Insalubridade para soldador: quando é 20% ou 40% e qual o valor

Você arrisca a saúde todos os dias no calor da solda, mas será que está recebendo o adicional que merece? Entenda como garantir a insalubridade para soldador!

imagem de soldador que precisa de insalubridade
Como pedir insalubridade para soldador?

Quem trabalha com solda convive todos os dias com fumaça metálica, luz forte do arco, calor e barulho. Por isso, a dúvida é comum: esse desgaste dá direito a um valor extra no salário? 

O adicional de insalubridade existe para compensar quem trabalha exposto a agentes que fazem mal à saúde, mas ele não vem só pelo nome da função, e não deve ser confundido com a periculosidade. 

A equipe do VLV Advogados acompanha de perto casos de soldadores em todo o país, e as perguntas costumam se repetir. Neste artigo, você vai entender quando o adicional é de 20% ou 40%, quanto ele vale em 2026 e o que fazer se ele não aparece no seu contracheque.

Cada soldador trabalha com um metal, um tipo de solda e uma ventilação diferentes, e isso muda o resultado. Se quiser entender a sua situação: clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados

Soldador tem direito a insalubridade?

Sim, o soldador pode ter direito à insalubridade, mas o direito nasce da exposição, não do cargo. O art. 189 da CLT considera insalubre a atividade que expõe o trabalhador a agentes nocivos acima dos limites fixados pelo Ministério do Trabalho, e esses agentes estão listados na NR-15.

Na prática, dois soldadores da mesma empresa podem ter resultados diferentes. Quem solda aço carbono em galpão aberto não está na mesma situação de quem solda peças com chumbo em ambiente fechado.

Quem define o direito e o grau é uma avaliação técnica feita por engenheiro ou médico do trabalho, como exige o art. 195 da CLT. Dentro da empresa, ela aparece no laudo de insalubridade. Na Justiça, na perícia judicial. Um detalhe que confunde muita gente: o LTCAT serve ao INSS; para o adicional no salário, vale o laudo trabalhista.

Como comprovar a insalubridade do soldador?

A comprovação é feita, principalmente, pela perícia técnica. O TST firmou que a perícia é obrigatória, mas, quando ela é impossível (por exemplo, com a empresa fechada), outras provas podem ser usadas (Tema 231 de recursos repetitivos). Antes disso, reúna:

E laudo negativo não encerra o assunto: há situações em que a perícia que negou a insalubridade pode ser contestada com outras provas.

O que gera o adicional na solda?

O que gera o adicional na solda são os agentes da NR-15 presentes no processo: principalmente certos fumos metálicos, a radiação ultravioleta do arco, o calor e o ruído. Cada um está em um anexo da NR-15 e tem um grau próprio.

Um ponto que pouca gente conhece: nem todo fumo metálico conta. Entre os metais comuns na soldagem, a norma trata como insalubres o manganês, o chumbo e o cádmio. Fumos de ferro, zinco e alumínio, por exemplo, não geram o adicional por si só. 

Essa e outras dúvidas sobre adicional de insalubridade explicam por que o resultado varia tanto.

Agente Onde aparece na solda Anexo da NR-15 Grau
Manganês Eletrodos e arames de aço com manganês Anexo 12 Máximo (40%)
Chumbo Solda de peças ou ligas com chumbo Anexo 11 Máximo (40%)
Cádmio Ligas e revestimentos com cádmio Anexo 13 Máximo (40%)
Radiação ultravioleta Arco elétrico (eletrodo, MIG/MAG, TIG) Anexo 7 Médio (20%)
Calor Acima do limite de tolerância Anexo 3 Médio (20%)
Ruído Acima do limite de tolerância Anexo 1 Médio (20%)

Se houver mais de um agente, vale o grau mais alto: os percentuais não se somam (item 15.3 da NR-15). E o juiz pode ir além do perito. O TST manteve o grau máximo para uma soldadora exposta a chumbo e estanho, mesmo com laudo que indicava grau médio. Os mesmos agentes contam também para o INSS, como na aposentadoria especial do metalúrgico.

