Família não precisará abrir mão do Bolsa Família para pedir o BPC

Uma nova medida traz mais segurança para quem recebe o Bolsa Família e pede o BPC. Agora, o pagamento poderá continuar enquanto o INSS analisa o benefício assistencial!

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Família não precisará abrir mão do Bolsa Família para pedir o BPC

Um acordo extrajudicial firmado pela Advocacia-Geral da União (AGU) e pela Defensoria Pública da União (DPU), com participação do INSS e do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, criou uma nova proteção para beneficiários do Bolsa Família que solicitam o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Anunciado em 18 de junho de 2026, o acordo garante que a família continue recebendo o Bolsa Família enquanto aguarda a decisão sobre o pedido de BPC. O pagamento só poderá ser encerrado após a efetiva concessão do benefício assistencial, evitando que a família fique sem renda durante a análise do INSS.

A mudança busca impedir interrupções indevidas de renda durante o procedimento administrativo. Neste artigo, você entenderá como o novo fluxo funciona, quais critérios continuam sendo analisados e o que fazer diante de uma suspensão antecipada.

O que mudou para quem recebe Bolsa Família e pede o BPC? 

Com a nova regra, a família pode informar que pretende sair do Bolsa Família somente se o BPC for aprovado. Isso significa que o Bolsa Família não será cancelado no momento em que o pedido do BPC for feito.

Enquanto o INSS analisa o pedido, o pagamento do Bolsa Família continua normalmente. A saída do programa só será realizada depois que o BPC for realmente concedido. Assim, a família não precisa abrir mão de uma renda que já recebe antes de saber se terá direito ao novo benefício.

Por que o desligamento antecipado deixava famílias desprotegidas? 

O procedimento anterior gerava insegurança porque a análise do BPC nem sempre é concluída rapidamente. O INSS pode solicitar documentos, realizar avaliação social e, nos pedidos apresentados por pessoas com deficiência, exigir perícia médica.

Os advogados do VLV Advogados afirmam: “A interrupção do pagamento comprometia recursos destinados a despesas essenciais, como alimentação, medicamentos, energia elétrica e transporte. Para famílias sem reserva financeira, mesmo um curto período sem o benefício poderia gerar sérias dificuldades.” 

Quando é possível receber o BPC e o Bolsa Família juntos?

A legislação permite que uma família receba o BPC e o Bolsa Família ao mesmo tempo, desde que continue cumprindo os critérios de renda dos dois benefícios.

Na análise do BPC, o valor recebido pelo Bolsa Família entra no cálculo da renda familiar por pessoa. Em regra, essa renda deve ser igual ou inferior a um quarto do salário mínimo, além do cumprimento dos demais requisitos legais.

Para fazer o cálculo, é preciso somar os rendimentos considerados de todos os integrantes do grupo familiar e dividir o total pelo número de pessoas. Alguns valores podem ser excluídos, como outro BPC recebido por integrante da família e determinados benefícios previdenciários de até um salário mínimo. O Bolsa Família, porém, deve ser considerado.

Assim, a acumulação é possível quando, mesmo com o Bolsa Família incluído no cálculo, a renda por pessoa permanece dentro do limite exigido. Para fazer uma estimativa, acesse a calculadora de renda per capita familiar do VLV Advogados.

O resultado é apenas uma orientação inicial, pois a decisão depende da composição familiar reconhecida pelo INSS, das informações do Cadastro Único e da análise individual do pedido.

Então por que algumas famílias precisavam pedir o desligamento?

O problema ocorria nos casos em que o valor do Bolsa Família, ao entrar no cálculo da renda, poderia fazer o pedido de BPC ultrapassar o limite de um quarto do salário mínimo. Para tentar obter o BPC, algumas famílias eram levadas a apresentar um pedido de desligamento voluntário do Bolsa Família antes de saber se o BPC seria aprovado.

Isso criava uma situação injusta: a família deixava de receber um benefício certo para tentar obter outro ainda incerto. Se o BPC fosse negado, poderia ficar sem os dois.

O acordo permite que essa manifestação de saída seja condicionada à aprovação do BPC. Assim, durante a análise, o Bolsa Família continua sendo pago. O desligamento somente será realizado se o BPC for efetivamente concedido e se, pelas regras de renda, não for possível manter os dois.

O acordo garante que o BPC LOAS será aprovado? 

Não. O acordo não garante a aprovação do BPC e não altera os requisitos exigidos para a concessão do benefício.

O INSS continuará analisando se o solicitante é uma pessoa com deficiência ou tem 65 anos ou mais, se a família está em situação de baixa renda e se os demais critérios legais foram cumpridos. A pessoa também poderá passar por avaliação social e perícia médica.

Quais são os requisitos para receber o BPC?

Para ter direito ao Benefício de Prestação Continuada, o solicitante deve cumprir os critérios legais analisados pelo INSS.

1

Idade ou deficiência

Ter 65 anos ou mais ou ser uma pessoa com deficiência de qualquer idade.

2

Baixa renda familiar

A renda mensal por pessoa da família deve atender ao limite previsto para a concessão do BPC.

3

Avaliação do INSS

A pessoa com deficiência poderá passar por avaliação social e perícia médica.

4

Cadastro Único atualizado

A família deve estar inscrita no CadÚnico e manter os dados atualizados.

5

CPF e registro biométrico

O solicitante e os integrantes da família devem possuir CPF, além do registro biométrico exigido.

6

Residência no Brasil

O requerente deve residir no país e cumprir os demais critérios legais aplicáveis.

Importante: não é necessário ter contribuído para o INSS, pois o BPC é um benefício assistencial e não uma aposentadoria.

O que acontece com os valores atrasados do BPC?

Se o BPC for aprovado, o beneficiário terá direito aos valores atrasados desde a data do pedido. No entanto, os pagamentos do Bolsa Família recebidos durante a análise poderão ser descontados automaticamente desse total.

Após o desconto, a diferença restante deverá ser paga em até dez meses depois da aprovação do BPC. Assim, a família mantém uma fonte de renda durante a espera, mas não recebe integralmente os dois benefícios referentes ao mesmo período.

O que fazer se o Bolsa Família for interrompido antes da decisão?

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O que fazer se o Bolsa Família for interrompido antes da decisão?

A família deve verificar o motivo no aplicativo, manter o Cadastro Único atualizado e procurar o CRAS ou a gestão municipal do Bolsa Família.

Se o pagamento não for restabelecido, é importante guardar protocolos e comprovantes e procurar um advogado especialista em Direito Previdenciário para analisar o caso. Clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados

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