Retratação do agente: o que faz na ação penal?

A retratação do agente pode influenciar a ação penal. Entenda como funciona e quais efeitos pode ter no processo.

Imagem representando retratação do agente.

O que a retratação do agente faz na ação penal?

A retratação do agente é um instituto do processo penal que permite ao autor do fato corrigir uma declaração falsa ou ofensiva, dentro do próprio processo, em situações previstas pela lei.

Muitas pessoas só descobrem essa possibilidade quando já estão respondendo a uma ação penal e se perguntam se “voltar atrás” pode evitar consequências mais graves.

Neste artigo, você encontra uma explicação pensada para quem busca orientação prática sobre o tema, entendendo quando a retratação é possível, quais efeitos produz e quais cuidados são necessários.

Continue a leitura para compreender como isso funciona na ação penal e quando ela pode realmente fazer diferença.

Sabemos que questões jurídicas podem gerar dúvidas, e entender seus direitos é essencial para tomar decisões informadas. Em caso de dúvidas sobre o assunto, entre em contato: clique aqui!

O que significa a retratação do agente na ação penal?

A retratação do agente significa que você retira formalmente algo que disse ou fez e que deu origem ao processo. Não é apenas um pedido de desculpas.

É um ato jurídico realizado dentro do processo, com registro nos autos, para corrigir uma informação falsa ou ofensiva.

Quando a retratação é válida, ela pode levar à extinção da punibilidade, ou seja, o Estado deixa de aplicar a pena. Esse mecanismo está ligado ao artigo 107 do Código Penal, que trata das situações em que a punição pode ser afastada.

Exemplo: você acusou alguém injustamente de cometer um crime, e isso gerou um processo por calúnia. Se você comparece ao processo e admite que mentiu, retirando a acusação, essa retratação pode ter efeito jurídico.

Mas atenção: a retratação só funciona assim quando a lei permite. Fora dessas hipóteses, ela pode até ser vista como atitude positiva, mas não impede automaticamente o andamento do processo.

Para você, isso significa que agir sem orientação pode gerar frustração. A retratação precisa seguir forma, tempo e finalidade corretos para produzir resultados.

Em quais casos o agente pode se retratar?

Você pode se retratar apenas nas situações em que a lei autoriza. A retratação é uma medida excepcional, prevista em hipóteses específicas, justamente para evitar abusos.

Os principais casos são:

Crimes contra a honra: calúnia e difamação, conforme o art. 143 do Código Penal.

Falso testemunho e falsa perícia: conforme o art. 342, § 2º do Código Penal.

Nessas situações, a retratação deve ocorrer antes da sentença de primeiro grau. Se você deixa passar esse momento, o direito se perde.

Imagine o seguinte: você deu um depoimento falso em juízo. Antes da sentença, percebe as consequências e decide corrigir. Se você comparece e esclarece a verdade, a lei possibilita a extinção da punibilidade.

Outra situação comum: ofensa publicada em rede social. A Justiça pode exigir que a retratação seja feita no mesmo meio, para alcançar o mesmo público.

Em qualquer outro crime, como lesão corporal, furto, ameaça ou estelionato, a retratação não tem esse efeito automático. Ela pode até ser analisada como comportamento favorável, mas não encerra o processo.

Por isso, é importante avaliar o caso concreto. Muitas pessoas acreditam que “voltar atrás” resolve tudo, mas, sem análise técnica, pode ser tarde demais.

A retratação do agente pode reduzir a pena?

A retratação, de forma geral, não serve para reduzir pena. Quando a lei prevê seus efeitos, o objetivo é diferente: impedir que a punição seja aplicada.

Portanto, nos casos autorizados pela legislação:a retratação extingue a punibilidade e o processo deixa de avançar quanto ao fato retratado.

Mas existem situações em que a retratação não gera esse efeito automático. Ainda assim, ela pode influenciar a decisão do juiz.

Nesses casos, a retratação pode ser considerada:

▸como elemento positivo na análise da culpabilidade,

▸como demonstração de arrependimento,

▸como indicativo de colaboração com o processo.

Essa avaliação acontece nos termos do artigo 59 do Código Penal, que orienta o juiz na fixação da pena.

Por exemplo, você pede desculpas publicamente, repara o dano e colabora com a Justiça. Isso não extingue o processo, mas pode pesar a seu favor na dosimetria.