O tipo de solda muda o grau?

Muda, porque cada processo gera fumos e radiação diferentes. No eletrodo revestido e na MIG/MAG, o volume de fumos costuma ser maior. Na TIG, há menos fumo, mas a radiação do arco é intensa. Na oxiacetilênica, entram gases como o dióxido de nitrogênio, principalmente em espaços fechados.

Segundo o Dr. Victor Cerqueira Lima, advogado trabalhista do VLV: “Na perícia, a composição do consumível costuma pesar muito. Guarde a embalagem ou anote o modelo do eletrodo e do arame. Isso ajuda o perito a identificar manganês, chumbo ou cádmio.”

Qual o valor da insalubridade de um soldador?

O valor da insalubridade de um soldador em 2026 é de R$ 324,20 por mês no grau médio e R$ 648,40 no grau máximo. O cálculo usa o salário mínimo de R$ 1.621,00, fixado pelo Decreto nº 12.797/2025, como manda o art. 192 da CLT.

Grau Percentual Valor mensal em 2026
Mínimo 10% R$ 162,10
Médio 20% R$ 324,20
Máximo 40% R$ 648,40

Atenção à convenção coletiva: ela pode prever uma base maior, como o piso da categoria. Por isso, vale conferir se você recebe a insalubridade no valor correto.

O adicional reflete em outras verbas?

Sim. Enquanto é pago, o adicional integra a remuneração para todos os efeitos (Súmula 139 do TST). Ele entra no 13º, nas férias com 1/3, nas horas extras, nas verbas rescisórias e no FGTS.

Na prática, um soldador que deveria receber 40%, mas recebe 20%, perde R$ 324,20 por mês. Somando 13º, terço de férias e FGTS, a diferença chega a cerca de R$ 4,6 mil por ano, sem juros e correção.

Um caso fictício, inspirado em situações que recebemos com frequência: Marcos, soldador MIG em uma caldeiraria, recebia 20% havia três anos. Ao conferir a embalagem do arame, viu manganês na composição. Com a ação trabalhista, a perícia avaliou os fumos do posto dele, e a discussão passou a ser justamente a diferença entre o grau médio e o máximo.

E se a empresa não pagar ou pagar a menos?

Você não está sozinho: segundo ranking do TST, o adicional de insalubridade foi o assunto mais recorrente da Justiça do Trabalho em 2025, com 710.090 processos entre janeiro e novembro (TST, Assuntos mais recorrentes). Os passos são:

  1. Confira no contracheque se o adicional aparece e com qual percentual.
  2. Peça ao RH ou à segurança do trabalho o laudo de insalubridade e o PGR.
  3. Procure o sindicato ou registre denúncia na fiscalização do trabalho.
  4. Com orientação jurídica, avalie a reclamação trabalhista.

Fique de olho na prescrição trabalhista: você tem 2 anos após sair da empresa para entrar com a ação e pode cobrar os últimos 5 anos (art. 7º, XXIX, da Constituição).

Se você ainda está empregado, há outro caminho. Em julho de 2026, a 2ª Turma do TST decidiu que deixar de pagar a insalubridade devida é falta grave e autoriza a rescisão indireta por falta do adicional, com base no art. 483, “d”, da CLT (RR-0010312-88.2023.5.18.0006). O caso era de uma recepcionista de clínica, mas a lógica vale para qualquer empregado.

A máscara de solda tira o direito ao adicional do soldador?

Não, a máscara de solda, sozinha, não tira o direito ao adicional. Ela protege olhos e rosto contra a radiação e os respingos, mas não filtra os fumos metálicos que você respira. Para os fumos, a proteção é outra: respirador adequado e, muitas vezes, exaustão no local.

A regra está em duas súmulas do TST. A Súmula 80 diz que o adicional deixa de ser devido quando o EPI aprovado elimina a insalubridade. A Súmula 289 completa: só entregar o equipamento não basta. A empresa precisa garantir o uso, fiscalizar e trocar quando necessário.

