Adjudicação: quando cabe e o que é imóvel adjudicado?

Ganhou a ação, mas o devedor não paga? A adjudicação permite que o credor fique com o bem penhorado, como um imóvel ou um carro, em vez de esperar o leilão para receber o que é devido.

Imagem representando adjudicação.
Como funciona a adjudicação?

A palavra adjudicação aparece em situações bem diferentes: na cobrança de uma dívida, na compra de um imóvel que ficou sem escritura, no inventário e até em licitações. 

Em todas elas, a ideia é a mesma: um bem passa a pertencer a alguém por ato da Justiça, do cartório ou da Administração Pública.

Quem se depara com o termo em um processo ou em um anúncio de imóvel costuma ter dúvida sobre o que ele muda na prática. 

O VLV Advogados é um escritório de advocacia digital, com mais de 10 anos de atuação e atendimento em todo o Brasil, e preparou este guia para explicar o tema com base na lei e nas decisões dos tribunais.

A seguir, você vai entender o que é adjudicação, quais são os tipos, quando ela cabe em uma dívida e o que significa imóvel adjudicado.

Conhecer as regras ajuda você a decidir com mais segurança. Se quiser analisar o seu caso, clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

O que é adjudicação?

Adjudicação é o ato que atribui a propriedade de um bem a uma pessoa determinada, por decisão judicial ou por procedimento em cartório ou na Administração Pública. 

No uso comum, a palavra equivale a atribuição ou entrega de um bem a alguém.

O caso mais conhecido está na cobrança de dívidas. Em vez de esperar a venda do bem penhorado, o credor pede para ficar com ele como pagamento. 

O Código de Processo Civil (CPC) trata a adjudicação como a primeira forma de expropriação, que é a retirada de um bem do patrimônio do devedor para quitar a dívida (art. 825, I).

O termo também aparece fora da cobrança. Por isso, o primeiro passo é identificar de qual adjudicação o seu caso trata.

Quais são os tipos de adjudicação?

Os tipos de adjudicação mais comuns são quatro, e cada um segue regra própria:

Na execução de dívida: o credor, ou outra pessoa autorizada pela lei, fica com o bem penhorado pelo valor da avaliação (CPC, art. 876).

Adjudicação compulsória: o comprador que quitou o imóvel obtém a propriedade quando o vendedor não assina a escritura prevista no contrato de compra e venda. 

O pedido pode ser feito na Justiça (Código Civil, art. 1.418) ou em cartório (Lei 6.015/73, art. 216-B, incluído pela Lei 14.382/2022 e regulamentado pelo Provimento CNJ 150/2023).

No inventário: quando há herdeiro único, não existe partilha de bens, e a herança é adjudicada a ele (CPC, art. 659, § 1º). Em cartório, lavra-se escritura de inventário e adjudicação (Resolução CNJ 35/2007, com a redação da Resolução 571/2024).

Na licitação: a autoridade atribui o objeto do contrato ao vencedor (Lei 14.133/2021, art. 71, IV).

Os três primeiros tipos envolvem dívidas, imóveis e herança. São temas das áreas de Direito Cível, de Família e Bancário, nas quais o VLV Advogados atua.

Quando cabe a adjudicação em uma dívida?

Infográfico sobre requisitos e etapas da adjudicação em dívida.
Quando cabe a adjudicação em uma dívida?

A adjudicação em uma dívida cabe quando existe um processo de execução ou cumprimento de sentença, o bem do devedor já foi penhorado e avaliado e o interessado oferece preço não inferior ao da avaliação (CPC, art. 876). 

A Quarta Turma do STJ reforçou o primeiro requisito no REsp 2.200.180/SP (relator ministro Antonio Carlos Ferreira, julgado em 05/08/2025, DJe de 18/08/2025), com a tese: “A penhora é ato processual prévio e necessário à adjudicação de bens”. Sem penhora, a adjudicação é nula.

