Posso desistir do contrato de compra e venda de imóvel?

Nem sempre a compra de um imóvel acontece como planejado. Em imprevistos financeiros, problemas no negócio ou arrependimento, surge a dúvida: é possível desistir do contrato de compra e venda de imóvel?

Imagem representando pessoa querendo desistir do contrato de compra e venda de imóvel.

Posso desistir do contrato de compra e venda de imóvel?

Assinar um contrato de compra e venda de imóvel é uma decisão importante, mas imprevistos podem surgir.

Seja por dificuldades financeiras, mudanças de planos ou problemas com o empreendimento, muitas pessoas se perguntam se podem desistir da compra depois da assinatura.

A resposta depende de fatores como o tipo de contrato, as cláusulas envolvidas e o que diz a legislação brasileira.

Este conteúdo foi preparado para esclarecer, de forma simples e objetiva, em quais situações a desistência é possível, quais são as consequências e quais direitos a lei garante a compradores e vendedores.

Continue a leitura e entenda tudo o que você precisa saber sobre a desistência do contrato de compra e venda de imóvel.

Sabemos que questões jurídicas podem gerar dúvidas, e entender seus direitos é essencial para tomar decisões informadas. Em caso de dúvidas sobre o assunto, entre em contato: clique aqui para falar agora com um especialista do VLV Advogados

Posso desistir do contrato de compra e venda de imóvel?

Sim, você pode desistir do contrato de compra e venda de imóvel, mas tudo depende do tipo de contrato, das cláusulas existentes e da situação específica.

Em regra, esses contratos são irretratáveis e irrevogáveis, conforme estabelece o Código Civil. No entanto, a lei prevê exceções importantes, como

➝ o direito de arrependimento do Código de Defesa do Consumidor (CDC),

➝ a aplicação da Lei do Distrato para imóveis na planta

➝ e a possibilidade de desistência mediante penalidades quando há arras (sinal) com função penitencial.

Cada caso exige análise detalhada do contrato e da legislação aplicável. Agir com rapidez é fundamental para evitar prejuízos financeiros e proteger seus direitos.

Quando posso desistir do contrato de compra e venda de imóvel?

A possibilidade de desistência varia conforme o contrato e a situação. Existem hipóteses legais e contratuais que permitem a rescisão sem grandes prejuízos, mas também há casos em que a desistência gera penalidades.

A principal situação ocorre quando o contrato foi assinado fora do estabelecimento comercial.

Nesses casos, o artigo 49 do CDC garante ao consumidor o direito de arrependimento no prazo de 7 dias após a assinatura ou recebimento do imóvel.

Isso se aplica, por exemplo, a contratos fechados em stands de vendas, pela internet ou por telefone. Nesse cenário, o comprador pode desistir sem pagar multa e tem direito ao reembolso integral dos valores pagos.

Outra hipótese envolve contratos que estabelecem arras penitenciais. Nesse caso, tanto o comprador quanto o vendedor podem desistir, mas há consequências financeiras!

Quem pagou o sinal perde o valor, e quem o recebeu deve devolvê-lo em dobro, conforme o artigo 420 do Código Civil.

Já quando o contrato estipula arras confirmatórias, não há direito de arrependimento, e a desistência pode gerar multas adicionais ou indenizações.

Se o imóvel foi adquirido na planta ou em loteamentos, a Lei 13.786/2018, conhecida como Lei do Distrato, estabelece regras específicas.

Ela permite a rescisão do contrato, mas autoriza o vendedor a reter um percentual dos valores pagos,  geralmente até 25%, podendo chegar a 50% em imóveis vinculados a patrimônio de afetação.

Por fim, quando ocorre atraso na entrega do imóvel superior a 180 dias, o comprador pode desistir sem penalidades, com direito à devolução integral de todos os valores pagos, devidamente atualizados, no prazo de 60 dias.

O que acontece se desistir do contrato de compra e venda de imóvel?

Ao desistir do contrato, as consequências dependem da situação contratual e da legislação envolvida.

Quando a desistência está amparada pelo CDC, dentro do prazo de 7 dias e em contratos firmados fora do estabelecimento comercial, o comprador tem direito à restituição total dos valores pagos.

Nos casos em que há arras penitenciais, quem decide desistir perde o valor do sinal. Se for o vendedor quem desiste, ele deverá devolver o sinal em dobro.

Já quando o contrato estipula arras confirmatórias, a desistência não é livre. Nessa hipótese, quem rompe o contrato pode ser obrigado a pagar indenização por perdas e danos, além de multas previstas contratualmente.

Nos imóveis na planta ou loteados, a Lei do Distrato estabelece um sistema proporcional. Ao desistir, o comprador pode ter retido até 25% do valor pago, chegando a 50% nos casos de patrimônio de afetação.

No entanto, se o atraso na entrega ultrapassar 180 dias, o comprador tem direito ao reembolso integral, sem retenções.

