Sua insalubridade está certa? Valores e como cobrar

O adicional de insalubridade é um direito importante para quem trabalha exposto a riscos, mas nem sempre ele é pago corretamente. Saber como conferir esse cálculo é essencial!

Imagem representando insalubridade no valor correto.
Como saber se a insalubridade está no valor correto?

Receber o adicional de insalubridade não significa receber o valor certo. Um percentual errado, um salário mínimo desatualizado ou um reflexo esquecido nas férias podem tirar dinheiro do seu bolso todos os meses, sem que você perceba. 

A equipe de Direito do Trabalho do VLV acompanha de perto esse tipo de conferência, com trabalhadores de todo o país. Neste artigo, você vai ver os valores de 2026, como checar o seu contracheque passo a passo, os erros que mais aparecem e o que fazer para cobrar as diferenças.

Conferir o contracheque é o primeiro passo para proteger o seu salário. Se quiser ajuda para revisar o seu: clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

Quanto é a insalubridade em 2026?

A insalubridade em 2026 é de R$ 162,10, R$ 324,20 ou R$ 648,40 por mês, conforme o grau. O cálculo usa o salário mínimo de R$ 1.621 (Decreto nº 12.797/2025), como manda o art. 192 da CLT.

Grau Percentual Valor mensal em 2026
Mínimo 10% R$ 162,10
Médio 20% R$ 324,20
Máximo 40% R$ 648,40

Por que o salário mínimo, e não o seu salário? O STF proibiu usar o mínimo como indexador (Súmula Vinculante 4), mas também impediu que a Justiça trocasse a base por conta própria. 

Enquanto uma lei não definir outra base, vale o mínimo. A exceção é a convenção coletiva, que pode prever base maior, como o piso da categoria. O grau vem do agente e do anexo da NR-15, como mostra a lista de profissões com direito à insalubridade.

Como conferir se o seu valor de insalubridade está certo?

Para conferir se o seu valor de insalubridade está certo, compare o contracheque com o grau do laudo e com o mínimo do ano. Siga esta ordem:

  1. Rubrica: o adicional deve aparecer numa linha própria, com o nome “adicional de insalubridade”.
  2. Percentual: confira se é o mesmo grau do laudo de insalubridade da empresa, que agora deve estar disponível a você.
  3. Base: multiplique o percentual por R$ 1.621 (ou pela base da sua convenção, se for maior).
  4. Reajuste: veja se o valor subiu em janeiro, quando o mínimo mudou.
  5. Reflexos: confira se o adicional entrou nas férias, no 13º e no FGTS.

O último item é o mais esquecido. O adicional integra a remuneração para todos os efeitos (Súmula 139 do TST): entra nas férias com 1/3 (art. 142, §5º, da CLT), no 13º, no FGTS e até na base da hora extra (OJ 47 da SDI-1 do TST). Veja quanto isso representa num ano de 2026:

Parcela no ano Grau médio (20%) Grau máximo (40%)
12 meses de adicional R$ 3.890,40 R$ 7.780,80
Reflexo no 13º R$ 324,20 R$ 648,40
Reflexo no 1/3 de férias R$ 108,07 R$ 216,13
FGTS (8%) R$ 345,81 R$ 691,63
Total aproximado R$ 4.668,48 R$ 9.336,96

Os valores não incluem horas extras, correção nem juros. Para conferir o 13º, use a calculadora de 13º salário.

Os erros que mais aparecem no pagamento

Os erros que mais aparecem no pagamento da insalubridade são o salário mínimo desatualizado, o grau errado e os reflexos esquecidos. Veja como identificar cada um:

Erro Como identificar Quanto você perde por mês
Base de 2025 (R$ 1.518) em 2026 O valor não subiu em janeiro R$ 20,60 (médio) ou R$ 41,20 (máximo)
Grau menor que o devido Recebe 20% numa atividade de grau máximo R$ 324,20
Reflexos ausentes Férias e 13º iguais aos de quem não recebe adicional Varia com as férias e o 13º
Base menor que a da convenção A convenção prevê piso e a empresa usa o mínimo Varia com o piso
Corte sem laudo novo O adicional sumiu sem mudança real no trabalho O valor inteiro

O grau errado é comum na limpeza: quem limpa banheiro de grande circulação tem direito a grau máximo (Súmula 448, II, do TST), mas muitas empresas pagam 20%. Entenda quando a limpeza de banheiro dá grau máximo.

Um caso fictício, inspirado em situações que recebemos com frequência: Sônia, operadora de máquinas, recebia 20% e percebeu que o valor de março era igual ao de dezembro: R$ 303,60. A empresa não tinha aplicado o mínimo de 2026. 

A diferença era pequena por mês, mas somada aos reflexos e aos meses anteriores já justificava pedir a correção.

