Tornozeleira eletrônica: quais são as regras de uso? 

A tornozeleira eletrônica é uma medida cada vez mais utilizada pela Justiça, mas ainda gera muitas dúvidas. Como funciona? Quem usa? Entender as regras de uso é essencial!

imagem representando tornozeleira eletrônica
Tornozeleira eletrônica: quais são as regras de uso? 

A tornozeleira eletrônica é uma medida de monitoramento determinada pela Justiça para acompanhar pessoas que respondem a processos criminais em liberdade ou que cumprem pena em determinadas condições, como prisão domiciliar, regime semiaberto ou medidas cautelares.

O equipamento permite que a pessoa permaneça fora do ambiente prisional, mas sob fiscalização. Seu uso envolve regras específicas, como limites de circulação, horários, recarga do aparelho e cumprimento das condições impostas pelo juiz.

Apesar de ser uma medida cada vez mais comum, ela ainda gera muitas dúvidas. Quem pode ser obrigado a usar? Quanto tempo dura o monitoramento? O que acontece se a bateria descarregar? Sair do perímetro permitido pode levar à prisão? Em casos de violência doméstica, quais cuidados devem ser observados?

Pensando nessas dúvidas, a equipe criminalista do VLV Advogados, escritório com atuação em Direito Criminal em todo o Brasil, preparou este conteúdo para explicar como funciona a tornozeleira eletrônica, quando ela pode ser aplicada, quais regras devem ser cumpridas e quais consequências podem surgir em caso de descumprimento.

Se você está usando tornozeleira eletrônica, recebeu uma determinação judicial de monitoramento ou teve alguma irregularidade registrada, clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

Como funciona a tornozeleira eletrônica?

A tornozeleira eletrônica é um dispositivo de monitoramento por GPS fixado no tornozelo da pessoa e conectado a uma central de monitoramento operada pelo Estado. 

Em tempo real, o sistema registra a localização do usuário e verifica se as condições determinadas pelo juiz estão sendo cumpridas.

Quando o dispositivo detecta uma violação, como a saída da zona delimitada ou uma tentativa de remoção, um alerta é gerado automaticamente para a central. 

O sistema é regulamentado pela Lei 12.258/2010 e pela Lei de Execução Penal (Lei 7.210/1984), que estabelecem as condições para uso e as consequências do descumprimento.

Legislação em Andamento

O campo de aplicação do monitoramento eletrônico também está em expansão legislativa. Em julho de 2026, a Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou por unanimidade o Projeto de Lei 7.549/26, que propõe a adoção de tornozeleiras na cor rosa para agressores de mulheres submetidos a medidas protetivas ou cautelares. O objetivo da identificação visual é facilitar o reconhecimento do dispositivo por agentes de segurança durante fiscalizações.

O que significa quando uma pessoa usa tornozeleira eletrônica?

Usar tornozeleira eletrônica não significa necessariamente que a pessoa foi condenada. O dispositivo pode ser aplicado em situações jurídicas distintas.

Na fase pré-processual ou durante o processo, a tornozeleira pode ser imposta como medida cautelar alternativa à prisão preventiva, com base no artigo 319, IX do Código de Processo Civil. Nesse caso, a pessoa responde ao processo em liberdade, mas sob monitoramento.

No cumprimento de pena, o uso é previsto para quem está no regime semiaberto ou em situações de progressão de regime, como substitutivo à prisão domiciliar. 

Há ainda os casos ligados à Lei Maria da Penha, em que o dispositivo é imposto ao agressor como parte das medidas protetivas de urgência.

O que todas essas situações têm em comum é que a pessoa está sob controle judicial e tem obrigações específicas a cumprir. O descumprimento de qualquer condição pode resultar em consequências graves, incluindo a revogação da medida e a decretação de prisão.

Quando o juiz determina o uso da tornozeleira eletrônica?

imagem explicativa quando a tornozeleira pode ser usada
Quando o juiz determina o uso da tornozeleira eletrônica?

O juiz pode determinar o uso da tornozeleira eletrônica em momentos distintos do processo ou da execução penal, com fundamentos jurídicos diferentes em cada situação.

Como medida cautelar alternativa à prisão

Durante a investigação ou o processo criminal, o juiz pode impor a tornozeleira como alternativa à prisão preventiva, com base no artigo 319, inciso IX do Código de Processo Civil. 

