Propriedade de imóvel rural: guia atualizado (2025)

A propriedade de imóvel rural envolve regras específicas sobre posse, registro e uso da terra. Entenda seus direitos e deveres para evitar problemas jurídicos no futuro.

imagem representando propriedade de imóvel rural

Como garantir a propriedade de imóvel rural?

A propriedade de imóvel rural envolve uma série de regras específicas sobre posse, uso e regularização da terra, que vão muito além da simples compra de um terreno.

Ter um imóvel rural registrado corretamente é o que garante a segurança jurídica sobre a área, evita disputas e permite o acesso a benefícios, como financiamentos agrícolas.

No entanto, muitos proprietários ainda têm dúvidas sobre documentos, impostos, cadastro no Incra e até sobre o que diferencia a posse da propriedade.

Em 2025, com o avanço da digitalização dos registros e das exigências ambientais, é fundamental entender como funciona o processo de aquisição, registro e manutenção.

Este guia explica, de forma clara e prática, tudo o que você precisa saber para regularizar, proteger e valorizar o seu imóvel rural.

Sabemos que questões jurídicas podem gerar dúvidas, e entender seus direitos é essencial para tomar decisões informadas. Em caso de dúvidas sobre o assunto, entre em contato:  clique aqui!

O que é considerado um imóvel rural?

Um imóvel rural é toda propriedade localizada fora do perímetro urbano, destinada principalmente a atividades agrícolas, pecuárias, extrativistas, florestais ou agroindustriais.

O que define um imóvel como rural não é apenas sua localização geográfica, mas, sobretudo, o seu uso econômico e produtivo.

A legislação brasileira, especialmente o Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/1964) e o Decreto nº 55.891/1965, estabelece que o imóvel rural é:

➙ uma área contínua de terras, situada na zona rural do município, destinada à exploração com fins de produção, seja ela de cultivo, criação de animais, extração vegetal, etc.

Esse tipo de imóvel pode ter tamanhos variados e é identificado pelo seu Cadastro de Imóvel Rural (Cafir) e pelo Cadastro Ambiental Rural (CAR).

É importante destacar que um terreno só é considerado rural para fins legais e tributários se estiver devidamente registrado no cartório de imóveis e cadastrado no Incra.

Essa classificação influencia diretamente na cobrança de impostos, como o ITR (Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural), e nas obrigações ambientais e produtivas.

Quais os tipos de imóvel rural que existem?

Os imóveis rurais podem variar bastante em tamanho, finalidade e forma de exploração, e a lei brasileira reconhece diferentes classificações para adequar as obrigações de cada proprietário.

Essa divisão é importante porque define questões como tributação, acesso a crédito agrícola, políticas públicas e até regras ambientais.  Os principais tipos de imóvel rural são:

➙ Pequena propriedade rural

Destinada principalmente à subsistência da família e à pequena produção comercial. Em regra, tem até 4 módulos fiscais e pode se beneficiar de políticas de incentivo.

➙ Média propriedade rural

Possui área superior a 4 e até 15 módulos fiscais. Costuma ter estrutura de produção mais ampla, podendo empregar mão de obra contratada e gerar excedente comercial expressivo.

➙ Grande propriedade rural

É o imóvel com área acima de 15 módulos fiscais, geralmente voltado à produção em larga escala, com uso intensivo de máquinas, tecnologia e empregados.

➙ Minifúndio

É o imóvel rural tão pequeno que não atinge um módulo fiscal, sendo considerado economicamente insuficiente para a subsistência da família que o explora.

➙ Propriedade familiar

É o imóvel rural explorado diretamente pelo produtor e sua família, que utiliza a mão de obra doméstica e depende dessa atividade para o sustento.

A classificação do imóvel rural influencia diretamente os direitos e deveres do proprietário, impactando desde o valor do ITR até a possibilidade de acessar programas de crédito.

O que é necessário para registrar um imóvel rural?

Registrar um imóvel rural é o que garante, de fato, que você seja reconhecido como proprietário perante a lei. 

No caso de imóvel rural, além da parte documental básica, ainda existem exigências específicas, como cadastro no Incra e regularização ambiental.

Para registrar um imóvel rural, você precisa:

Em resumo, registrar um imóvel rural é um processo que reúne documentação da propriedade, regularidade fiscal e cadastros específicos.

Embora pareça burocrático, esse cuidado é o que vai garantir, no papel e na prática, que a terra é sua, evitando surpresas futuras em casos de venda, herança ou conflitos de posse.

Em propriedades com histórico antigo, áreas grandes ou documentos confusos, é muito recomendável contar com apoio jurídico e técnico.

Consigo regularizar um imóvel rural sem escritura?

Sim, é possível regularizar um imóvel rural sem escritura, mas o processo costuma ser mais demorado e depende da origem da posse e da situação documental da área.

A escritura é o documento que formaliza a transmissão da propriedade. Quando ela não existe, o interessado precisa provar que exerce a posse mansa, pacífica e contínua do imóvel.

