deficiência não se limita ao aspecto técnico, devendo considerar fatores ambientais, sociais e pessoais ao lado das limitações corporais.

Quem tem síndrome de Tourette pode trabalhar?

Sim. O diagnóstico não impede o exercício de atividade profissional, e a legislação brasileira parte justamente da premissa da inclusão.

A Lei Brasileira de Inclusão trabalha com a ideia de barreiras, não de inaptidão. Uma pessoa com Tourette pode exercer a profissão e, ainda assim, enfrentar obstáculos relevantes de participação social.

Direitos no ambiente de trabalho

Quando há reconhecimento como pessoa com deficiência, aplicam-se garantias específicas:

Trabalhar afeta o benefício?

Depende de qual deles se discute:

Trabalhar, portanto, não afasta o direito. Muda qual benefício se aplica à situação.

Quem tem Tourette recebe aposentadoria?

Depende do caminho pretendido. O INSS não analisa o diagnóstico isolado, e sim o efeito da condição sobre a capacidade de trabalho ou sobre a participação social da pessoa.

Existem três possibilidades, com requisitos diferentes entre si:

1. Aposentadoria da pessoa com deficiência ⮕ prevista na Lei Complementar 142/2013. Exige contribuições ao INSS e reconhecimento da deficiência em avaliação própria.

2. Auxílio por incapacidade ⮕ cabível quando o quadro impede o trabalho, de forma temporária ou permanente. Também exige qualidade de segurado.

3. BPC/LOAS ⮕ benefício assistencial da Lei 8.742/93. Dispensa contribuição, mas depende de baixa renda familiar e de impedimento de longo prazo.

A confusão mais comum está no terceiro item. O BPC costuma ser o caminho mais discutido em casos de Tourette e não é aposentadoria: ele não gera 13º salário nem deixa pensão por morte. Identificar qual dos três se aplica à situação concreta é o passo que antecede qualquer pedido. 

Como funciona a aposentadoria da pessoa com deficiência

Esse é o único dos três caminhos que gera aposentadoria propriamente dita. A Lei Complementar 142/2013 permite reduzir o tempo de contribuição conforme o grau de deficiência reconhecido pela perícia.

Benefício Exige contribuição? Requisito central Valor
Aposentadoria da pessoa com deficiência (LC 142/2013) Sim Tempo de contribuição reduzido conforme o grau de deficiência, ou idade mínima com 15 anos de contribuição na condição de PcD Calculado sobre os salários de contribuição
Auxílio por incapacidade temporária Sim Incapacidade para o trabalho por mais de 15 dias, com qualidade de segurado Calculado sobre os salários de contribuição
Aposentadoria por incapacidade permanente Sim Incapacidade definitiva para toda atividade laboral Calculado sobre os salários de contribuição
BPC/LOAS (Lei 8.742/93) Não Impedimento de longo prazo e renda familiar por pessoa dentro do limite legal Um salário mínimo

Existe ainda a modalidade por idade: 60 anos para homem e 55 para mulher, com no mínimo 15 anos de contribuição na condição de pessoa com deficiência, independentemente do grau.

O grau não é definido pelo diagnóstico, e sim por avaliação biopsicossocial realizada por médico e assistente social do INSS. Dois pontos costumam gerar dúvida:

Para quem tem Tourette e histórico contributivo, esse é o caminho a ser examinado antes de se pensar em benefício assistencial.

A síndrome de Tourette dá direito a benefícios do INSS?

Pode dar, desde que preenchidos os requisitos de cada benefício. O que define o direito não é o diagnóstico em si, e sim o efeito da condição sobre a capacidade de trabalho ou sobre a participação social da pessoa.

A primeira pergunta a responder é se existe histórico de contribuição ao INSS. Ela separa os dois grupos possíveis:

Tempo de contribuição por grau de deficiência
Grau de deficiência Homem Mulher
Grave 25 anos 20 anos
Moderada 29 anos 24 anos
Leve 33 anos 28 anos

Como solicitar um benefício por síndrome de Tourette?

A escolha do benefício depende de dois fatores: se existe histórico de contribuição ao INSS e qual o impacto da condição na vida da pessoa. Veja a comparação:

Com contribuições: Aposentadoria da pessoa com deficiência, auxílio por incapacidade temporária ou aposentadoria por incapacidade permanente.

Sem contribuições: BPC/LOAS, benefício assistencial que exige impedimento de longo prazo e baixa renda familiar.

Documentos para solicitar o benefício

A documentação varia conforme o benefício pretendido, mas parte dela é comum a todos os pedidos.

Documentos básicos

Para benefícios contributivos

Para o BPC/LOAS

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Perguntas frequentes sobre síndrome de Tourette e benefícios do INSS

Síndrome de Tourette dá direito a isenção de imposto de renda?

A isenção prevista na Lei 7.713/88 alcança aposentados e pensionistas com doenças específicas listadas em lei, e a síndrome de Tourette não consta nesse rol. A isenção pode ser discutida quando houver outra condição listada associada ao quadro. O tema exige análise individual.

Criança com Tourette tem direito a algum benefício?

Pode ter. Como não existe histórico contributivo, o caminho discutido costuma ser o BPC, que exige impedimento de longo prazo e renda familiar dentro do limite legal. A avaliação considera o impacto na escola e no convívio social.

Precisa ter contribuído ao INSS para receber o BPC?

Não. O BPC é assistencial e dispensa qualquer contribuição. Em contrapartida, exige comprovação de baixa renda familiar e inscrição atualizada no CadÚnico.

Quem tem Tourette tem direito a cotas de emprego?

Quando há reconhecimento como pessoa com deficiência, sim. A Lei 8.213/91 reserva percentual de vagas em empresas com 100 ou mais empregados, e o enquadramento depende de avaliação individual.

O INSS pode cancelar o BPC depois de concedido?

Pode. O benefício passa por revisões periódicas que verificam se as condições que motivaram a concessão permanecem, especialmente a renda familiar. Manter o CadÚnico atualizado evita suspensões administrativas.

Quanto tempo demora a análise do pedido?

O prazo varia conforme a espécie de benefício, a agenda de perícia e a região. Consultas sobre o andamento podem ser feitas pelo Meu INSS ou pela central 135.

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Autor

  • rafa menor

    Advogada com atuação em Direito Previdenciário 61.735 OAB/BA, pós-graduada em Direitos Fundamentais e Justiça e com formação em Liderança pela Conquer Business School. Atualmente coordena a equipe jurídica do VLV Advogados.

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