Nesse caso, a lógica é que o monitoramento eletrônico permite controlar a pessoa sem privá-la completamente da liberdade. 

Na execução da pena

Durante o cumprimento da pena, o uso da tornozeleira pode ser determinado em três situações:

Em medidas protetivas de urgência

Nos casos envolvendo violência doméstica, o juiz pode impor a tornozeleira ao agressor como parte das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, especialmente quando há risco. 

O que o juiz considera na decisão?

Em qualquer dessas hipóteses, a decisão judicial precisa ser fundamentada. O juiz analisa a gravidade do caso, o histórico do réu ou condenado, o risco que ele representa e se medidas menos restritivas seriam suficientes. 

Quais crimes exigem uso de tornozeleira?

A tornozeleira eletrônica não está vinculada a um crime específico. Ela é aplicada conforme a situação jurídica da pessoa e a decisão do juiz, com base na legislação.

Em geral, o monitoramento pode ser utilizado quando a Justiça entende que não é necessário manter a pessoa presa, mas ainda assim é preciso controle. Isso ocorre, por exemplo, em:

Um exemplo prático: imagine que uma pessoa responde a um processo, mas o juiz entende que ela pode aguardar o julgamento em liberdade. Nesse caso, pode ser aplicada a tornozeleira como forma de garantir que ela cumpra determinadas regras.

Quais as regras de uso da tornozeleira eletrônica?

As regras da tornozeleira eletrônica são definidas pela Justiça e devem ser seguidas com rigor. O descumprimento pode gerar consequências sérias.

De forma geral, quem usa o dispositivo precisa:

  1. Permanecer em locais autorizados, como a própria residência
  2. Evitar áreas proibidas, como o endereço da vítima
  3. Cumprir horários determinados pelo juiz
  4. Manter o equipamento sempre carregado
  5. Não tentar retirar, danificar ou violar o dispositivo

Essas obrigações estão ligadas ao dever de fiscalização previsto na Lei de Execução Penal e nas medidas cautelares do Código de Processo Penal.

Também há uma dúvida muito comum: “quantos metros pode andar com tornozeleira eletrônica?” A resposta depende da decisão judicial.

Em alguns casos, você pode circular livremente dentro de uma cidade. Em outros, fica restrito à sua casa, com horários específicos.

Por exemplo: uma pessoa pode ser autorizada a sair apenas para trabalhar e retornar em determinado horário. Qualquer desvio pode gerar alerta automático.

Quanto tempo a pessoa pode ficar com a tornozeleira eletrônica?

imagem explicativa quanto tempo a pessoa fica de tornozeleira eletrônica
Quanto tempo a pessoa pode ficar com a tornozeleira eletrônica?

O tempo de uso da tornozeleira eletrônica não é fixo. Ele depende da decisão judicial e das circunstâncias do caso, podendo se estender por meses ou anos.

Em geral, a duração está relacionada a fatores como:

Por exemplo: se você está respondendo a um processo, pode usar a tornozeleira durante toda a fase de investigação e julgamento. Já em casos de execução penal, o uso pode durar enquanto você estiver em determinado regime.

A retirada do equipamento ocorre quando o juiz entende que o monitoramento não é mais necessário. Isso pode acontecer, por exemplo, com a progressão de regime.

“Muitos clientes chegam até nós sem saber que é possível pedir a revisão da medida ou a retirada da tornozeleira antes do encerramento do processo. O monitoramento eletrônico não é uma decisão permanente: ele pode e deve ser questionado”, explica o Dr. João Valença, advogado criminalista do VLV Advogados. 

Assim, a pessoa sob monitoramento eletrônico não está em uma situação eterna. O acompanhamento jurídico pode identificar o momento certo para retirada da tornozeleira.

O que acontece se a pessoa descumprir as regras da tornozeleira?

imagem explicativa descumprimento da tornozeleira eletrônica
O que acontece se a pessoa descumprir as regras da tornozeleira?

Se a pessoa descumprir as regras da tornozeleira eletrônica, as consequências podem ser imediatas e graves. Isso acontece porque o sistema envia alertas automáticos quando há irregularidades, como:

Nessas situações, o juiz pode aplicar medidas como:

Em uma situação recorrente relatada por pessoas que procuram o VLV Advogados, o cliente estava em prisão domiciliar e saiu de casa sem autorização para resolver uma questão pessoal. 