Mesmo assim, cada caso exige estratégia. Em algumas situações, uma retratação mal conduzida pode produzir autoincriminação. Por isso, agir sozinho é arriscado.

Como a Justiça avalia a retratação do agente?

A Justiça avalia a retratação de maneira técnica e com base nos critérios legais. O juiz não analisa apenas a boa vontade. Ele verifica se a retratação cumpre todos os requisitos.

Em geral, o Judiciário examina:

▸se a lei prevê retratação naquele tipo de crime;

▸se o ato ocorreu antes da sentença;

▸se foi claro, completo e espontâneo;

▸se houve real correção do dano causado;

▸se não se trata apenas de tentativa de evitar punição.

A retratação parcial, vaga ou contraditória costuma ser rejeitada.

A Justiça avalia a retratação de maneira técnica e com base nos critérios legais. O juiz não analisa apenas a boa vontade.

Como a Justiça avalia a retratação do agente?

Para ilustrar: imagine alguém que mentiu em depoimento e, depois, afirma “talvez eu tenha me confundido”. Isso não é retratação. O Judiciário exige clareza e firmeza, justamente para garantir segurança jurídica.

Além disso, tribunais superiores já consolidaram entendimento de que a sentença que concede perdão judicial ou reconhece extinção por retratação tem natureza declaratória, reforçando que o processo segue critérios objetivos.

Por isso, a forma como você apresenta a retratação é decisiva. Um erro de redação, de tempo ou de conteúdo pode inviabilizar o benefício.

Quais efeitos a retratação tem sobre a acusação?

Os efeitos da retratação variam. Em alguns casos, ela encerra a punição. Em outros, apenas influencia o julgamento.

Nos crimes que admitem retratação, os principais efeitos são:

▸extinção da punibilidade, nos termos do art. 107 do Código Penal;
▸encerramento do processo quanto ao fato retratado;
▸afastamento de consequências penais futuras.

Mas em situações fora dessas hipóteses, a retratação pode produzir efeitos mais limitados.

Ela pode: demonstrar respeito ao processo; reduzir impactos na pena; ajudar na reparação moral e social do dano.

Importante: a retratação não apaga o fato histórico. O que muda é o tratamento jurídico.

Em muitos processos, agir cedo evita agravamentos, como condenações desnecessárias, multas e antecedentes criminais.

É necessário advogado para realizar a retratação do agente?

A lei não obriga que a retratação seja feita exclusivamente por advogado. Porém, na prática, a atuação profissional é fortemente recomendada.

A retratação mexe com direitos sensíveis e pode ter resultados definitivos. Uma palavra mal colocada pode se transformar em confissão. Um prazo perdido pode inviabilizar o benefício.

Com apoio jurídico, você entende: se a retratação é permitida naquele crime; qual é o melhor momento para agir; como formular o pedido nos autos e quais riscos existem em cada estratégia.

Um advogado criminalista acompanha o processo, analisa os documentos e orienta sobre as consequências, sempre com base na lei e na jurisprudência. Isso reduz incertezas e evita decisões precipitadas.

Muitas vezes, a oportunidade de retratar-se existe por tempo limitado. Depois da sentença, ela pode perder totalmente o efeito. Agir rápido faz diferença e pode evitar desgastes maiores.

Se a situação envolve seu nome, sua liberdade ou sua reputação, agir com rapidez e com apoio técnico é sempre o caminho mais seguro.

Um recado final para você!

Imagem representando um advogado criminalista.

Em caso de dúvidas, procure assistência jurídica!

Sabemos que o tema pode levantar muitas dúvidas e que cada situação é única, demandando uma análise específica de acordo com as circunstâncias de cada caso.

Se você tiver alguma questão ou quiser saber mais sobre o assunto, recomendamos a consulta com um advogado especialista.

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Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do escritório Valença, Lopes e Vasconcelos Advocacia

Direito Civil | Direito de Família | Direito Criminal | Direito Previdenciário | Direito Trabalhista | Direito Bancário

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Autor

  • joao valenca

    •Advogado (43370 OAB) especialista em diversas áreas do Direito e Co-fundador do escritório VLV Advogados, empresa referência há mais de 10 anos no atendimento humanizado e mais de 5 mil cidades atendidas em todo o Brasil.

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