Usufruto: o que é e como se aplica?
Entenda o que é usufruto, como funciona esse direito real que permite usar e receber rendimentos de um bem sem ser o dono.
Quando o assunto é patrimônio, muita gente tem dúvidas sobre como proteger um bem sem necessariamente transferir todo o poder sobre ele.
É aí que entra o usufruto, uma ferramenta jurídica muito útil – e que, apesar de parecer complicada, pode ser entendida de forma simples com os exemplos certos.
Usufruto é o direito real sobre coisas alheias, conferindo ao usufrutuário (pessoa para quem foi constituído o usufruto) a capacidade de usar as utilidades e os frutos (rendas) do bem, ainda que não seja o proprietário.
Ou seja, o usufrutuário tem direito à posse, uso, administração e percepção dos frutos, como aluguéis ou rendimentos de investimentos. Já o dono do bem, chamado de nu-proprietário, continua com a titularidade, mas sem poder usá-lo até o fim do usufruto.
Neste artigo, você vai descobrir o que é o usufruto, como ele funciona, quando vale a pena usá-lo e quais são os direitos e deveres de quem está envolvido nesse tipo de relação patrimonial.
E o melhor: tudo explicado de forma prática, com linguagem clara, objetiva e sem juridiquês.
Sabemos que questões jurídicas podem gerar dúvidas, e entender seus direitos é essencial para tomar decisões informadas. Em caso de dúvidas sobre o assunto, entre em contato: clique aqui!
Desse modo, pensando em te ajudar, preparamos este artigo no qual você aprenderá:
- O que é o usufruto?
- Como funciona o usufruto?
- Como funciona o usufruto de pai para filho?
- O que é o usufruto sobre parte de um imóvel?
- Qual a diferença entre usufruto e nua-propriedade?
- Quais são os direitos e obrigações do usufrutuário?
- Quem herda o usufruto?
- Quando o usufruto perde o direito?
- Um recado final para você!
- Autor
O que é o usufruto?
O usufruto, originado do latim usus fructus, é o direito que uma pessoa (usufrutuário) tem de usar e desfrutar de um bem pertencente a outra pessoa (nu-proprietário).
Em termos mais simples, esse direito permite que alguém utilize o bem, viva nele, alugue, colha rendimentos ou usufrua economicamente, mesmo que não seja o proprietário legal.
Esse é um direito real previsto no Código Civil brasileiro (art. 1.390 a 1.411) e pode ser instituído por meio de um contrato, testamento ou diretamente pela lei, como nos casos de pais que têm o usufruto legal dos bens dos filhos menores.
O usufruto é frequentemente utilizado para proteger os interesses de pessoas que dependem do bem, como filhos, cônjuges ou idosos que querem doar um imóvel, mas ainda manter o uso dele até o fim da vida.
O usufruto pode ser temporário, com prazo fixado, ou vitalício, durando até o falecimento do usufrutuário.
Em todos os casos, a pessoa continua com o direito de usar e aproveitar o bem, enquanto a titularidade permanece com outra.
Como funciona o usufruto?
O funcionamento do usufruto envolve a separação entre a posse e os frutos do bem e a propriedade formal dele.
Na prática, isso significa que, mesmo que você não seja o dono oficial do bem, pode exercer sobre ele quase todas as faculdades de quem é proprietário, como usar, morar, alugar, colher rendimentos e administrar, desde que não haja alteração na substância do bem e nem alienação sem consentimento.
O usufruto é um direito real sobre coisa alheia, o que significa que o usufrutuário tem legitimidade para ocupar e administrar o bem. Ele pode inclusive ceder temporariamente esse direito a terceiros, como no caso de um aluguel, desde que o contrato de usufruto não proíba isso.
Enquanto isso, o nu-proprietário continua sendo o dono do bem, mas não pode usá-lo até que o usufruto se encerre.
