Direitos do frentista: insalubridade e periculosidade

Trabalhar em posto de gasolina envolve riscos que vão além do que muita gente imagina. Por isso, a lei garante direitos específicos ao frentista, como periculosidade ou insalubridade!

imagem representando periculosidade ou insalubridade para frentista
Direitos do frentista: insalubridade e periculosidade

Se você trabalha como frentista ou conhece alguém nessa profissão, é natural surgir a dúvida: quais são os direitos relacionados à insalubridade e periculosidade?

Esse tema envolve diretamente segurança, salário e possíveis valores não pagos ao longo do tempo. Por isso, entender como a lei funciona faz toda a diferença.

Ao longo deste conteúdo, você vai descobrir de forma simples o que a legislação garante e como agir se houver irregularidades. Continue a leitura e entenda seus direitos.

Sabemos que questões jurídicas podem gerar dúvidas, e entender seus direitos é essencial para tomar decisões informadas. Em caso de dúvidas sobre o assunto, entre em contato aqui

O que faz um frentista?

O frentista é o profissional responsável pelo atendimento em postos de combustíveis, sendo sua principal função o abastecimento de veículos. No entanto, o trabalho vai além disso e envolve diversas atividades no dia a dia.

Além de abastecer, você também pode realizar o atendimento ao cliente, receber pagamentos e verificar itens básicos do veículo, como nível de óleo, água e calibragem dos pneus. Em muitos casos, também há oferta de produtos, como aditivos e lubrificantes.

Além disso, o frentista atua em um ambiente que exige atenção constante, já que há contato direto com substâncias inflamáveis. Por esse motivo, a função exige cuidado com normas de segurança e prevenção de acidentes.

O que é periculosidade e insalubridade?

A legislação trabalhista prevê adicionais quando o trabalho expõe você a riscos. Nesse contexto, surgem dois conceitos importantes: insalubridade e periculosidade.

  
           Diferença entre Insalubridade e Periculosidade        
                                                                                                                                                                                                    
CritérioInsalubridadePericulosidade
Tipo de riscoPrejuízo à saúde ao longo do tempoRisco imediato à vida
ExposiçãoContínua e gradualConstante e perigosa
ExemplosRuído, calor, produtos químicos, agentes biológicosCombustíveis, eletricidade, explosivos
Adicional10%, 20% ou 40% (NR-15)30% sobre salário-base (art. 193 da CLT e NR-16)
AcumulaçãoNão pode acumularNão pode acumular

Assim, a diferença principal é clara: enquanto a insalubridade afeta a saúde ao longo do tempo, a periculosidade envolve um risco direto à vida.

Frentista pode ter periculosidade ou insalubridade?

Sim, o frentista pode estar exposto tanto à periculosidade quanto à insalubridade. No entanto, existe uma regra importante: não é permitido receber os dois adicionais ao mesmo tempo.

Na prática, o mais comum é o reconhecimento da periculosidade, já que o trabalho envolve contato frequente com combustíveis inflamáveis. A NR-16 classifica esse tipo de atividade como perigosa, especialmente em áreas de abastecimento.

Por outro lado, a insalubridade pode ser reconhecida em situações específicas, como exposição a vapores químicos acima dos limites legais. Contudo, isso depende de perícia técnica, que irá avaliar as condições reais do ambiente de trabalho.

Dessa forma, embora ambos possam existir, o frentista geralmente recebe, ou deveria receber, o adicional de periculosidade, por ser o mais compatível com a função exercida.

Como requerer adicional de periculosidade do frentista?

Se você trabalha como frentista, o primeiro passo é verificar seu contracheque. O adicional de periculosidade deve aparecer de forma clara e corresponder a 30% do salário-base. Confira os passos:

1. Verifique seu contracheque

Antes de tudo, confira se o adicional de periculosidade aparece no holerite. Em regra, ele deve corresponder a 30% do salário-base.

2. Questione a empresa

Se o valor não estiver sendo pago, procure o empregador ou o setor responsável para pedir esclarecimentos e solicitar a regularização.

3. Peça análise técnica

Caso o problema continue, pode ser necessário avaliar formalmente o ambiente de trabalho. Isso costuma ocorrer por meio de laudo técnico.

4. Busque orientação jurídica

Se a empresa não corrigir a situação, você pode procurar orientação jurídica e, se for o caso, ingressar com ação trabalhista. Nesse cenário, a Justiça pode determinar perícia no local para confirmar o direito.

O que fazer se a empresa não pagar os adicionais?

Se a empresa não paga o adicional de periculosidade ou insalubridade, isso pode representar um descumprimento da legislação trabalhista. Por isso, é importante agir com atenção desde o início.

Primeiramente, tente resolver a situação internamente, registrando sua solicitação. Caso não haja resposta, você pode formalizar uma denúncia aos órgãos competentes, que poderão fiscalizar o ambiente de trabalho.

Além disso, buscar orientação jurídica pode ajudar a entender melhor o seu caso e identificar os valores devidos. Dependendo da situação, é possível ingressar com uma ação para cobrar o adicional e seus reflexos em férias, 13º salário e FGTS.

Vale lembrar que você pode cobrar valores dos últimos 5 anos. Por isso, agir com rapidez evita prejuízos maiores e aumenta as chances de recuperação dos valores.

Um recado final para você! 

Imagem representando um advogado.
Em caso de dúvidas, procure uma assistência jurídica especializada!

Sabemos que o tema pode levantar muitas dúvidas e que cada situação é única, demandando uma análise específica de acordo com as circunstâncias de cada caso.

Se você tiver alguma questão ou quiser saber mais sobre o assunto, recomendamos a consulta com um advogado especialista. 

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Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados.

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Autor

  • joao valenca

    •Advogado (43370 OAB) especialista em diversas áreas do Direito e Co-fundador do escritório VLV Advogados, empresa referência há mais de 10 anos no atendimento humanizado e mais de 5 mil cidades atendidas em todo o Brasil.

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