Códigos de pagamento do INSS: qual é o certo para seu caso?
Escolher o código de pagamento do INSS é fundamental para garantir que suas contribuições sejam registradas corretamente. Se você é autônomo, empregado doméstico, facultativo ou se enquadra em outras categorias, entender qual código usar pode evitar problemas futuros.
Pagar a guia do INSS com o código errado é um erro silencioso: não aparece nenhum aviso, o boleto é compensado normalmente, e o problema só aparece meses ou anos depois.
Em geral, só se descobre que há algum problema quando o segurado tenta pedir um benefício e descobre que parte das suas contribuições não foi computada corretamente.
Os códigos da GPS (Guia da Previdência Social) identificam sua categoria perante o INSS, o tipo de contribuição e o plano escolhido. Um contribuinte individual que usa o código de empregado doméstico, por exemplo, pode estar pagando um valor incorreto e comprometendo direitos.
Neste guia, você vai encontrar os principais códigos do INSS em 2026, quando cada um deve ser usado e quais cuidados são importantes antes de emitir a guia. Se você tiver dúvidas sobre seu caso envolvendo benefícios do INSS, fale conosco!
Desse modo, pensando em te ajudar, preparamos este artigo no qual você aprenderá:
- 1 O que são os códigos de pagamento do INSS?
- 2 Quais são os diferentes códigos de pagamento do INSS?
- 3 Tabela de códigos de pagamento do INSS
- 4 Como fazer para pagar o INSS usando os códigos corretos?
- 5 Dúvidas frequentes sobre os códigos de pagamento do INSS
- 6 Código errado no INSS pode custar anos de contribuição
- 7 Autor
O que são os códigos de pagamento do INSS?
Os códigos de contribuição do INSS são números que identificam, ao mesmo tempo, três informações na Guia da Previdência Social (GPS): a sua categoria como segurado, a alíquota que você paga e se o recolhimento é mensal ou trimestral.
É com base nessa combinação que o INSS registra e classifica cada contribuição no seu histórico. O problema é que usar o código errado não gera nenhum aviso imediato.
O boleto é compensado normalmente, e o erro só aparece meses ou anos depois, quando o segurado tenta pedir um benefício e descobre que o período não foi computado corretamente.
A fundamentação está no artigo 21 da Lei 8.212/1991, que define as alíquotas e bases de cálculo para contribuintes individuais e facultativos.
O Decreto 3.048/1999 complementa as regras nos artigos 199 a 216, e a Instrução Normativa RFB 2.110/2022 consolida as orientações operacionais para o recolhimento.
Em 2026, os valores de referência foram atualizados: o salário mínimo passou para R$1.621,00 e o teto do INSS para R$8.475,55, alterações que impactam diretamente os valores de quem contribui de forma autônoma ou facultativa.
Código de pagamento e recolhimento é a mesma coisa?
Sim, na prática são usados como sinônimos, mas há uma distinção técnica sutil que vale registrar no texto se quiser usar isso como diferencial.
Código de pagamento é o termo popular, usado no dia a dia por quem preenche a guia. Código de recolhimento é o termo técnico correto, usado pela Receita Federal e pelo INSS.
Na GPS, o campo se chama oficialmente “Código de Pagamento”.
Quais são os diferentes códigos de pagamento do INSS?
O INSS possui diversos códigos de contribuição, mas alguns são os mais utilizados pelos segurados em 2026. Eles variam conforme a categoria da pessoa e o plano escolhido.
Os mais utilizados por quem contribui de forma autônoma ou voluntária são:
Contribuinte individual
- 1007 — Plano Normal (20%), recolhimento mensal.
- 1163 — Plano Simplificado (11%), recolhimento mensal.
- 1155 — Plano Normal (20%), recolhimento trimestral
- 1180 — Plano Simplificado (11%), recolhimento trimestral
Segurado facultativo
- 1406 — Plano Normal (20%), recolhimento mensal
- 1473 — Plano Simplificado (11%), recolhimento mensal
- 1457 — Plano Normal (20%), recolhimento trimestral
- 1490 — Plano Simplificado (11%), recolhimento trimestral
- 1929 — Plano Baixa Renda (5%), exclusivo para dona de casa inscrita no CadÚnico
Complementação
- 1872 — Complementação de 11% para 20%, para quem quer converter o período para aposentadoria por tempo de contribuição
O MEI não usa GPS nem código. O recolhimento, nesses casos, é feito pelo DAS, gerado no portal do Gov.br. Abaixo, apresentamos uma tabela completa com todos os códigos de pagamento!
