Aposentadoria por diabetes: entenda quando é possível e como solicitar

Ser uma pessoa diabética pode impactar diretamente sua vida laboral, o que gera a dúvida: há possibilidade de aposentadoria por diabetes? Confira como conseguir! 

Aposentadoria por diabetes
Aposentadoria por diabetes: entenda quando é possível e como solicitar

Conviver com diabetes é conviver com uma rotina de controle: medicação, alimentação, exames e monitoramento constante. Quando esse controle deixa de ser suficiente e a doença começa a comprometer a visão, os rins, os nervos ou a circulação, o trabalho passa a ficar inseguro ou impossível.

É nesse ponto que surge a dúvida sobre a aposentadoria por diabetes. A resposta curta é que o INSS não concede benefício pelo diagnóstico, e sim pelas limitações que ele provoca. Duas pessoas com o mesmo CID podem receber respostas completamente diferentes na perícia.

Reconhecido como referência em Direito Previdenciário no Brasil, o VLV Advogados acompanha de perto a dificuldade de comprovar uma doença que o INSS costuma tratar como controlável. 

A seguir, você vai entender exatamente o que precisa provar, quais benefícios existem, quanto pode receber e por que a complicação vale mais que o diagnóstico.

Sabemos que buscar informação enquanto se lida com a saúde é desgastante, e que cada caso tem particularidades. Se quiser orientação sobre a sua situação: clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

O que precisa para se aposentar com diabetes?

Para se aposentar com diabetes, você precisa cumprir três requisitos ao mesmo tempo: ter qualidade de segurado, cumprir a carência de 12 contribuições mensais e comprovar incapacidade para o trabalho em perícia médica. O diagnóstico isolado não concede benefício nenhum.

A qualidade de segurado significa estar contribuindo ou dentro do período de graça, que é o prazo em que a proteção continua mesmo depois que os recolhimentos param. 

A carência são as 12 contribuições exigidas antes do pedido, com exceções importantes que você vai ver adiante. E a incapacidade é o requisito que mais derruba pedidos.

Esses critérios estão na Lei nº 8.213/91, que rege os benefícios do INSS e organiza todas as modalidades de aposentadoria.

Guarde este ponto, porque ele organiza todo o resto do artigo: o INSS avalia o impacto funcional, não o nome da doença. Uma pessoa com diabetes controlada trabalha normalmente. 

Outra, com retinopatia avançada ou em hemodiálise, pode estar totalmente impedida. É a diferença entre as duas situações que o seu laudo precisa demonstrar.

Quais complicações da diabetes dão direito ao benefício do INSS?

As complicações que geram direito são aquelas que causam limitação real e duradoura, como retinopatia, nefropatia, neuropatia, pé diabético e problemas cardiovasculares. E aqui está o ponto que quase ninguém explica com clareza: a complicação não serve apenas para provar a incapacidade.

A mesma complicação costuma destravar três coisas ao mesmo tempo. Ela fundamenta a incapacidade na perícia, pode dispensar a carência de 12 meses e ainda pode gerar isenção de Imposto de Renda sobre a aposentadoria. 

Isso acontece porque cegueira, nefropatia grave e cardiopatia grave aparecem tanto na lista de doenças que dispensam carência quanto na lista de isenção tributária.

Por isso, existe um detalhe prático que muda o resultado do pedido: o CID da complicação precisa estar no laudo, e não apenas o CID da diabetes. Um laudo médico que registra somente E10 ou E11 entrega ao perito uma doença crônica controlável. Um laudo que registra a complicação entrega uma limitação concreta.

Complicações do diabetes e possíveis direitos
Complicação CID O que ela pode destravar
Retinopatia com cegueira E10.3 / E11.3 Incapacidade, dispensa de carência e isenção de Imposto de Renda.
Nefropatia grave E10.2 / E11.2 Incapacidade, dispensa de carência e isenção de Imposto de Renda.
Complicação cardiovascular grave E10.5 / E11.5 Incapacidade, dispensa de carência e isenção de Imposto de Renda.
Neuropatia periférica E10.4 / E11.4 Reconhecimento de incapacidade, conforme o grau de limitação.
Pé diabético e amputações E10.5 / E11.5 Reconhecimento de incapacidade, conforme as sequelas e a mobilidade.

Quais benefícios do INSS quem tem diabetes pode receber?

Quem tem diabetes pode ter direito a quatro benefícios diferentes, e o adequado depende da gravidade das complicações e da sua situação contributiva. Pedir o benefício errado é uma das causas mais comuns de indeferimento.

Quando as complicações afastam do trabalho por um período, como em internações por descompensação ou na recuperação de uma cirurgia, o caminho é o auxílio por incapacidade temporária

Quando as sequelas são irreversíveis e não há reabilitação possível, o caminho é a aposentadoria por incapacidade permanente, prevista no artigo 42 da Lei nº 8.213/91.

Para quem nunca contribuiu ou perdeu a qualidade de segurado, existe o BPC/LOAS, benefício assistencial de um salário mínimo previsto na Lei nº 8.742/1993, que exige impedimento de longo prazo e baixa renda familiar.

Benefícios possíveis para pessoas com diabetes
Benefício Precisa ter contribuído? O que precisa provar
Auxílio por incapacidade temporária Sim Incapacidade temporária para exercer o trabalho.
Aposentadoria por incapacidade permanente Sim Incapacidade total, permanente e sem possibilidade de reabilitação.
Aposentadoria da pessoa com deficiência Sim Impedimento de longo prazo, sem necessidade de incapacidade total.
BPC/LOAS Não Impedimento de longo prazo e baixa renda familiar.