Essa comprovação pode ser feita por meio de 

A regularização, nesses casos, pode ocorrer de duas formas principais: via escritura pública, se ainda houver possibilidade de formalizar a compra junto ao antigo proprietário.

Ou pela usucapião, que é o meio judicial ou extrajudicial de adquirir a propriedade com base no tempo de posse.

Para imóveis rurais, a usucapião exige que o possuidor utilize a área para moradia e sustento próprio por pelo menos cinco anos ininterruptos, sem ser dono de outro imóvel.

Além disso, será preciso fazer o georreferenciamento da área, apresentar o CCIR, o CAR e comprovar o pagamento do ITR para consolidar a regularização.

Quando que o imóvel rural pode ser isento de ITR?

imagem falando sobre quando o imóvel rural pode ser isento do ITR

Quando o imóvel rural pode ser isento do ITR?

O imóvel rural pode ser isento do pagamento do ITR (Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural) em algumas situações específicas previstas em lei.

A isenção mais comum é concedida às pequenas propriedades rurais, com área de até 4 módulos fiscais, desde que exploradas pela própria família e sem empregados permanentes.

Nesses casos, é preciso comprovar que a renda familiar vem majoritariamente da atividade rural e que o imóvel está sendo usado de forma produtiva.

Também há isenção para imóveis localizados em áreas de preservação permanente, reserva legal ou reserva particular do patrimônio natural (RPPN), pois essas áreas têm restrições.

Outro caso ocorre quando o imóvel rural pertence a assentamentos da reforma agrária, cooperativas ou instituições de ensino e pesquisa voltadas à agricultura.

Para obter o benefício, o proprietário deve manter o Cadastro de Imóvel Rural (Cafir) e o Cadastro Ambiental Rural (CAR) atualizado.

Além disso, deve declarar corretamente essas informações na Declaração do ITR (DITR), enviada anualmente à Receita Federal.

Assim, a isenção não é automática: ela depende de comprovação e atualização cadastral, e serve para estimular o uso sustentável da terra e proteger pequenos produtores.

Como saber quem é proprietário de um imóvel rural?

Para saber quem é o proprietário de um imóvel rural, o caminho mais seguro é consultar o Cartório de Registro de Imóveis da região onde o terreno está localizado.

É no cartório que ficam registrados todos os atos oficiais que comprovam a propriedade, como escrituras, matrículas e averbações.

Cada imóvel rural possui uma matrícula única, que funciona como o “RG” da propriedade e contém informações completas e, principalmente, o nome do proprietário atual.

A consulta pode ser feita presencialmente ou, em muitos estados, de forma online, por meio da Central Registradores de Imóveis ou do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (SREI).

Outra forma de verificar a titularidade é solicitar o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) junto ao Incra, documento que traz o nome do responsável cadastrado.

Também é possível cruzar dados com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e com as declarações de ITR (Imposto Territorial Rural), que podem indicar quem declara o imóvel à Receita Federal.

Caso o imóvel ainda não tenha matrícula, o que é comum em áreas antigas ou não regularizadas, será necessário fazer um levantamento fundiário.

O que fazer se houver disputa sobre um imóvel rural?

Quando existe uma disputa sobre um imóvel rural, o primeiro passo é identificar qual é o tipo de conflito: se envolve posse ou propriedade.

Se o conflito for de posse, ou seja, quando alguém alega estar sendo ameaçado, expulso ou impedido de usar a terra que ocupa, podem ser usadas ações como

Já se o conflito for de propriedade, quando duas ou mais pessoas afirmam ser donas da mesma área, a solução passa

Em qualquer hipótese, é fundamental reunir documentos que comprovem o direito alegado.

Em situações de conflito mais graves, com ameaças ou ocupações, é possível pedir medidas liminares urgentes ao juiz para proteger o direito até o fim do processo.

Como disputas de terra costumam envolver questões antigas e complexas, o ideal é contar com um advogado especializado em direito agrário ou imobiliário.

Um recado final para você!

imagem representando advogado

Em caso de dúvidas, procure assistência jurídica especializada.

Sabemos que o tema pode levantar muitas dúvidas e que cada situação é única, demandando uma análise específica de acordo com as circunstâncias de cada caso.

Se você tiver alguma questão ou quiser saber mais sobre o assunto, recomendamos a consulta com um advogado especialista.

O suporte jurídico adequado é fundamental para que decisões sejam tomadas de forma consciente e segura.

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do escritório Valença, Lopes e Vasconcelos Advocacia

Direito Civil | Direito de Família | Direito Criminal | Direito Previdenciário | Direito Trabalhista | Direito Bancário

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Autor

  • joao valenca

    •Advogado (43370 OAB) especialista em diversas áreas do Direito e Co-fundador do escritório VLV Advogados, empresa referência há mais de 10 anos no atendimento humanizado e mais de 5 mil cidades atendidas em todo o Brasil.

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