Perdi meu emprego: como reduzir a pensão alimentícia?
Perder o emprego não elimina a obrigação de pagar pensão, mas pode permitir reduzir a pensão de forma legal. Ignorar isso pode gerar dívida, multa e até prisão.
Perder o emprego já é um momento de grande insegurança, e quando existe o compromisso de pagar pensão alimentícia, a preocupação costuma ser ainda maior.
Muitas pessoas não sabem se é possível ajustar esse valor, quais são os caminhos legais ou quais riscos correm se não conseguirem manter o pagamento como antes.
Este conteúdo foi pensado justamente para esclarecer essas dúvidas, ajudando você a entender seus direitos e deveres nesse cenário delicado.
Siga a leitura e descubra como a Justiça trata essa situação e quais cuidados você deve ter para se proteger.
Sabemos que questões jurídicas podem gerar dúvidas, e entender seus direitos é essencial para tomar decisões informadas. Em caso de dúvidas sobre o assunto, entre em contato: clique aqui!
Desse modo, pensando em te ajudar, preparamos este artigo no qual você aprenderá:
Perdi o emprego, posso reduzir a pensão alimentícia?
Sim, você pode pedir a redução da pensão alimentícia quando perde o emprego, desde que comprove que sua capacidade financeira mudou de forma relevante.
O direito de pedir essa revisão está previsto no artigo 1.699 do Código Civil, que autoriza a alteração dos alimentos sempre que houver mudança na situação de quem paga ou na necessidade de quem recebe.
Isso significa que o valor fixado no passado não é imutável e pode ser ajustado à sua nova realidade.
Na prática, perder o emprego costuma representar uma queda brusca de renda. Imagine alguém que pagava 30% do salário como pensão e, de um mês para outro, passa a depender apenas de seguro-desemprego.
Esse novo cenário pode tornar o valor original inviável. A Justiça reconhece esse tipo de mudança como fato relevante, desde que seja real e comprovado.
É importante entender que o desemprego não extingue automaticamente a obrigação. Enquanto não houver decisão judicial alterando o valor, a pensão continua exigível.
Por isso, o caminho correto é pedir a revisão assim que a sua renda mudar, evitando o acúmulo de dívidas e medidas judiciais mais severas.
Agir rapidamente demonstra boa-fé e permite que o juiz avalie o caso com base na sua situação atual, não em um cenário que já não existe mais.
Como comprovar o desemprego para reduzir a pensão?
Você comprova o desemprego apresentando documentos que mostrem de forma objetiva que sua renda foi reduzida ou interrompida.
O juiz só pode revisar a pensão quando existem provas claras dessa mudança, pois a lei exige que a alteração seja real, concreta e verificável.
Os documentos mais usados nesse tipo de processo incluem:
▸Carteira de Trabalho (CTPS) com anotação de saída
▸Termo de rescisão do contrato de trabalho
▸Comprovantes de seguro-desemprego, se houver
▸Extratos bancários demonstrando queda de movimentação
▸Declaração de imposto de renda atualizada
▸Comprovantes de despesas fixas, como aluguel, plano de saúde ou financiamento
Esses documentos permitem ao juiz comparar a sua situação antes e depois do desemprego.
Por exemplo, se você ganhava R$ 5.000 e hoje recebe apenas R$ 1.500 de seguro-desemprego, essa diferença impacta diretamente sua possibilidade de pagar a pensão.
Quanto mais organizada estiver a documentação, mais clara será a análise do magistrado. Por isso, reunir esses comprovantes logo após a perda do emprego é uma medida prática que pode acelerar a análise do pedido.
Preciso entrar com ação para reduzir a pensão?
Sim, você precisa entrar com uma Ação Revisional de Alimentos para que o valor da pensão seja alterado. Nenhuma mudança é válida sem uma decisão judicial.
Isso vale mesmo quando as duas partes concordam em ajustar o valor. Sem homologação do juiz, o acordo não tem efeito legal.
A Ação Revisional é prevista no artigo 1.699 do Código Civil e serve exatamente para esses casos de mudança financeira. Nela, você apresenta os fatos novos, junta os documentos e pede que o juiz reavalie o valor fixado anteriormente.
Em situações de urgência, como quando a renda cai a zero, o advogado pode pedir uma tutela provisória para que o juiz reduza temporariamente a pensão enquanto o processo é analisado.
Isso evita que você acumule uma dívida que depois pode se tornar impagável.
Entrar com a ação rapidamente é decisivo. Quanto mais você demora, mais parcelas se acumulam com o valor antigo, o que aumenta o risco de execução, bloqueio de contas e outras medidas legais.
O juiz pode reduzir a pensão automaticamente?
Não, o juiz não reduz a pensão automaticamente, mesmo que você esteja desempregado. A Justiça só pode agir quando você apresenta um pedido formal acompanhado de provas.
Sem isso, o valor continua válido, pois foi fixado com base em uma decisão anterior que ainda está em vigor.
Na análise do pedido, o juiz aplica o chamado binômio necessidade e possibilidade.
Ele avalia de um lado as despesas do alimentando, como moradia, alimentação, escola e saúde, e do outro a sua capacidade atual de pagamento. A redução só é concedida se esse equilíbrio tiver sido realmente rompido.
Por exemplo, se você perdeu o emprego, mas continua com renda informal alta, o juiz pode entender que sua capacidade de pagar não mudou de forma significativa. Por isso, a prova da nova realidade é tão importante.
A redução, quando concedida, pode ser temporária ou definitiva, dependendo do caso. Em situações de desemprego, é comum que o juiz fixe um valor menor enquanto você busca recolocação.
O que acontece se eu não conseguir reduzir a pensão?
Se você não conseguir a redução, a obrigação continua no valor fixado pelo juiz, e o não pagamento pode gerar consequências graves.
A dívida de pensão é tratada com prioridade no direito brasileiro porque envolve o sustento de quem depende desses valores.
Se as parcelas atrasarem, a outra parte pode entrar com execução de alimentos, que permite medidas como:
- Bloqueio de contas bancárias
- Penhora de bens
- Desconto direto em salários futuros
- Prisão civil
A prisão pode ocorrer quando você deixa de pagar as três últimas parcelas e as que se vencem no curso do processo, desde que a inadimplência seja considerada injustificada.
Mesmo que você esteja desempregado, o juiz pode entender que havia possibilidade mínima de pagamento se você não buscou a revisão.
Por isso, o pior cenário é ficar parado. Buscar a revisão, mesmo que o resultado não seja imediato, demonstra que você tentou ajustar a obrigação de forma legal.
Um recado final para você!
Sabemos que o tema pode levantar muitas dúvidas e que cada situação é única, demandando uma análise específica de acordo com as circunstâncias de cada caso.
Se você tiver alguma questão ou quiser saber mais sobre o assunto, recomendamos a consulta com um advogado especialista.
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Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do escritório Valença, Lopes e Vasconcelos Advocacia
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