Progressão de regime de pena: como funciona?
A progressão de regime é o direito do preso de cumprir a pena em condições mais brandas depois de preencher certos requisitos legais.
A progressão de regime de pena é o mecanismo que permite ao condenado passar de um regime mais severo para outro mais brando.
Para ter esse direito, ele precisa cumprir parte da pena e demonstrar bom comportamento.
Na prática, significa que alguém que começou no regime fechado pode avançar para o semiaberto e, depois, para o aberto.
É claro, desde que atenda aos requisitos previstos em lei, como tempo mínimo de cumprimento e avaliação de conduta dentro do presídio.
Esse benefício existe porque a pena não deve servir apenas para punir, mas também para estimular a ressocialização, dando ao preso a chance de retomar a vida em sociedade.
Muitas pessoas têm dúvidas sobre quem pode solicitar a progressão de regime, quanto tempo é necessário cumprir e como funciona em crimes mais graves.
Aqui, entenda tudo isso com facilidade e saiba quais são os direitos envolvidos nesse processo.
Sabemos que questões jurídicas podem gerar dúvidas, e entender seus direitos é essencial para tomar decisões informadas. Em caso de dúvidas sobre o assunto, entre em contato: clique aqui!
Desse modo, pensando em te ajudar, preparamos este artigo no qual você aprenderá:
- O que é a progressão de regime de pena?
- Como funciona a progressão de regime de pena?
- Quanto tempo demora uma progressão de regime?
- Quais os requisitos para ter direito à progressão de regime?
- Como funciona a progressão de regime nos crimes hediondos?
- Qual o papel do advogado no pedido de progressão de regime?
- Um recado final para você!
- Autor
O que é a progressão de regime de pena?
A progressão de regime de pena é um benefício previsto na Lei de Execução Penal que permite ao condenado cumprir a pena de forma gradativa.
Assim, o preso passa de um regime mais rigoroso para outro mais brando conforme preenche certos requisitos.
Em outras palavras, quem inicia a pena em regime fechado pode ser transferido para o semiaberto e, posteriormente, para o aberto.
O objetivo desse mecanismo é estimular a ressocialização, oferecendo ao preso uma reintegração progressiva à sociedade.
Os critérios variam de acordo com o tipo de crime cometido e a reincidência do condenado.
Além do tempo, é indispensável comprovar bom comportamento carcerário, atestado pela direção do presídio.
A decisão final cabe ao juiz da execução penal, que pode analisar também relatórios ou pareceres técnicos.
O que diz o artigo 112 da LEP?
O artigo 112 da Lei de Execução Penal (LEP) estabelece justamente o funcionamento da progressão de regime.
Art. 112. A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, […]
Ou seja, estabelece a passagem do preso para um regime menos rigoroso. A redação diz que o preso deve cumprir uma fração de pena e ter bom comportamento.
Como funciona a progressão de regime de pena?
Na prática, a progressão de regime de pena acontece de forma gradual.
Ela permite que o condenado avance para um regime menos severo à medida que cumpre parte da pena e apresenta boa conduta no sistema prisional.
Isso significa que quem começou no regime fechado pode, após decisão judicial, ser transferido para o semiaberto, onde já passa a ter um pouco mais de liberdade.
Por exemplo, já vai poder trabalhar ou estudar fora durante o dia e retornar para dormir na unidade prisional.
Depois, é possível passar para o regime aberto, no qual o condenado pode viver em casa e cumprir regras como trabalhar, estudar e se apresentar periodicamente à Justiça.
O procedimento normalmente se inicia com o pedido da defesa, da Defensoria Pública ou até mesmo de ofício pelo juiz da execução.
Regime Fechado Cumprimento em presídio |
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Regime Semiaberto Trabalho externo e estudos |
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Regime Aberto Cumprimento em casa com regras |
O juiz vai analisar os documentos apresentados pela direção do presídio, como atestados de conduta e relatórios sobre a adaptação do preso.
O Ministério Público também é ouvido antes da decisão final.
Ao autorizar, o juiz expede a decisão autorizando, que é então comunicada à unidade prisional para que o condenado seja transferido ou passe a cumprir as condições do novo regime.
Quanto tempo demora uma progressão de regime?
O tempo para que uma progressão de regime seja concedida varia bastante, pois depende de fatores legais e também práticos do processo.
Do ponto de vista jurídico, o preso pode solicitar a progressão assim que cumpre a fração mínima da pena prevista em lei, que muda conforme o tipo de crime.
Por exemplo, em crimes comuns para réus primários o tempo é de 1/6 da pena, enquanto em crimes hediondos pode chegar a 2/5 ou 3/5.