Por fim, se não houver cláusula de arrependimento, direito legal de desistência ou acordo amigável, o comprador pode buscar a rescisão judicial.

Imagem explicativa sobre o que acontece se desistir do contrato de compra e venda de imóvel.

O que acontece se desistir do contrato de compra e venda de imóvel?

Preciso pagar multa ao desistir do contrato de compra e venda de imóvel?

O pagamento de multa depende do tipo de contrato e da base legal para a desistência.

Quando a desistência ocorre com base no CDC, dentro do prazo de 7 dias, não há cobrança de multa e o comprador tem direito à devolução total dos valores pagos.

Por outro lado, se o contrato prevê arras penitenciais, a multa está implícita: quem desistir perde o valor do sinal.

Caso seja o vendedor quem desista, ele precisa devolver o sinal em dobro. Se as arras forem confirmatórias, a multa pode vir em forma de indenização adicional e será aplicada de acordo com os termos do contrato.

No caso de imóveis na planta ou loteamentos, a Lei do Distrato regula expressamente a retenção de parte dos valores pagos como penalidade.

Normalmente, o percentual é de até 25%, podendo chegar a 50% para imóveis com patrimônio de afetação. Essa retenção deve ser informada claramente no contrato, geralmente em um quadro-resumo.

Se a desistência ocorrer por atraso na entrega do imóvel acima de 180 dias, não há multa. O comprador tem direito à restituição integral dos valores pagos, corrigidos monetariamente, no prazo de 60 dias.

É importante destacar que a aplicação de multas ou retenções deve respeitar os princípios do Código de Defesa do Consumidor.

Cláusulas abusivas podem ser questionadas judicialmente, evitando que o comprador arque com penalidades desproporcionais.

Só o comprador pode desistir do contrato, ou o vendedor também pode?

A possibilidade de desistência não é exclusiva do comprador. O vendedor também pode desistir, desde que o contrato e a legislação permitam.

Quando o contrato prevê arras penitenciais, ambos podem desistir.

O comprador perde o sinal; o vendedor, se desistir, deve devolvê-lo em dobro.

Já com arras confirmatórias, a desistência não é livre.

O vendedor pode ser obrigado a cumprir o contrato ou a pagar indenização caso desista sem justificativa.

No contexto da Lei do Distrato, as regras foram pensadas principalmente para proteger o comprador, mas também preveem situações que envolvem o vendedor.

Se houver atraso na entrega do imóvel superior a 180 dias, por exemplo, o comprador pode desistir com direito ao reembolso integral.

Porém, caso o atraso seja menor e o comprador desista sem justificativa, as penalidades previstas podem ser aplicadas.

Além disso, o vendedor pode pleitear a rescisão judicial se o comprador deixar de cumprir obrigações contratuais, como o pagamento das parcelas.

Nesses casos, o Judiciário pode determinar a resolução do contrato e a retenção de parte dos valores pagos para compensar despesas do vendedor.

Preciso de um advogado se eu desistir do contrato de compra e venda?

A assistência de um advogado é fortemente recomendada quando há intenção de desistir de um contrato de compra e venda de imóvel.

Essa etapa envolve prazo, multas e cláusulas complexas que podem gerar consequências financeiras relevantes.

O advogado pode:

Agir com rapidez é essencial, pois prazos legais, como o do direito de arrependimento de 7 dias, podem expirar rapidamente.

Em contratos mais complexos, como imóveis na planta, a negociação de um distrato amigável também pode evitar litígios longos e custosos.

Buscar orientação especializada não é um luxo, mas uma necessidade para reduzir riscos e garantir que a desistência seja feita da forma correta: clique aqui para falar agora com um especialista do VLV Advogados

Um recado final para você!

Imagem representando advogado.

Em caso de dúvidas, procure assistência jurídica especializada em seu caso!

Sabemos que o tema pode levantar muitas dúvidas e que cada situação é única, demandando uma análise específica de acordo com as circunstâncias de cada caso.

Se você tiver alguma questão ou quiser saber mais sobre o assunto, recomendamos a consulta com um advogado especialista: clique aqui para falar agora com um especialista do VLV Advogados

O suporte jurídico adequado é fundamental para que decisões sejam tomadas de forma consciente e segura.

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do escritório Valença, Lopes e Vasconcelos Advocacia

Direito Civil | Direito de Família | Direito Criminal | Direito Previdenciário | Direito Trabalhista | Direito Bancário

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Autor

  • luiz azul

    OAB 43.462 - Advogado familiarista e cogestor do VLV Advogados, pós graduado em Direito Público e Privado.

    Bacharel em Direito pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e Capacitação pela AASP e TRIADE/IBDFAM em questões de direito civil, especialmente direito das famílias/sucessões (inventário) e pela PUC/RJ em alienação parental e perícias psicológicas

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