Segundo o Dr. Victor Cerqueira Lima, advogado trabalhista do VLV: “Guarde os contracheques de dezembro e de janeiro lado a lado. Se o adicional não mudou, o reajuste do mínimo não foi aplicado.” Se o laudo apontar grau menor do que você esperava, veja como contestar a perícia.

O que fazer quando o valor está errado?

Quando o valor está errado, peça a correção por escrito e guarde as provas. Se não resolver, a diferença pode ser cobrada na Justiça. Os passos:

  1. Envie e-mail ou carta ao RH apontando o erro e pedindo a correção e as diferenças.
  2. Peça o laudo de insalubridade, que a empresa deve disponibilizar desde abril de 2026.
  3. Procure o sindicato, que conhece a convenção da sua categoria.
  4. Se a empresa não corrigir, avalie uma reclamação trabalhista para cobrar as diferenças com reflexos, correção e juros.

A dúvida é frequente: segundo ranking do TST, o adicional de insalubridade foi o assunto mais recorrente da Justiça do Trabalho em 2025, com 710.090 processos entre janeiro e novembro (TST, Assuntos mais recorrentes). 

Atenção ao prazo: você cobra os últimos 5 anos e, se já saiu, tem 2 anos para agir (prescrição trabalhista). E pagar o adicional a menos de forma reiterada pode ser falta grave: em julho de 2026, a 2ª Turma do TST reconheceu a rescisão indireta por falta do adicional no RR-0010312-88.2023.5.18.0006.

Insalubridade errada: confira e aja dentro do prazo

Uma diferença de poucos reais por mês vira um valor relevante quando somada aos reflexos e aos anos de contrato, e cada mês parado sai da conta pela prescrição. 

Por isso, cada caso precisa de análise individual, com o laudo, os contracheques e a convenção da categoria. O VLV conta com uma equipe dedicada ao Direito do Trabalho, com atendimento online em todo o Brasil, e explica quando procurar um advogado de insalubridade.

Se você tem dúvidas sobre o valor da sua insalubridade, fale com um advogado. O VLV Advogados atende em todo o Brasil: clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados.

Sobre o autor

Dr. Victor Cerqueira Lima é advogado trabalhista (OAB 57454) e coordenador da equipe de Direito do Trabalho do VLV Advogados. Possui pós-graduação em Direito e Processo do Trabalho e atua na defesa de trabalhadores e empresas em todo o Brasil. 

Direito Civil | Direito de Família | Direito Criminal | Direito Previdenciário | Direito Trabalhista | Direito Bancário

Perguntas frequentes sobre o valor da insalubridade

A empresa paga sobre o salário-base. Pode voltar a pagar sobre o mínimo?

Depende de por que ela paga sobre o salário-base. Se foi por decisão própria ou pelo contrato, a vantagem se incorporou, e voltar ao mínimo é alteração prejudicial, proibida pelo art. 468 da CLT. Se foi por convenção coletiva, o benefício vale enquanto a convenção estiver em vigor, porque ela não continua valendo depois de vencida (art. 614, §3º, da CLT). Veja outras dúvidas sobre adicional de insalubridade e os limites das mudanças no contrato que podem levar à rescisão indireta.

A convenção coletiva pode fixar base maior?

ode. A convenção pode prever base mais favorável, como o salário-base ou o piso da categoria. O tema mais sensível é o grau: o art. 611-A, XII, da CLT permite que a convenção trate do enquadramento, mas o TST está dividido quando isso reduz o grau. A 8ª Turma validou uma cláusula de grau médio (RR-1028-80.2018.5.06.0001, publicado em 24/01/2025), enquanto a 2ª Turma já invalidou cláusula semelhante (RR-377-94.2020.5.12.0006, publicado em 18/08/2023). Confira o grau da sua atividade na lista de profissões e no laudo de insalubridade.

O adicional entra nas férias e no 13º?

Entra. Enquanto é pago, o adicional integra a remuneração (Súmula 139 do TST) e reflete nas férias com 1/3, no 13º, no FGTS, nas horas extras e nas verbas rescisórias. Se as suas férias vieram sem o adicional, há diferença a cobrar. Confira o 13º na calculadora de 13º salário e os depósitos do FGTS.

Recebo há anos e nunca foi corrigido. Dá para cobrar tudo?

Não dá para cobrar tudo, só os últimos 5 anos antes da ação, com reflexos, correção e juros (art. 7º, XXIX, da Constituição). Se você já saiu da empresa, precisa entrar com a ação em até 2 anos. Por isso, agir cedo preserva mais meses. Veja a prescrição trabalhista e como funciona a reclamação trabalhista.

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Autor

  • VICTOR

    Advogado trabalhista e coordenador da equipe de Direito do Trabalho do VLV Advogados, OAB/BA 57.454. Possui pós-graduação em Direito e Processo do Trabalho e atua na defesa de trabalhadores e empresas em todo o Brasil.

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