É importante destacar que, mesmo com o usufruto ativo, o nu-proprietário pode vender a nua-propriedade, desde que respeite a existência do usufruto, que continua válido até o seu fim.
O novo comprador, por exemplo, não poderá expulsar o usufrutuário ou limitar seu direito de uso.
Como funciona o usufruto de pai para filho?
O usufruto de pai para filho funciona geralmente por meio de uma doação com reserva de usufruto vitalício. Isso quer dizer que os pais doam a nua-propriedade do bem aos filhos, mas mantêm o direito de uso e fruição durante toda a vida.
Esse modelo é muito utilizado como uma forma de antecipar a herança, evitando processos de inventário no futuro, mas sem abrir mão da segurança do uso pessoal do bem.
Assim, os filhos se tornam nu-proprietários, e os pais passam a ser usufrutuários com plenos direitos de usar o imóvel, alugar, colher rendimentos, e inclusive impedir a venda do bem sem o seu consentimento.
É importante destacar que, mesmo após a doação, os filhos não podem morar no imóvel, alugá-lo ou vendê-lo sozinhos, pois o usufruto protege o direito dos pais de utilizá-lo até sua morte.
Quando o usufrutuário falece, o filho passa a ter a propriedade plena automaticamente, sem necessidade de novo registro ou procedimento judicial.
Esse tipo de usufruto deve ser formalizado por escritura pública registrada no cartório de imóveis, e é fundamental contar com assessoria jurídica para evitar cláusulas mal redigidas que possam gerar conflito familiar ou insegurança patrimonial.
O que é o usufruto sobre parte de um imóvel?
O usufruto sobre parte de um imóvel é a forma de usufruto que incide apenas sobre uma fração do bem – e não sobre ele por completo.
Isso pode acontecer de duas maneiras: o usufruto pode recair sobre uma parte física determinada, como um andar ou cômodo específico da casa, ou sobre uma fração ideal, como 50% do imóvel, sem delimitação física.
Esse tipo de usufruto é bastante útil em casos de doações parciais, separações de bens ou partilhas judiciais.
Por exemplo: imagine que um pai tem um prédio de dois andares e resolve doar o segundo andar para o filho, mas mantendo o usufruto vitalício do térreo, onde mora.
Neste caso, o pai tem direito de usar o térreo até o fim da vida, e o filho tem a propriedade plena do segundo andar.
Tudo isso pode – e deve – ser formalizado por meio de escritura pública com cláusula clara e registrado no cartório de imóveis. Mesmo sendo parcial, o usufruto tem pleno valor jurídico e precisa ser respeitado por qualquer comprador ou herdeiro futuro.
A orientação de um advogado especializado é essencial nesses casos para garantir que os limites e os direitos fiquem bem definidos.
Qual a diferença entre usufruto e nua-propriedade?
A diferença entre usufruto e nua-propriedade está no tipo de direito que cada um representa.
O usufruto dá o direito de usar, ocupar, administrar e colher os frutos do bem, mas sem ser o proprietário formal.
Já a nua-propriedade é a titularidade do bem, sem o direito de uso ou fruição enquanto o usufruto estiver em vigor.
Esses dois direitos podem existir ao mesmo tempo sobre o mesmo bem, mas em mãos de pessoas diferentes. É o que acontece, por exemplo, quando um pai doa a casa ao filho, mas mantém para si o usufruto vitalício.
O filho é o nu-proprietário (tem o imóvel em seu nome), mas não pode usar, alugar, nem vender sem autorização do pai enquanto este estiver vivo.
A união do usufruto com a nua-propriedade é o que chamamos de plena propriedade – ou seja, quando alguém tem tanto o direito de usar quanto o de dispor do bem.
Isso acontece automaticamente quando o usufruto termina, seja por renúncia, falecimento do usufrutuário ou término do prazo estipulado.
Quais são os direitos e obrigações do usufrutuário?
