Como tirar a guarda compartilhada quando o pai é ausente?

Quando a rotina pesa só para um lado, tirar a guarda compartilhada quando o pai é ausente pode ser a solução para garantir decisões rápidas e seguras para a criança.

Imagem representando guarda compartilhada .

Como tirar a guarda compartilhada quando o pai é ausente?

Quando a guarda compartilhada existe apenas no papel e um dos pais não participa da rotina, das decisões e dos cuidados do filho, surgem dúvidas legítimas sobre como proteger a criança e organizar a vida familiar.

Este artigo explica como tirar a guarda compartilhada quando o pai é ausente, quais são os critérios legais e quais caminhos a Justiça utiliza para avaliar cada caso.

O conteúdo foi pensado para orientar você, com base na lei e na prática dos tribunais, sem promessas e com foco no melhor interesse da criança. Siga a leitura para entender os passos, as provas e os cuidados necessários antes de agir.

Sabemos que questões jurídicas podem gerar dúvidas, e entender seus direitos é essencial para tomar decisões informadas. Em caso de dúvidas sobre o assunto, entre em contato: clique aqui!

Quando é possível pedir para tirar a guarda compartilhada do pai ausente?

É possível pedir para tirar a guarda compartilhada quando a ausência do pai se torna permanente e prejudica o bem-estar da criança.

A guarda compartilhada parte do pressuposto de que ambos os pais participam ativamente das decisões e da rotina dos filhos. Quando isso não acontece na prática, o modelo deixa de cumprir sua função.

Você pode buscar a modificação da guarda quando fica claro que o pai não exerce o poder familiar de forma efetiva, mesmo tendo esse dever legal.

Um exemplo comum é quando o pai não acompanha consultas médicas, não participa de decisões escolares, não responde comunicações importantes ou simplesmente desaparece da rotina do filho. Nesses casos, a guarda compartilhada passa a existir apenas “no papel”.

A Justiça entende que a guarda não é um direito dos pais, mas uma medida de proteção à criança.

Por isso, sempre que o modelo adotado deixa de atender ao princípio do melhor interesse do menor, reconhecido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e pela jurisprudência, é possível pedir sua revisão.

Não é necessário esperar anos para agir. Quanto antes a situação for levada ao Judiciário, menores são os riscos de instabilidade emocional, conflitos e decisões desorganizadas na vida da criança.

Quais situações comprovam que a guarda compartilhada não funciona?

A guarda compartilhada não funciona quando a ausência do pai impede decisões conjuntas e sobrecarrega apenas um dos genitores. O Judiciário analisa fatos concretos, e não apenas alegações genéricas de afastamento.

Algumas situações recorrentes ajudam a demonstrar essa falha prática:

▸Falta de participação nas decisões importantes, como escolha de escola, tratamentos de saúde ou mudanças relevantes na rotina

▸Inexistência de convivência regular, com longos períodos sem visitas ou contato

▸Descumprimento frequente de acordos ou decisões judiciais, especialmente sobre convivência

▸Desinteresse comprovado, como ausência total de respostas, bloqueios ou abandono emocional

Imagine, por exemplo, um pai que consta como guardião compartilhado, mas não comparece a nenhuma reunião escolar, não autoriza procedimentos médicos quando necessário e deixa todas as decisões urgentes nas mãos do outro genitor. Isso gera insegurança e pode atrasar decisões essenciais para a criança.

Os tribunais têm entendido que a guarda compartilhada exige cooperação mínima e comunicação funcional. Quando isso inexiste, a manutenção do modelo pode causar mais prejuízos do que benefícios, justificando a revisão judicial.

Como dar entrada no pedido para retirar a guarda compartilhada?

Você deve dar entrada no pedido por meio de uma ação judicial de modificação de guarda, proposta na Vara de Família. Esse é o único caminho legal para alterar a guarda estabelecida anteriormente, seja por acordo ou decisão judicial.

O pedido precisa demonstrar que houve mudança relevante na realidade familiar, conforme exige o entendimento consolidado dos tribunais. Não basta afirmar que o pai é ausente; é necessário explicar como essa ausência impacta a vida da criança.