Por isso, tudo depende da prova. O TST já negou o adicional a um soldador cujo laudo concluiu que os EPIs neutralizavam os agentes, e também já manteve o grau máximo quando a perícia mostrou exposição mesmo com respirador. Quem trabalha sem proteção adequada também deve saber o que fazer se trabalha em obra sem EPI adequado e quais os direitos em caso de acidente de trabalho por falta de EPI.

Erro frequente: assinar a ficha de EPI sem receber o equipamento

Assinar a ficha de entrega sem ter recebido o respirador ou o filtro enfraquece a sua prova, porque a empresa usa essa ficha na perícia para mostrar que a proteção existia. Se o EPI não chegou, está gasto ou não tem CA (Certificado de Aprovação), avise por escrito o setor de segurança e guarde uma cópia.

Soldador: confira o adicional antes que o prazo corra

A insalubridade do soldador depende de detalhes técnicos: o metal, o consumível, a ventilação e o EPI realmente usado no dia a dia. Por isso, cada caso precisa de análise individual, e o tempo importa, já que os prazos trabalhistas limitam o que pode ser cobrado. O VLV conta com uma equipe dedicada ao Direito do Trabalho, com atendimento online em todo o Brasil.

Se você tem dúvidas sobre insalubridade para soldador, fale com um advogado. O VLV Advogados atende em todo o Brasil: clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados.

Sobre o autor

Dr. Victor Cerqueira Lima é advogado trabalhista (OAB 57454) e coordenador da equipe de Direito do Trabalho do VLV Advogados. Possui pós-graduação em Direito e Processo do Trabalho e atua na defesa de trabalhadores e empresas em todo o Brasil. 

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Perguntas frequentes sobre insalubridade para soldador

Soldador tem direito a aposentadoria especial?

Pode ter, se comprovar 25 anos de exposição habitual e permanente a agentes nocivos (art. 57 da Lei 8.213/91). Em 3 de junho de 2026, o STF derrubou a idade mínima criada pela Reforma da Previdência para esse benefício (ADI 6309), mas manteve a nova forma de cálculo. Atenção: no INSS, o STF entende que EPI eficaz afasta o tempo especial, exceto no caso do ruído (Tema 555). Veja os requisitos da aposentadoria do soldador e simule na calculadora de aposentadoria especial.

Soldador tem direito a periculosidade?

Só em situações específicas, como trabalho em área de risco com inflamáveis ou energia elétrica (art. 193 da CLT e NR-16). O adicional é de 30% sobre o salário-base e não se soma à insalubridade: você escolhe o mais vantajoso. Veja quando cabe a periculosidade do soldador e as regras para acumular insalubridade e periculosidade.

Soldador autônomo recebe insalubridade?

Não. O adicional é direito do empregado com carteira assinada, e quem trabalha por conta própria não tem empregador para pagar. A exceção é o falso autônomo: se havia ordens, horário e pagamento fixo, pode haver vínculo empregatício reconhecido e, com ele, o adicional retroativo. Fique atento aos sinais de pejotização irregular. No INSS, o autônomo pode buscar tempo especial se provar a exposição (Súmula 62 da TNU).

O ajudante que só segura a peça também tem direito?

Pode ter. O que conta é a exposição, não o cargo: quem fica ao lado do soldador respira os mesmos fumos e recebe a radiação do arco. E a exposição intermitente não afasta o adicional (Súmula 47 do TST). A lógica é a mesma aplicada a mecânicos e auxiliares, e a perícia avalia distância, tempo e ventilação, como em qualquer processo por insalubridade.

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Autor

  • Dr. Victor Cerqueira

    Advogado trabalhista e coordenador da equipe de Direito do Trabalho do VLV Advogados, OAB/BA 57.454. Possui pós-graduação em Direito e Processo do Trabalho e atua na defesa de trabalhadores e empresas em todo o Brasil.

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