Os direitos do usufrutuário são amplos e garantem a ele o pleno uso e fruição do bem, como:
- Residir no imóvel, alugar, emprestar, usufruir dos rendimentos financeiros (no caso de aplicações), ou colher frutos da terra (no caso de terrenos agrícolas).
- Administrar o bem, podendo inclusive celebrar contratos com terceiros, desde que não envolvam alienação da propriedade.
- Defender judicialmente o seu direito, caso haja ameaça ou invasão.
Em contrapartida, o usufrutuário também tem obrigações que devem ser respeitadas:
- Manter o bem em bom estado, com as manutenções ordinárias, como pintura, reparos básicos, limpeza, etc.
- Pagar impostos e taxas de uso do bem, como IPTU, condomínio e contas mensais (água, luz, etc.).
- Não mudar a destinação do imóvel, como transformar uma residência em comércio, sem autorização do nu-proprietário.
Se essas obrigações forem descumpridas, o usufruto pode ser revogado por decisão judicial, e o nu-proprietário pode retomar o controle do bem antes do fim do prazo estipulado.
Por isso, a orientação e fiscalização legal adequada evita disputas e prejuízos.
Quem herda o usufruto?
Ninguém herda o usufruto, porque ele é um direito personalíssimo e intransferível. Assim que o usufrutuário falece, o usufruto se extingue automaticamente, conforme previsto no artigo 1.410 do Código Civil.
Mesmo que o usufrutuário tenha deixado herdeiros, filhos ou cônjuge, o direito de usufruto não passa para eles.
O que acontece na prática é que, com a morte do usufrutuário, o nu-proprietário adquire a propriedade plena do bem, sem necessidade de nenhum procedimento judicial – apenas o registro da certidão de óbito no cartório é suficiente para encerrar formalmente o usufruto.
Essa é uma das grandes vantagens do usufruto vitalício em planejamentos patrimoniais: ele dá segurança ao usufrutuário enquanto está vivo, e libera o bem automaticamente aos herdeiros no momento da morte, sem precisar abrir inventário ou fazer novas transferências.
Quando o usufruto perde o direito?
O usufruto perde o direito em diversas situações previstas em lei. A mais comum é a morte do usufrutuário, que automaticamente extingue o usufruto, por ser um direito personalíssimo.
Mas não é só isso. O usufruto também pode acabar por:
- Renúncia: quando o usufrutuário decide abrir mão do direito, geralmente por meio de escritura pública registrada em cartório.
- Prazo estipulado: se o usufruto foi constituído por tempo determinado, ele se encerra no final desse período.
- Consolidação: quando o usufrutuário adquire também a nua-propriedade, reunindo os dois direitos na mesma pessoa.
- Destruição do bem: se o bem perece (por incêndio, enchente, etc.) e não pode mais ser utilizado, o usufruto se extingue.
- Desuso ou abandono comprovado: em decisões recentes, como do STJ, o usufruto pode ser considerado extinto se o bem estiver sem uso por longo tempo, especialmente se prejudicar o nu-proprietário.
- Abuso de direito: se o usufrutuário usa o bem de forma a danificá-lo ou descumprir suas obrigações, a justiça pode declarar o fim do usufruto.
A extinção do usufruto deve sempre ser registrada no Cartório de Imóveis, com os documentos necessários (como certidão de óbito, escritura de renúncia, sentença judicial, etc.).
E para evitar transtornos, a orientação jurídica nessa hora é essencial.
Um recado final para você!
Em caso de dúvidas, procure assistência jurídica especializada.
Sabemos que o tema “usufuto” pode levantar muitas dúvidas e que cada situação é única, demandando uma análise específica de acordo com as circunstâncias de cada caso.
Se você tiver alguma questão ou quiser saber mais sobre o assunto, recomendamos a consulta com um advogado especialista. O suporte jurídico adequado é fundamental para que decisões sejam tomadas de forma consciente e segura.
Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do escritório Valença, Lopes e Vasconcelos Advocacia.
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