Vamos dar um exemplo para ficar mais claro!
Imagine que um réu foi condenado a 6 anos de prisão por um crime comum (não hediondo) e não tem antecedentes.
A lei exige o cumprimento de 1/6 da pena para pedir a progressão. Cálculo: 6 anos = 72 meses → 72 ÷ 6 = 12 meses.
Ou seja, após 1 ano de prisão, o réu já pode solicitar a progressão do regime fechado para o semiaberto, desde que tenha bom comportamento.
Na prática, entretanto, a análise não é imediata.
O juiz precisa receber relatórios da administração prisional, como atestado de bom comportamento, e ouvir o Ministério Público antes de decidir.
Portanto, o tempo não é fixo: depende tanto do cumprimento da fração mínima exigida quanto da agilidade do sistema de justiça e da defesa.
Quais os requisitos para ter direito à progressão de regime?
Os requisitos para a progressão de regime de pena estão previstos principalmente na Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/1984) e no Código Penal.
Para que o condenado tenha direito ao benefício, é necessário cumprir algumas condições:
1. Cumprimento do tempo mínimo de pena
A lei estabelece frações da pena que precisam ser cumpridas antes de pedir a progressão:
- 1/6 da pena para crimes comuns de réu primário.
- 1/4 da pena para crimes comuns de réu reincidente.
- 2/5 da pena para crimes hediondos de réu primário.
- 3/5 da pena para crimes hediondos de réu reincidente.
Em casos de crimes hediondos praticados com resultado morte, se o réu for reincidente específico, a progressão pode ser ainda mais restrita.
2. Bom comportamento carcerário
O preso precisa demonstrar disciplina e respeito às regras da unidade prisional, atestado formalmente pela direção do presídio.
O histórico de conduta é analisado para comprovar que o condenado está apto a assumir maior responsabilidade em regime mais brando.
3. Exame criminológico, quando adequado
Embora não seja exigido em todos os casos, o juiz pode solicitar um exame criminológico, para avaliar a personalidade, o comportamento e o grau de ressocialização do preso.
Esse requisito é mais comum em situações de crimes graves ou quando há dúvidas sobre a adaptação do condenado.
4. Decisão do juiz da execução penal
Mesmo que o condenado cumpra o tempo e apresente bom comportamento, a progressão só é concedida mediante decisão judicial.
Como funciona a progressão de regime nos crimes hediondos?
Nos crimes hediondos e equiparados (como tráfico de drogas, homicídio qualificado, estupro, latrocínio, entre outros), a progressão de regime segue regras mais rígidas.
A lei que trata desses delitos foi alterada pela Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime) e estabeleceu percentuais específicos de cumprimento da pena.
Para o réu primário, é necessário cumprir 2/5 da pena.
Já no caso de reincidentes, a fração aumenta para 3/5, o que representa um tempo maior de permanência em regime mais severo antes de ter direito a condições mais brandas.
Em crimes hediondos com resultado morte, como homicídio qualificado, a regra é ainda mais restritiva: se o condenado for reincidente específico, a progressão pode ser vedada.
Além do cumprimento do tempo mínimo, o condenado precisa comprovar bom comportamento carcerário, avaliado pela direção do presídio.
Também deve estar sujeito à análise do juiz da execução penal, que decidirá sobre a concessão após ouvir o Ministério Público.
Assim, a progressão de regime nos crimes hediondos exige mais tempo de pena cumprida e um rigor maior na avaliação do preso.
Qual o papel do advogado no pedido de progressão de regime?
O advogado tem papel central no pedido de progressão de regime, pois é ele quem conduz todo o procedimento jurídico.
Na prática, cabe ao advogado
- analisar o processo de execução penal,
- verificar se o preso já cumpriu a fração mínima da pena
- reunir os documentos necessários
- preparar o pedido formal
O advogado apresenta ao juiz da execução penal os fundamentos legais e jurisprudenciais que demonstram o direito do condenado à progressão.
Também acompanha o andamento do processo, responde a manifestações do Ministério Público e pode contestar eventual parecer contrário.
Em situações mais complexas, o advogado pode ainda requerer a realização ou dispensa de exame criminológico, quando esse for um ponto questionado pelo juiz.
Um recado final para você!
Sabemos que o tema pode levantar muitas dúvidas e que cada situação é única, demandando uma análise específica de acordo com as circunstâncias de cada caso.
Se você tiver alguma questão ou quiser saber mais sobre o assunto, recomendamos a consulta com um advogado especialista.
O suporte jurídico adequado é fundamental para que decisões sejam tomadas de forma consciente e segura.
Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do escritório Valença, Lopes e Vasconcelos Advocacia.
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