O caminho segue estas etapas:

  1. Penhora e avaliação do bem.
  2. Pedido de adjudicação pelo credor. Segundo a Terceira Turma do STJ, em decisão de 2023, ele pode ser feito a qualquer tempo, enquanto o bem não for vendido.
  3. Intimação do devedor sobre o pedido (art. 876, § 1º).
  4. Passados 5 dias da última intimação e resolvidas eventuais questões, lavratura do auto de adjudicação (art. 877).
  5. Expedição da carta de adjudicação, no caso de imóvel, ou da ordem de entrega, no caso de bem móvel.

Se o bem vale mais que a dívida, quem adjudica deposita a diferença. Se vale menos, a execução continua pelo saldo (art. 876, § 4º).

O credor não é o único que pode adjudicar. Também podem pedir o bem o cônjuge, o companheiro em união estável, os descendentes e os ascendentes do devedor, além de outros credores, como o que tem hipoteca ou penhora sobre o mesmo bem (art. 876, § 5º). 

Havendo mais de um interessado, não existe fila fixa: faz-se uma licitação entre eles, e vence a maior oferta. A preferência da família (cônjuge, companheiro, descendente e ascendente, nessa ordem) só vale em caso de ofertas iguais (art. 876, § 6º).

Situação inspirada em casos acompanhados pelo VLV Advogados:

Um comerciante cobrava na Justiça uma dívida de R$ 55 mil. O único bem localizado foi um veículo do devedor, penhorado e avaliado em R$ 40 mil. Em vez de aguardar o leilão, o credor pediu a adjudicação e ficou com o veículo pelo valor da avaliação.

Como o bem valia menos que a dívida, a execução continuou pelos R$ 15 mil restantes. O exemplo mostra que a adjudicação quita a dívida apenas até o valor do bem.

O que é um imóvel adjudicado?

Imóvel adjudicado é o imóvel cuja propriedade foi transferida a alguém por adjudicação, e não por compra e venda comum. 

É o caso do imóvel que o credor recebeu em uma execução, que o comprador obteve por adjudicação compulsória ou que o herdeiro único recebeu no inventário.

Para o imóvel passar de fato ao novo dono, a carta de adjudicação precisa ser registrada na matrícula, no Cartório de Registro de Imóveis (Código Civil, art. 1.245). Na execução, o juiz também expede o mandado de imissão na posse, que autoriza a entrada no imóvel (CPC, art. 877, § 1º).

Quando aparece em anúncios de venda, a expressão indica que o vendedor recebeu o imóvel por adjudicação. Não confunda com o imóvel retomado pelo banco em contrato de alienação fiduciária, que segue outro procedimento, com leilão extrajudicial.

“Antes de comprar um imóvel adjudicado, peça a matrícula atualizada e confira se a carta de adjudicação já foi registrada. Sem o registro, quem vende ainda não aparece como proprietário. Vale verificar também se o imóvel está ocupado e se há débitos de condomínio e de IPTU”, orienta o Dr. João Valença.

Qual a diferença entre adjudicação, arrematação e alienação?

A diferença entre adjudicação, arrematação e alienação está em quem fica com o bem e por qual valor. 

Na adjudicação, o bem vai para o credor ou outro legitimado por, no mínimo, o valor da avaliação. 

Na alienação, o bem é vendido a um terceiro, e o credor recebe o dinheiro. A arrematação é a compra feita por quem dá o maior lance no leilão judicial.

O CPC segue uma ordem: primeiro a adjudicação; se ela não ocorrer, a alienação por iniciativa particular; por fim, o leilão (arts. 880 e 881). 

No leilão, o bem pode sair por menos que a avaliação, desde que o lance não seja preço vil: abaixo do mínimo fixado pelo juiz ou, sem essa fixação, de 50% da avaliação (art. 891).

Adjudicação, alienação e arrematação

1

Adjudicação

Quem fica com o bemO credor ou outro legitimado, como familiares do devedor.

ValorNo mínimo, o da avaliação (CPC, art. 876).