Embora o deslocamento tenha durado pouco tempo, a tornozeleira registrou a saída. Como não havia autorização judicial prévia, o episódio poderia ser interpretado como descumprimento.

Além disso, em casos de violência doméstica, o desrespeito à distância mínima da vítima pode agravar a situação e levar a medidas mais rigorosas.

Nessas situações, a atuação de um advogado criminalista é importante para analisar os registros da tornozeleira, verificar se houve falha técnica, emergência ou descumprimento intencional e apresentar a justificativa adequada ao juízo.

Está com dúvidas sobre o uso da tornozeleira eletrônica? 

imagem representando homem em advogado com tornozeleira eletrônica
Está com dúvidas sobre o uso da tornozeleira eletrônica? 

Problemas como saída do perímetro autorizado, falta de recarga, falha no equipamento, descumprimento de horários ou aproximação indevida da vítima podem gerar consequências importantes no processo criminal ou na execução da pena.

Cada situação precisa ser analisada de acordo com a decisão judicial, os registros da central de monitoramento e as circunstâncias do ocorrido. 

Em alguns casos, documentos, comprovantes e comunicações feitas rapidamente podem ajudar a esclarecer a irregularidade. Clique aqui para falar com os advogados do VLV Advogados.

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados.

Sobre o autor

Dr. João Valença (OAB 43370) é especialista em Direito Criminal e cofundador do VLV Advogados. Atua há mais de 10 anos na defesa de clientes em casos criminais, com atendimento em todo o Brasil. Sob sua liderança, o escritório acumula mais de 3.000 avaliações positivas e se tornou referência nacional no atendimento jurídico digital.

Direito Civil | Direito de Família | Direito Criminal | Direito Previdenciário | Direito Trabalhista | Direito Bancário

A tornozeleira eletrônica tem escuta?

Não. As tornozeleiras eletrônicas utilizadas no Brasil monitoram localização, não capturam áudio. O dispositivo funciona por GPS e radiofrequência (RF), registrando a posição do monitorado em tempo real, alertando o centro de monitoramento quando ele sai da área autorizada ou tenta remover o equipamento.

Para quais crimes pode ser determinada a tornozeleira eletrônica?

A tornozeleira não está vinculada a um tipo penal específico. Ela é uma medida, não uma pena. Pode ser aplicada em diferentes situações processuais: como medida cautelar alternativa à prisão preventiva (Art. 319, IX do CPP), nos casos de prisão domiciliar, na saída temporária e na progressão de regime durante o cumprimento de pena (Lei de Execução Penal, Art. 146-B).

Quantos metros a pessoa pode se afastar de casa com tornozeleira?

Não existe um raio fixo definido em lei. O perímetro permitido é estabelecido pelo juiz em cada caso, de acordo com as condições impostas ao monitorado. O sistema de monitoramento opera com zonas de inclusão (locais onde a pessoa deve estar em determinados horários) e zonas de exclusão (locais dos quais ela não pode se aproximar,) como a residência da vítima em casos de violência doméstica.

A tornozeleira eletrônica é à prova d’água?

Os modelos utilizados pelos órgãos estaduais de monitoramento têm resistência à água, mas não são à prova de imersão. O equipamento suporta chuva e banhos normais, mas não deve ser submerso, e a exposição prolongada à água pode comprometer o funcionamento.

Quem usa tornozeleira pode sair de casa?

Depende exclusivamente das condições fixadas na decisão judicial. Nos casos de prisão domiciliar, a regra geral é a permanência no lar, com saídas autorizadas pelo juiz para finalidades específicas dentro de horários e trajetos determinados.

O que acontece se a pessoa descumprir o horário da tornozeleira?

O descumprimento é registrado automaticamente pelo sistema e comunicado ao juízo. As consequências variam conforme a gravidade e a reincidência: o juiz pode aplicar restrições adicionais, revogar a medida cautelar e determinar a prisão preventiva com base no Art. 312 do CPP, ou, nos casos de progressão de regime, regredir o monitorado a regime mais severo.

5/5 - (7 votos)

Autor

  • joao valenca

    OAB 43.370 - Advogado especialista em Direito Criminal, especialista em Processo Penal e sócio fundador do VLV Advogados, escritório de advocacia digital com mais de 10 anos de experiência em atendimento em todo o Brasil.

    Ver todos os posts
Olá, tudo bem?
Fale conosco no WhatsApp! Rápido e seguro.