De forma prática, o processo costuma seguir esta lógica:

▸exposição clara dos fatos que mostram a ausência do pai

▸demonstração de que a guarda compartilhada se tornou inviável

▸indicação de que a guarda unilateral ou outro ajuste atende melhor ao interesse do menor

Durante o processo, o juiz pode determinar estudo psicossocial, ouvir o Ministério Público e, dependendo da idade, até considerar a escuta da criança, sempre com cautela.

Isso reforça que a decisão não é automática, mas construída com base em provas e análise técnica.

Você deve dar entrada no pedido por meio de uma ação judicial de modificação de guarda, proposta na Vara de Família

Como dar entrada no pedido para retirar a guarda compartilhada?

Que provas ajudam a tirar a guarda compartilhada do pai ausente?

As provas são essenciais para demonstrar que a ausência do pai é real, contínua e prejudicial à criança. Sem elementos concretos, o juiz dificilmente altera a guarda.

Entre as provas mais utilizadas estão:

Conversas e mensagens que mostrem tentativas de contato sem resposta

Testemunhas, como familiares, professores ou profissionais de saúde

Documentos escolares ou médicos que indiquem ausência do pai em decisões importantes

Histórico de descumprimento de acordos ou decisões judiciais

Um exemplo prático: se você precisou decidir sozinho sobre uma cirurgia, matrícula escolar ou tratamento psicológico porque o pai não respondeu ou se recusou a participar, esses fatos podem e devem ser documentados.

O Judiciário valoriza provas organizadas, coerentes e contínuas ao longo do tempo. Quanto mais consistente for o conjunto probatório, maior a chance de o juiz compreender que a guarda compartilhada não funciona na prática.

Por isso, a orientação jurídica adequada faz diferença desde o início, evitando a perda de provas importantes ou o uso de elementos irrelevantes.

O juiz sempre transforma a guarda compartilhada em guarda unilateral?

Não, o juiz não é obrigado a transformar automaticamente a guarda compartilhada em guarda unilateral. A decisão depende da análise do caso concreto e do impacto real da ausência do pai na vida da criança.

Em alguns casos, o magistrado pode optar por:

▸manter a guarda compartilhada, mas ajustar regras de convivência

▸fixar residência principal com apenas um genitor

▸determinar medidas intermediárias, antes de uma mudança definitiva

▸converter a guarda em unilateral, se ficar comprovado que essa é a melhor solução

A guarda unilateral não exclui automaticamente o direito de convivência do pai, mas concentra as decisões no genitor que efetivamente cuida da criança.

A Justiça evita mudanças bruscas sem necessidade. Por isso, a qualidade das provas e a clareza dos fatos apresentados são determinantes para o resultado do processo.

Precisa de advogado para tirar a guarda compartilhada?

Sim, você precisa de advogado para pedir a retirada da guarda compartilhada. A modificação de guarda é uma ação judicial complexa, que envolve direito de família, proteção da criança e atuação obrigatória do Ministério Público.

O advogado é fundamental para: enquadrar corretamente o pedido na legislação, organizar e apresentar as provas de forma estratégica, evitar pedidos mal formulados que atrasam o processo e acompanhar perícias, audiências e manifestações técnicas

Além disso, agir sem orientação pode gerar riscos, como pedidos indeferidos, demora excessiva ou até decisões que mantenham a guarda compartilhada por falta de elementos adequados.

Buscar orientação especializada não significa conflito, mas sim proteção jurídica. Em muitos casos, a atuação correta desde o início evita desgastes maiores e traz mais segurança para a criança e para quem cuida dela diariamente.

Um recado final para você!

Imagem representando um advogado para guarda compartilhada.

Em caso de dúvidas, procure assistência jurídica!

Sabemos que o tema pode levantar muitas dúvidas e que cada situação é única, demandando uma análise específica de acordo com as circunstâncias de cada caso.

Se você tiver alguma questão ou quiser saber mais sobre o assunto, recomendamos a consulta com um advogado especialista.

O suporte jurídico adequado é fundamental para que decisões sejam tomadas de forma consciente e segura. Clique aqui!

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do escritório Valença, Lopes e Vasconcelos Advocacia

Direito Civil | Direito de Família | Direito Criminal | Direito Previdenciário | Direito Trabalhista | Direito Bancário

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Autor

  • joao valenca

    •Advogado (43370 OAB) especialista em diversas áreas do Direito e Co-fundador do escritório VLV Advogados, empresa referência há mais de 10 anos no atendimento humanizado e mais de 5 mil cidades atendidas em todo o Brasil.

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