Oitiva: o que é, tipos e como funciona (Guia completo)
Você foi intimado para uma oitiva e não sabe o que esperar? Fique tranquilo: a oitiva é o momento em que testemunhas, vítimas ou partes são ouvidas formalmente para esclarecer os fatos de um processo.
Receber uma intimação para participar de uma oitiva costuma gerar insegurança, principalmente para quem nunca passou por um processo antes. A dúvida é comum: o que vai acontecer, o que você pode ou não dizer e se é obrigatório comparecer.
A oitiva existe justamente para dar voz às pessoas que têm informações relevantes sobre um caso, seja como testemunha, vítima, parte ou perito.
É um dos momentos mais importantes da instrução processual, porque o que é dito ali passa a integrar oficialmente as provas do processo.
O VLV Advogados atua com foco em Direito Criminal e Processo Penal, áreas em que a oitiva aparece com bastante frequência, tanto em inquéritos policiais quanto em audiências judiciais.
Continue a leitura para entender como o procedimento funciona, quais são seus direitos e o que fazer em cada etapa.
Entender seus direitos antes de uma oitiva ajuda a participar do processo com mais segurança. Se quiser analisar a sua situação específica, clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.
O que é uma oitiva?
A oitiva é o ato formal de ouvir uma pessoa dentro de um processo, seja ela testemunha, vítima, parte ou perito, com o objetivo de esclarecer os fatos investigados ou discutidos judicialmente.
Na prática, realizar a oitiva significa colher um depoimento oral que passa a compor as provas do processo.
A palavra vem do verbo “ouvir” e, no meio jurídico, funciona como sinônimo de audição, inquirição ou tomada de depoimento.
É comum ver o termo em notícias sobre CPIs e investigações, mas seu uso é o mesmo em qualquer processo civil, penal, trabalhista ou administrativo.
A oitiva pode ocorrer tanto na fase de investigação (como em uma delegacia) quanto durante o processo judicial, sempre respeitando regras formais de registro e participação das partes.
Quais são os tipos de oitiva?
Os tipos de oitiva variam conforme quem está sendo ouvido e a finalidade do depoimento. Os principais são:
- Oitiva de testemunhas: pessoas que presenciaram ou têm conhecimento sobre os fatos relatam o que sabem. Antes de depor, a testemunha presta compromisso de dizer a verdade, e prestar depoimento falso pode configurar o crime de falso testemunho, previsto no art. 342 do Código Penal.
- Oitiva das partes: o próprio autor ou réu apresenta sua versão dos fatos, o que pode confirmar ou contradizer outras provas do processo.
- Oitiva da vítima: comum em processos penais, permite que a pessoa ofendida relate o que aconteceu.
- Oitiva de peritos: utilizada quando o caso exige esclarecimentos técnicos sobre laudos ou perícias.
- Oitiva especializada: aplicada em casos que envolvem crianças e adolescentes, conduzida de forma a evitar impactos emocionais adicionais.
O que é a oitiva feita pelo Ministério Público?
A oitiva feita pelo Ministério Público é o ato em que um membro do MP, na condição de titular da ação penal ou fiscal da lei, colhe o depoimento de investigados, vítimas ou testemunhas, geralmente na fase de inquérito ou em procedimentos de investigação preliminar.
Esse tipo de oitiva também pode ocorrer em CPIs, quando o colegiado convoca ou convida uma pessoa para prestar esclarecimentos.
Como funciona a oitiva no processo?
A oitiva no processo funciona, em regra, dentro de uma audiência de instrução, após a intimação formal da pessoa que será ouvida.
No dia marcado, o juiz conduz o início da inquirição e, em seguida, os advogados das partes também podem fazer perguntas.
Esse formato vale tanto para processos penais quanto civis, trabalhistas e administrativos, respeitando as regras específicas de cada área.
Todo o depoimento é registrado, por escrito ou por gravação, e passa a integrar oficialmente os autos, sempre garantindo o contraditório e a ampla defesa.
Como funciona a oitiva na audiência
Do início da audiência até o registro oficial do depoimento
Intimação formal
A pessoa é notificada sobre data, horário e local (presencial ou virtual) em que deverá comparecer.
Abertura da audiência
O juiz identifica quem será ouvido e, se for testemunha ou vítima, colhe o compromisso de dizer a verdade.
Instrução processualInquirição pelo juiz
O magistrado conduz as primeiras perguntas para esclarecer os fatos do processo.
Perguntas das partes
Advogados de acusação e defesa (ou autor e réu) fazem perguntas, respeitando o contraditório.
Registro nos autos
O depoimento é gravado ou reduzido a termo e passa a integrar oficialmente as provas do processo.
Prova processualO mesmo rito, com ajustes específicos, aplica-se a processos penais, civis, trabalhistas e administrativos.
A oitiva pode ser feita por videoconferência?
Sim, a oitiva pode ser feita por videoconferência, prática que se tornou rotina na maioria dos tribunais brasileiros.
O art. 217 do Código de Processo Penal já previa esse formato para preservar testemunhas e vítimas de constrangimento causado pela presença do réu, e o modelo foi ampliado nos anos seguintes para audiências em geral.
Há, porém, uma exceção recente e relevante: pela Resolução CNJ nº 679/2026, que alterou a Resolução CNJ nº 354/2020, a oitiva da vítima em processos de violência doméstica e familiar deve, como regra, ser feita de forma presencial, sendo a videoconferência admitida apenas em caráter excepcional, mediante requerimento ou anuência expressa da vítima.