Tabela de códigos de pagamento do INSS
Tabela de Códigos de Pagamento do INSS
| Categoria | Plano / Periodicidade | Código | Alíquota | Vencimento |
|---|---|---|---|---|
| Empregado Doméstico | Mensal | 1600 | 8, 9 ou 11% + 12% patronal | Dia 15 do mês seguinte |
| Trimestral | 1651 | 8, 9 ou 11% + 12% patronal | ||
| Reclamatória Trabalhista | 1708 | — | ||
| Empregador Doméstico (Patronal) | Mensal | 1619 | 12% | Dia 15 do mês seguinte |
| Trimestral | 1678 | 12% | ||
| Contribuinte Individual | Plano Normal — Mensal | 1007 | 20% | Dia 15 do mês seguinte |
| Plano Normal — Trimestral | 1104 | 20% | ||
| Plano Simplificado — Mensal | 1163 | 11% | ||
| Plano Simplificado — Trimestral | 1180 | 11% | ||
| Com dedução de 45% — Mensal | 1120 | 11% | ||
| Com dedução de 45% — Trimestral | 1147 | 11% | ||
| Contribuinte Individual Rural | Com dedução de 45% — Mensal | 1805 | 11% | Dia 15 do mês seguinte |
| Com dedução de 45% — Trimestral | 1813 | 11% | ||
| Plano Normal — Mensal | 1287 | 20% | ||
| Plano Normal — Trimestral | 1228 | 20% | ||
| Plano Simplificado — Mensal | 1236 | 11% | ||
| Plano Simplificado — Trimestral | 1252 | 11% | ||
| Segurado Especial (contribuição facultativa) | Mensal | 1503 | 20% | Dia 15 do mês seguinte |
| Trimestral | 1554 | 20% | ||
| Segurado Facultativo | Plano Normal — Mensal | 1406 | 20% | Dia 15 do mês seguinte |
| Plano Normal — Trimestral | 1457 | 20% | ||
| Plano Simplificado — Mensal | 1473 | 11% | ||
| Plano Simplificado — Trimestral | 1490 | 11% | ||
| Baixa Renda — Mensal | 1929 | 5% | ||
| Baixa Renda — Trimestral | 1937 | 5% |
Códigos de Complementação de Contribuição
| Categoria | Tipo / Periodicidade | Código | Percentual |
|---|---|---|---|
| Contribuinte Individual | Plano Simplificado — Mensal | 1295 | 9% do salário mínimo |
| Plano Simplificado — Trimestral | 1198 | 9% do salário mínimo | |
| Facultativo | Plano Simplificado — Mensal | 1686 | 9% do salário mínimo |
| Plano Simplificado — Trimestral | 1694 | 9% do salário mínimo | |
| Exercente de Mandato Eletivo | 1821 | 9% | |
| Facultativo Baixa Renda | Complementação para Plano Simplificado — Mensal | 1830 | 6% do salário mínimo |
| Complementação para Plano Simplificado — Trimestral | 1848 | 6% do salário mínimo | |
| Complementação para Plano Normal — Mensal | 1945 | 15% do salário mínimo | |
| Complementação para Plano Normal — Trimestral | 1953 | 15% do salário mínimo | |
| Contribuinte Individual Rural | Complementação para Plano Normal — Mensal | 1244 | 9% do salário mínimo |
| Complementação para Plano Normal — Trimestral | 1260 | 9% do salário mínimo |
Fonte: INSS — gov.br
Como fazer para pagar o INSS usando os códigos corretos?
O pagamento é feito pela GPS (Guia da Previdência Social), gerada pelo SAL (Sistema de Acréscimos Legais) da Receita Federal ou pelo portal e aplicativo Meu INSS. Ambos calculam automaticamente multa e juros caso o pagamento esteja em atraso.