Diabetes tipo 1 é considerada deficiência?

Pode ser, e essa é a informação que mais muda o rumo de um caso.

A diabetes tipo 1 exige insulinoterapia contínua desde cedo, monitoramento constante da glicemia e convive com o risco de hipoglicemias graves. 

Quando essas limitações são duradouras, de dois anos ou mais, e restringem a participação plena na vida social e profissional, a pessoa pode ser enquadrada como pessoa com deficiência após avaliação médica e social do INSS.

Reconhecido o enquadramento, abre-se a aposentadoria da pessoa com deficiência, da Lei Complementar nº 142/2013. Ela exige tempo de contribuição reduzido conforme o grau da deficiência e não exige prova de incapacidade total

Ou seja, é um caminho para quem ainda trabalha, mas com limitações permanentes. Quem não tem contribuições pode avaliar o BPC/LOAS para PcD, que segue a mesma lógica de impedimento de longo prazo.

Como provar a diabetes na perícia do INSS?

A prova não é do diagnóstico, e sim das limitações funcionais causadas pelas complicações. Esse é o ponto em que a maioria dos pedidos falha, e existe uma razão técnica para isso: o INSS trata a diabetes como doença controlável por medicação.

Quando o perito vê apenas “diabetes mellitus” no laudo, ele enxerga uma condição administrável com insulina e dieta. O que muda a leitura é a documentação que demonstra que, mesmo com tratamento correto, as limitações permanecem. 

Por isso a perícia médica do INSS exige preparação, e não apenas comparecimento.

Documentos que fazem diferença:

Passo a passo do pedido:

  1. Reúna a documentação antes de abrir o requerimento
  2. Acesse o Meu INSS e escolha “Novo Pedido”
  3. Selecione o benefício por incapacidade e anexe os laudos
  4. Compareça à perícia com os originais em mãos
  5. Relate limitações concretas, não sintomas genéricos
  6. Acompanhe o resultado pelo próprio aplicativo

“O erro que mais vejo é o segurado dizer ao perito que tem diabetes e está mal. Isso não comunica nada. O que comunica é dizer que não enxerga mais os números do painel, que não consegue ficar em pé por causa da dor nos pés ou que teve duas internações por hipoglicemia no último ano”, explica a Dra. Rafaela Carvalho, do VLV Advogados.

Seu Antônio (relato fictício, inspirado em situações que recebemos, com anonimato preservado), 57 anos, motorista, teve o pedido negado com um laudo que informava apenas “diabetes tipo 2 descompensada”. 

Ao revisar o caso, o prontuário mostrava retinopatia bilateral em acompanhamento havia três anos, sem que esse CID aparecesse em qualquer documento entregue ao INSS. 

A reorganização das provas mudou completamente o quadro apresentado ao perito. Se o seu pedido foi indeferido, vale entender os motivos mais frequentes de aposentadoria negada e avaliar o recurso administrativo, que tem prazo de 30 dias.

Qual é o valor da aposentadoria por diabetes?

O valor corresponde a 60% da média de todos os salários de contribuição desde julho de 1994, acrescido de 2% por ano que ultrapassar 15 anos de contribuição para mulheres e 20 anos para homens. O auxílio temporário segue outro cálculo, e o BPC corresponde sempre a um salário mínimo.

Existem duas formas de aumentar o que entra na conta no fim do mês. A primeira é o acréscimo de 25%, previsto no artigo 45 da Lei nº 8.213/91, para quem depende de ajuda permanente de outra pessoa, situação comum em casos de cegueira, amputação ou diálise.

A segunda é a que quase ninguém pede: a isenção de Imposto de Renda. A diabetes não está na lista do artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/1988, mas cegueira, cardiopatia grave e nefropatia grave estão. 

Quem se aposentou por uma dessas complicações pode requerer a isenção do IRPF por doença grave, e a lei não exige que a doença esteja ativa nem que a pessoa esteja incapacitada. Vale lembrar que nenhum benefício ultrapassa o teto do INSS.

Como fica o valor de cada benefício
Situação Como fica o valor
Aposentadoria por incapacidade permanente 60% da média, mais 2% por ano excedente.
Auxílio por incapacidade temporária 91% da média salarial.
BPC/LOAS Um salário mínimo.
Dependência de ajuda permanente Acréscimo de 25% sobre o valor do benefício.

Provar a limitação é mais importante do que provar a doença

Aposentadoria por diabetes
Provar a limitação é mais importante do que provar a doença

Cada caso de diabetes é diferente, e é a sua documentação médica que define qual benefício pedir e com que fundamento. Segundo o Ministério da Saúde, o número de adultos com diabetes no Brasil cresceu 135% entre 2006 e 2024, passando de 5,5% para 12,9% da população adulta, conforme o Vigitel.

Com equipe especializada em Direito Previdenciário e atendimento online em todo o Brasil, o VLV Advogados acompanha desde a organização das provas médicas até a ação judicial contra o INSS, quando a via administrativa não resolve.

Se você tem diabetes e quer saber a qual benefício tem direito, clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados.

Sobre a autora

A Dra. Rafaela Carvalho é advogada (OAB 61735) com atuação em direito Previdenciário, pós-graduada em Direitos Fundamentais e Justiça e com formação em Liderança pela Conquer Business School. Atualmente coordena a equipe jurídica do VLV Advogados.

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Autor

  • rafa menor

    Advogada com atuação em Direito Previdenciário 61.735 OAB/BA, pós-graduada em Direitos Fundamentais e Justiça e com formação em Liderança pela Conquer Business School. Atualmente coordena a equipe jurídica do VLV Advogados.

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