Direitos dos autistas: o que diz a lei brasileira? Confira!

Os direitos dos autistas são garantidos por lei, mas muitas famílias ainda não sabem exatamente quais são essas proteções e como acessá-las. Mas quais são eles?

Direitos dos autistas: Saiba quais são e lute por eles!

Direitos dos autistas: o que diz a lei brasileira? Confira!

Garantir que as pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tenham suas necessidades respeitadas é um dever do Estado e da sociedade. 

No Brasil, a legislação avançou significativamente para assegurar que o autista não seja apenas incluído, mas que tenha condições reais de desenvolvimento e dignidade.

Muitas famílias ainda enfrentam barreiras por desconhecerem as proteções legais vigentes. Neste guia, explicamos os principais direitos garantidos por lei e como você pode agir para que eles sejam plenamente cumpridos no dia a dia.

Sabemos que questões jurídicas podem gerar dúvidas, e entender seus direitos é essencial para tomar decisões informadas. Em caso de dúvidas sobre o assunto, entre em contato aqui

O que é o autismo (TEA)?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição de saúde caracterizada por desafios na comunicação, na interação social e pela presença de comportamentos repetitivos. 

Por ser um espectro, ele se manifesta de formas muito diferentes em cada indivíduo, variando de níveis leves a níveis que exigem suporte total. A ciência e a medicina moderna tratam o autismo como uma variação do desenvolvimento neurológico. 

No Brasil, o foco das leis é garantir que, independentemente do nível de suporte necessário, a pessoa receba as adaptações adequadas para viver com autonomia e ter suas habilidades valorizadas.

Por que os autistas têm direitos?

Os autistas possuem direitos específicos porque são legalmente considerados pessoas com deficiência (PcD) para todos os fins jurídicos. 

Essa equiparação foi estabelecida pela Lei Berenice Piana (Lei 12.764/2012), que criou a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA.

Essa lei é fundamental porque impede que o autista seja discriminado ou excluído de serviços básicos. 

Ao ser reconhecido como PcD, o autista passa a ter a proteção de outras normas importantes, como a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), que reforça o direito à acessibilidade e à participação social plena.

Quais são os direitos dos autistas?

A legislação brasileira prevê uma série de garantias que abrangem desde a saúde até a vida financeira da família. Abaixo, detalhamos os principais pontos que você deve conhecer:

1. Atendimento prioritário

A pessoa com autismo tem direito a atendimento prioritário em estabelecimentos públicos e privados, como bancos, supermercados e hospitais. 

Esse direito se estende ao acompanhante, visando minimizar o estresse que longas esperas podem causar ao indivíduo com TEA.

Para facilitar essa identificação e evitar constrangimentos, é recomendável emitir a CIPTEA, que é a carteira de identificação oficial do autista. 

Esse documento possui validade nacional e serve como prova rápida da condição em qualquer estabelecimento.

2. Tratamento multiprofissional

O SUS e os planos de saúde são obrigados a fornecer tratamento integral e multidisciplinar. 

Isso inclui sessões de fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional e métodos específicos como o ABA, essenciais para o desenvolvimento de habilidades sociais e cognitivas.

A justiça brasileira já consolidou o entendimento de que os planos de saúde não podem limitar o número de sessões anuais. 

O tratamento deve ser baseado na prescrição médica, garantindo que a frequência das terapias atenda às necessidades individuais do paciente sem interrupções burocráticas.

3. Educação inclusiva

As escolas, tanto públicas quanto particulares, não podem recusar a matrícula de um aluno com TEA. 

Além disso, se houver necessidade comprovada, a instituição deve fornecer um acompanhante especializado em sala de aula sem cobrar qualquer taxa extra na mensalidade.

Para que a inclusão seja efetiva, o ensino deve ser adaptado por meio de um Plano de Ensino Individualizado (PEI)

Esse planejamento garante que o conteúdo escolar seja ajustado às metas de aprendizado e às habilidades específicas do aluno autista.

4. Benefício assistencial (BPC LOAS)

Famílias de baixa renda que possuem um integrante com autismo podem ter direito ao BPC LOAS

Esse benefício paga um salário-mínimo mensal para auxiliar nas despesas básicas e terapias, sendo um suporte financeiro vital para garantir a subsistência do núcleo familiar.

Para receber, é necessário comprovar a condição por meio de perícia médica no INSS e demonstrar o critério de miserabilidade

É importante que o Cadastro Único (CadÚnico) esteja devidamente atualizado no CRAS da sua região para que o pedido possa ser processado.

5. Isenção de impostos

Pessoas autistas ou seus responsáveis legais têm direito a isenções fiscais significativas na compra de veículos novos, como o IPI e o IOF. 

Essas isenções visam facilitar a locomoção da pessoa para seus tratamentos e atividades diárias, reduzindo o custo total do automóvel.

Além dos impostos federais, muitos estados garantem a isenção do IPVA e autorizam o cartão de estacionamento em vagas destinadas a PcD. 

Esses direitos buscam promover a mobilidade e o conforto no deslocamento, fatores críticos para o bem-estar da pessoa com autismo.

6. Direito ao trabalho e inclusão profissional

O autista tem direito de ingressar no mercado de trabalho por meio da Lei de Cotas, que obriga empresas com mais de cem funcionários a reservar vagas para pessoas com deficiência. 

O foco aqui é a valorização das competências individuais no ambiente corporativo. Em concursos públicos, há reserva de vagas específicas e o direito de solicitar adaptações razoáveis durante a realização das provas. 

Isso assegura que o candidato com TEA concorra em condições de igualdade, respeitando seu modo de processar informações.

7. Aposentadoria da pessoa com deficiência

O trabalhador com autismo pode se aposentar com regras diferenciadas e mais vantajosas. A Aposentadoria da Pessoa com Deficiência permite que o tempo de contribuição seja reduzido conforme o grau de deficiência (leve, moderada ou grave), avaliado em perícia.

Essa modalidade de aposentadoria reconhece o esforço adicional despendido pelo profissional autista ao longo da carreira. Além da redução no tempo, o cálculo do benefício costuma ser mais favorável, garantindo uma segurança financeira maior na fase de inatividade.

Nesses momentos, a ajuda de um advogado especializado é essencial para transformar a letra da lei em realidade. Buscar orientação técnica protege a família contra abusos e garante que o tempo, fator crucial no desenvolvimento do autista, não seja perdido em burocracias desnecessárias.

Um recado final para você! 

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Em caso de dúvidas, procure uma assistência jurídica especializada!

Sabemos que o tema pode levantar muitas dúvidas e que cada situação é única, demandando uma análise específica de acordo com as circunstâncias de cada caso.

Se você tiver alguma questão ou quiser saber mais sobre o assunto, recomendamos a consulta com um advogado especialista. 

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Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados.

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Autor

  • rafa menor

    •Advogada Especialista em Diversas áreas do Direito. Pós-graduada em Direitos Fundamentais e Justiça pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Possui formação em Liderança pela Conquer Business School. Atualmente é coordenadora da equipe jurídica do VLV Advogados.

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