Inventário parado: como dar andamento ao processo?

Inventário parado não se resolve sozinho. Saiba o que trava o processo, quais os prazos previstos em lei e como qualquer herdeiro pode requerer o andamento ao juízo. 

Imagem representando inventário parado por briga familiar.
Inventário parado por briga familiar quais os impactos?

Um inventário pode passar anos sem qualquer movimentação, e a família costuma perceber o tamanho do problema apenas quando precisa vender um imóvel, quitar uma dívida do espólio ou regularizar uma conta bancária. 

Segundo o relatório Justiça em Números 2026, do Conselho Nacional de Justiça, o tempo médio de tramitação dos processos baixados no Judiciário em 2025 foi de 2 anos e 4 meses. 

Quando surge desacordo entre herdeiros ou o responsável pelo processo deixa de movimentá-lo, o inventário tende a ultrapassar esse tempo com folga.

Com mais de 10 anos de atuação e quase 5 mil avaliações no Google, o VLV Advogados acompanha inventários paralisados em diferentes fases, do desacordo sobre a partilha à inércia de quem administra o espólio. 

Sabemos que dúvidas podem surgir ao longo da leitura, principalmente sobre prazos, multa por atraso e o que fazer com as despesas do imóvel enquanto nada anda. Em caso de dúvidas, clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados!

O que fazer quando o inventário está parado? 

Nesses casos, o primeiro passo é verificar por que o processo parou, mediante a isso a solução muda conforme a causa.

Depois disso, qualquer herdeiro pode requerer ao juízo a providência correspondente, sem depender da iniciativa de quem conduz o inventário.

Essa verificação costuma seguir uma ordem simples:

  1. Consulte o andamento do processo. O número do processo permite acompanhar a última movimentação pelo site do tribunal e identificar se há despacho pendente de cumprimento.
  2. Identifique quem é o inventariante. É a pessoa nomeada pelo juiz para representar o espólio e movimentar o processo. Se ela deixou de cumprir os prazos, existe medida específica para isso.
  3. Verifique se há pendência documental. Certidões vencidas, ausência de documentos de algum bem e falta de qualificação de herdeiros estão entre as causas mais frequentes de paralisação.
  4. Confira a situação do ITCMD. O imposto estadual não recolhido ou com avaliação contestada trava a homologação da partilha.
  5. Verifique se existe questão em discussão. Impugnação às primeiras declarações, discussão sobre testamento ou pedido de habilitação de herdeiro deixam o processo suspenso até a decisão.

Cada uma dessas situações tem um caminho próprio, e é isso que os tópicos seguintes detalham.

Quanto tempo um inventário pode ficar parado?

Não existe um prazo máximo de paralisação previsto em lei, e o processo não se encerra sozinho por falta de movimentação. 

O que a lei fixa é o prazo para abrir e concluir o procedimento: o artigo 611 do Código de Processo Civil determina que o inventário seja instaurado em até dois meses após o falecimento e concluído nos doze meses seguintes, prazos que o juiz pode prorrogar.

Na maioria dos casos esses prazos são ultrapassados, e o descumprimento não faz ninguém perder a herança. 

O efeito é outro: quanto mais tempo o processo fica parado, mais os custos se acumulam e maior a chance de sanção tributária.

Quais são as consequências do atraso? 

A principal é a multa estadual sobre o ITCMD. O Supremo Tribunal Federal firmou na Súmula 542 que os estados podem punir com multa o retardamento do início ou da conclusão do inventário. 

O percentual e a forma de cálculo variam conforme a lei de cada estado, o que exige conferir a legislação do local onde o inventário tramita.

O advogado do VLV Advogados, Dr. Luiz Vasconcelos Jr., alerta:

Além da multa, seguem correndo as despesas do patrimônio, como IPTU, condomínio, seguros e manutenção, sem que os bens possam ser vendidos ou transferidos enquanto a partilha não for homologada.”

Prazo O que a lei prevê Efeito do descumprimento
2 meses após o falecimento Abertura do inventário (art. 611 do CPC) Possibilidade de multa estadual sobre o ITCMD
12 meses após a abertura Conclusão do inventário (art. 611 do CPC) Prorrogável pelo juiz; sem prorrogação, também pode gerar multa
Sem prazo definido Tempo de paralisação Acúmulo de despesas do espólio e bloqueio dos bens até a partilha

O que pode travar um inventário? 

Um inventário costuma parar por quatro motivos principais: falta de documentos, pendência com o ITCMD, discussões sobre o patrimônio ou o testamento e ausência de acordo entre os herdeiros. 

A causa mais frequente não é o conflito familiar, e sim a pendência documental, que muitas vezes passa despercebida por meses.