Na visão do advogado Dr. João Valença, do VLV Advogados, um cuidado importante em oitivas virtuais é garantir, antes da audiência, que a conexão e o ambiente estejam adequados, já que falhas técnicas durante o depoimento podem gerar discussões sobre a validade do ato.
Quais são os direitos e deveres de quem participa de uma oitiva?
Quem participa de uma oitiva tem direitos e deveres definidos por lei, que variam conforme o papel exercido no processo.
Como regra geral, testemunhas e vítimas têm o dever de dizer a verdade, enquanto o investigado ou acusado tem o direito de permanecer em silêncio, conforme o art. 186 do Código de Processo Penal, sem que isso seja interpretado como confissão.
Entre os principais pontos:
- Direito de ser informado sobre o motivo da oitiva antes de sua realização.
- Direito à presença de advogado durante o ato.
- Dever de comparecer quando regularmente intimado.
- Dever de dizer a verdade, no caso de testemunhas e vítimas.
A testemunha pode ter advogado durante a oitiva?
Sim, a testemunha pode ter advogado durante a oitiva, embora esse acompanhamento não seja obrigatório como é para o investigado ou réu.
Ter orientação jurídica ajuda a entender melhor o alcance das perguntas e evita que a pessoa se sinta pressionada a responder além do que foi questionado.
O que acontece se eu faltar a uma oitiva?
Se você faltar a uma oitiva sem justificativa, mesmo tendo sido regularmente intimado, o juiz pode determinar sua condução coercitiva, ou seja, sua apresentação forçada por oficial de justiça ou autoridade policial, conforme o art. 218 do Código de Processo Penal.
Além disso, o art. 219 do CPP permite ao juiz aplicar multa à testemunha faltosa, sem prejuízo de eventual processo por crime de desobediência.
Se você tiver um motivo legítimo para não comparecer, como doença ou compromisso inadiável, o ideal é comunicar o juízo com antecedência e apresentar justificativa, evitando essas consequências.
Situação inspirada em casos acompanhados pelo escritório: uma testemunha deixou de comparecer a uma audiência por não ter recebido a intimação em seu endereço atualizado.
Ao verificar o vício na intimação, o advogado conseguiu demonstrar a ausência de culpa da testemunha, afastando a aplicação de multa.
Esse desfecho decorreu das circunstâncias específicas do caso e não representa garantia de resultado em situações semelhantes.
Qual é a diferença entre interrogatório e oitiva?
A diferença entre interrogatório e oitiva está em quem é ouvido e qual o objetivo do ato. A oitiva é usada para ouvir terceiros, como testemunhas, vítimas e peritos, com o objetivo de esclarecer os fatos.
Já o interrogatório é a oitiva do próprio acusado, funcionando como instrumento de defesa e sujeito a regras próprias, como o direito ao silêncio.
Enquanto a oitiva busca produzir prova por meio do relato de terceiros, o interrogatório garante ao acusado a oportunidade de apresentar sua versão dos fatos, sem obrigação de se autoincriminar.
O que acontece depois da oitiva?
Depois da oitiva, o juiz e os advogados analisam os depoimentos colhidos, comparando-os com as demais provas já presentes no processo.
Contradições ou confirmações entre os relatos podem influenciar diretamente a formação da convicção do julgador.
A partir daí, o processo costuma seguir para alegações finais ou, se necessário, para a produção de novas provas.
Em muitos casos, principalmente quando o depoimento de testemunhas é central para o caso, a oitiva tem peso decisivo no resultado final.
O acompanhamento jurídico correto faz diferença no resultado da oitiva
A oitiva pode parecer um procedimento simples, mas cada detalhe, da forma como a pergunta é feita até o motivo de uma ausência, pode impactar o andamento do processo.
Vale lembrar que a aplicação das regras pode variar conforme o tipo de processo (civil, penal, trabalhista ou administrativo) e as circunstâncias de cada caso.
O VLV Advogados é um escritório de advocacia digital com mais de 10 anos de atuação e atendimento em todo o Brasil, o que permite orientar clientes à distância mesmo em processos que tramitam em outras comarcas.
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Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados
Sobre o autor
Dr. João Valença (OAB 43370) é especialista em Direito Criminal e cofundador do VLV Advogados. Atua há mais de 10 anos na defesa de clientes em casos criminais, com atendimento em todo o Brasil. Sob sua liderança, o escritório acumula mais de 3.000 avaliações positivas e se tornou referência nacional no atendimento jurídico digital.
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Perguntas frequentes sobre oitiva
Qual é o sinônimo de oitiva?
O sinônimo mais usado para oitiva é audição ou inquirição, termos que também descrevem o ato de ouvir formalmente alguém dentro de um processo.
Qual é a origem da palavra oitiva?
A palavra oitiva vem do verbo “ouvir” e passou a ser amplamente usada no meio jurídico, ganhando ainda mais popularidade com a cobertura de CPIs e investigações na mídia.
Quem pode realizar uma oitiva?
Uma oitiva pode ser conduzida pelo juiz, por um delegado de polícia, por um membro do Ministério Público ou por uma comissão parlamentar de inquérito, dependendo da fase e da natureza do procedimento.
A oitiva de uma criança segue as mesmas regras de um adulto?
Não, a oitiva de crianças e adolescentes segue um rito especializado, previsto no art. 179 do Estatuto da Criança e do Adolescente, conduzido de forma cuidadosa para reduzir o impacto emocional do depoimento.