Para gerar a guia corretamente, você vai precisar de:
- NIT, PIS ou PASEP do segurado
- O código de pagamento correto para a sua categoria e plano
- A competência — ou seja, o mês e ano ao qual a contribuição se refere
- O valor da contribuição, calculado sobre a base escolhida
- CPF do segurado
O prazo de vencimento para contribuintes individuais e facultativos é sempre o dia 15 do mês seguinte à competência. Pagamentos em atraso geram multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, mais juros de 1% ao mês e variação da taxa Selic.
O que acontece quando o código errado é usado — um caso real
No VLV Advogados, atendemos um cliente autônomo que prestava serviços para uma empresa havia anos. Durante todo esse período, a empresa retinha e recolhia 11% sobre os serviços prestados, o que, no CNIS, ficava registrado como plano simplificado.
O problema é que ele nunca tinha complementado a diferença de 9% para o plano normal. Quando procurou nosso escritório para planejar a aposentadoria, descobriu que nenhum daqueles anos contaria como tempo de contribuição.
O caso é mais comum do que parece, e o erro quase sempre não é intencional. O contribuinte simplesmente não sabia que a retenção feita pela empresa não era suficiente para garantir todos os direitos que ele esperava ter. Por isso, atenção!
Dúvidas frequentes sobre os códigos de pagamento do INSS
O que significam os códigos 1406 e 1007 no INSS?
Os dois códigos correspondem ao Plano Normal de contribuição (alíquota de 20% sobre uma base entre o salário mínimo e o teto do INSS).
A diferença está na categoria do segurado: o 1007 é usado pelo contribuinte individual, como autônomo, enquanto o 1406 é usado pelo segurado facultativo, como dona de casa.
Qual a diferença entre o código 1007 e o código 1163 do INSS?
Os dois são códigos do contribuinte individual, mas com planos diferentes. O 1007 corresponde ao Plano Normal (20%) e garante acesso a todos os benefícios previdenciários, incluindo aposentadoria por tempo de contribuição.
O 1163 corresponde ao Plano Simplificado (11%), com base de cálculo fixada no salário mínimo, e não dá direito à aposentadoria por tempo de contribuição nem à emissão de Certidão de Tempo de Contribuição.
Quem nunca contribuiu com o INSS pode pagar retroativo?
Não. O INSS não permite o recolhimento de competências anteriores à filiação ao sistema. Quem nunca contribuiu só pode começar a partir do mês em que se filiar, e os benefícios ficam condicionados ao cumprimento da carência a partir daí.
Existe uma exceção para o segurado empregado com vínculo registrado em carteira, cujo histórico pode ser recuperado via CNIS com base nos registros do empregador, mas para contribuintes individuais e facultativos não há essa possibilidade.
Quem parou de contribuir com o INSS pode voltar a pagar?
Sim, sem nenhuma burocracia. Basta gerar uma nova GPS com o código correto para a competência atual e efetuar o pagamento.
Um ponto de atenção: quem ficou muito tempo sem contribuir pode ter perdido a qualidade de segurado e precisar cumprir nova carência para acessar determinados benefícios.
Quais são os direitos de quem contribui para o INSS?
Quem contribui regularmente para o INSS pode ter acesso a diversos benefícios previdenciários previstos na Lei nº 8.213/91, como:
- aposentadoria;
- auxílio por incapacidade temporária;
- aposentadoria por incapacidade permanente;
- salário-maternidade;
- pensão por morte;
- auxílio-reclusão.
Além disso, manter as contribuições em dia ajuda a preservar a proteção previdenciária e evita dificuldades futuras na hora de comprovar tempo de contribuição e qualidade de segurado.
Dependendo do caso, uma análise previdenciária pode ajudar a identificar o código mais adequado e evitar contribuições feitas de forma incorreta ao longo dos anos.
Código errado no INSS pode custar anos de contribuição
Escolher o código incorreto na GPS é um erro em que o impacto aparece só quando você precisa do benefício: períodos que não contam para aposentadoria, carências não cumpridas, retificações demoradas na Receita Federal.
Se você tem dúvida sobre qual código usar, se está contribuindo pelo plano certo para o seu objetivo ou se quer revisar seu histórico no CNIS, fale com um especialista!
Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados.
Sobre o autor
Dra. Rafaela Carvalho é advogada com atuação em Direito Previdenciário, pós-graduada em Direitos Fundamentais e Justiça e com formação em Liderança pela Conquer Business School. Atualmente coordena a equipe jurídica do VLV Advogados.
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