2

Alienação por iniciativa particular

Quem fica com o bemUm comprador encontrado pelo credor ou por corretor ou leiloeiro credenciado.

ValorPreço mínimo fixado pelo juiz (CPC, art. 880).

3

Arrematação em leilão judicial

Quem fica com o bemQuem oferece o maior lance.

ValorNão pode ser preço vil: sem mínimo fixado, 50% da avaliação (CPC, art. 891).

A numeração indica a ordem em que o CPC prevê cada forma de expropriação do bem penhorado.

Essa é a diferença prática: na adjudicação, o bem abate a dívida pelo valor cheio da avaliação.

Cada tipo de adjudicação pede uma análise própria

Advogada analisando documentos de adjudicação de imóvel com uma cliente
Cada tipo de adjudicação pede uma análise própria

A adjudicação transfere um bem a quem tem direito a ele, seja o credor em uma execução, o comprador que quitou o imóvel ou o herdeiro único. 

Em todos os casos, o ato só se completa com o documento correto e, para imóveis, com o registro na matrícula.

Os requisitos mudam conforme o tipo de adjudicação e os documentos de cada situação. 

O VLV Advogados mantém aplicativo próprio e canal de ouvidoria e controle de qualidade para acompanhar o atendimento, e você pode conversar com a equipe para avaliar o seu caso.

Clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados

Sobre o autor

Dr. João Valença (OAB 43370) é advogado e cofundador do VLV Advogados. Atua há mais de 10 anos na defesa de clientes em todo o Brasil, com atendimento presencial e remoto. Sob sua liderança, o escritório acumula mais de 3.000 avaliações positivas e se tornou referência nacional no atendimento jurídico digital.

Direito Civil | Direito de Família | Direito Criminal | Direito Previdenciário | Direito Trabalhista | Direito Bancário

Perguntas frequentes sobre adjudicação

Adjudicação é o mesmo que adjudicação compulsória?

Não, adjudicação não é o mesmo que adjudicação compulsória: a primeira é o gênero, e a segunda é o meio de o comprador obter a propriedade do imóvel quando o vendedor não assina a escritura. A Terceira Turma do STJ exige a quitação integral do preço para esse pedido (REsp 2.207.433/SP, relatora ministra Nancy Andrighi, julgado em 03/06/2025).

O credor pode ficar com o bem por um valor menor que a avaliação?

Não, o credor não pode ficar com o bem por um valor menor que a avaliação, porque o CPC exige preço não inferior a ela (art. 876). Se as tentativas de venda forem frustradas, ele pode pedir nova avaliação antes de adjudicar (art. 878).

O devedor pode impedir a adjudicação?

Sim, o devedor pode impedir a adjudicação se pagar a dívida atualizada, com juros, custas e honorários, antes de o bem ser adjudicado (CPC, art. 826). Ele também pode apontar falhas no procedimento, como falta de penhora ou de intimação.

O que é carta de adjudicação?

Carta de adjudicação é o documento expedido pelo juiz que serve de título para registrar o imóvel em nome de quem o adjudicou. Ela traz a descrição do imóvel, a referência à matrícula, a cópia do auto de adjudicação e a prova de quitação do imposto de transmissão (CPC, art. 877, § 2º).

Paga imposto na adjudicação?

Sim, paga imposto na adjudicação de imóvel, pois a carta de adjudicação deve trazer a prova de quitação do imposto de transmissão (CPC, art. 877, § 2º). Em regra, incide o ITBI, municipal, na execução e na adjudicação compulsória, e o ITCMD, estadual, na herança.

5/5 - (4 votos)

Autor

  • Dr. João Valença

    OAB 43.370 - Advogado especialista em Direito Criminal, especialista em Processo Penal e sócio fundador do VLV Advogados, escritório de advocacia digital com quase 10 anos de experiência em atendimento em todo o Brasil.

    Ver todos os posts
Olá, tudo bem?
Fale conosco no WhatsApp! Rápido e seguro.