As situações mais comuns são estas:

Identificar em qual desses grupos o processo parou define o pedido que deve ser feito ao juízo, e é o que o próximo tópico trata.

É possível dar andamento sem a concordância de todos os herdeiros?

Sim. Qualquer herdeiro pode requerer providências ao juízo, e o inventário não depende do consenso de todos para avançar. Quando não há acordo, quem decide é o juiz.

Se o inventariante deixa de apresentar as declarações no prazo ou não movimenta o processo, o artigo 622 do Código de Processo Civil permite que ele seja removido da função, e o artigo 617 define quem pode assumir em seu lugar. 

Se a paralisação vem do desacordo sobre a divisão, o juiz decide as questões comprovadas por documento e a partilha segue, podendo os bens ser divididos em partes ideais ou levados a leilão com rateio do valor.

Caso VLV Advogados

Em um caso acompanhado pelo VLV Advogados, o inventário estava sem movimentação havia mais de dois anos, com despachos não cumpridos e certidões vencidas nos autos.

Durante a análise desse tipo de processo, a equipe verifica em que fase o andamento foi interrompido, quais intimações não foram atendidas e quais documentos precisam ser renovados. 

A partir disso, define se o pedido adequado é a regularização documental, a substituição de quem conduz o processo ou a decisão judicial sobre o ponto controvertido.

A descrição é genérica e não permite identificar as pessoas envolvidas. Cada inventário depende das circunstâncias e dos documentos do caso concreto. 

Como ficam os bens e as despesas enquanto o inventário não anda?

Os bens continuam em nome do espólio e não podem ser vendidos ou transferidos sem autorização judicial. 

As despesas seguem correndo e são pagas com recursos do próprio espólio, cabendo ao inventariante essa administração.

Quando o dinheiro do espólio não está acessível ou surge uma despesa urgente, é possível pedir ao juiz um alvará específico. 

O artigo 619 do Código de Processo Civil condiciona à autorização judicial atos como a venda de bens, o pagamento de dívidas e as despesas necessárias à conservação do patrimônio.

Situações mais frequentes durante a paralisação:

Quando procurar um advogado para destravar o inventário? 

imagem representando mulher em advogado para ação de inventário
Quando procurar um advogado para destravar o inventário? 

Quando o processo passa meses sem movimentação, quando há despacho não cumprido nos autos ou quando um dos herdeiros não responde às tentativas de acordo.

Nessas situações, a retomada depende de um pedido formal ao juízo, e não de nova tentativa de conversa entre a família.

O trabalho de um advogado para inventário começa pela leitura dos autos, para identificar em que ponto o andamento parou e qual providência cabe. 

A partir disso, define-se o pedido adequado, que pode ser a regularização de documentos, a substituição de quem conduz o processo, o alvará para uma despesa urgente ou a decisão judicial sobre o ponto em discussão. 

Em caso de dúvidas, clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados!

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados

Sobre o autor

Dr. Luiz Vasconcelos Jr. é advogado familiarista, cogestor do VLV Advogados, membro Associado do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM). Possui capacitação pela AASP em questões de direito civil, especialmente direito das famílias/sucessões e pela PUC/RJ em alienação parental e perícias psicológicas

Direito Civil | Direito de Família | Direito Criminal | Direito Previdenciário | Direito Trabalhista | Direito Bancário

Perguntas frequentes sobre inventário parado

O que é um inventário litigioso?

É o inventário em que os herdeiros não chegam a acordo sobre algum ponto, como a divisão dos bens, a validade do testamento ou quem deve ser o inventariante. Ele tramita obrigatoriamente na Justiça e é decidido pelo juiz.

O que é uma briga de família por herança?

É o desacordo entre herdeiros sobre o patrimônio deixado. Pode envolver a divisão dos bens, a administração do espólio, a existência de doações feitas em vida ou o reconhecimento de alguém como herdeiro.

Um inventário judicial parado pode virar extrajudicial?

Pode, desde que todos os herdeiros sejam capazes, estejam de acordo com a partilha e o juiz autorize a desistência do processo judicial. Havendo qualquer divergência, o inventário permanece na Justiça.

Existe prazo para pedir minha parte se o inventário nunca foi aberto?

Quem foi deixado de fora da partilha pode ajuizar ação de petição de herança. O Superior Tribunal de Justiça aplica a esse pedido o prazo de dez anos, contado conforme as circunstâncias do caso.

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Autor

  • joao valenca

    OAB 43.370 - Advogado especialista em Direito Criminal, especialista em Processo Penal e sócio fundador do VLV Advogados, escritório de advocacia digital com mais de 10 anos de experiência em atendimento em todo o Brasil.

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