Réu primário no estelionato: quais as penas?

Você quer saber como funciona o réu primário no estelionato? Aqui, veja se você pode ter direito a pena mais branda ou até evitar a prisão!

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Réu primário no estelionato: quais as penas?

Ser acusado de estelionato sem nunca ter respondido a um processo criminal costuma trazer duas perguntas de uma vez: qual é a pena e se ser réu primário muda alguma coisa.

Muda bastante, mas não em todos os casos. A primariedade abre caminhos que podem evitar a prisão e até o próprio processo, desde que o tipo de estelionato e o valor do prejuízo permitam. A equipe do VLV acompanha esse tipo de situação de perto.

Veja a seguir quanto tempo de pena a lei prevê, quando há prisão e quais benefícios o réu primário pode pedir.

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Quanto tempo pega um réu primário por estelionato?

Um réu primário condenado por estelionato pega de 1 a 5 anos de reclusão, mais multa, na forma simples do crime. Por ser primário, a pena tende a ficar perto do mínimo. O tempo muda conforme a modalidade, todas previstas no artigo 171 do Código Penal:

Modalidade Pena prevista
Estelionato simples 1 a 5 anos e multa
Fraude eletrônica: golpe por rede social, telefone, e-mail ou aplicativo 4 a 8 anos e multa
Contra órgão público, como o INSS Aumento de um terço
Contra idoso ou vulnerável Aumento de um terço ao dobro
Ceder conta bancária para movimentar dinheiro de crime 1 a 5 anos e multa

A última linha é recente. A Lei 15.397/2026, em vigor desde 04/05/2026, incluiu a chamada conta laranja entre as formas de estelionato. A mesma lei manteve as penas do estelionato simples e da fraude eletrônica.

É réu primário quem não tem condenação criminal definitiva anterior. Essa condição não altera o mínimo e o máximo da tabela. Ela pesa na dosimetria da pena, que é o cálculo feito pelo juiz dentro desses limites, e abre os benefícios explicados adiante.

A diferença entre as duas primeiras linhas é a que mais importa. Com mínimo de 1 ano, o estelionato simples admite quase todos os benefícios. Com mínimo de 4 anos, a fraude eletrônica fecha a maior parte deles.

Réu primário por estelionato vai preso?

Réu primário por estelionato pode ser preso, mas, no estelionato simples, a lei oferece caminhos para que a pena não seja cumprida na prisão. O que define isso é o tamanho da pena fixada na sentença:

Pena fixada O que a lei permite ao réu primário
Até 4 anos Início no regime aberto e troca da prisão por pena alternativa
Mais de 4 e até 8 anos Início no regime semiaberto, sem pena alternativa

As regras estão nos artigos 33 e 44 do Código Penal. No estelionato simples, a pena do réu primário costuma caber na primeira linha. Na fraude eletrônica, só a pena fixada exatamente no mínimo de 4 anos cabe nela.

Os números mostram a distância entre o registro e a prisão. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil teve 2.261.055 registros de estelionato em 2025. No mesmo ano, foram abertos 63.771 processos penais por esse crime, e 4.819 pessoas foram presas.

Isso não significa que o processo seja leve. A condenação gera antecedentes, obriga a reparar o prejuízo e, se houver novo crime, tira a primariedade.

Réu primário no estelionato pode responder em liberdade?

Sim, em regra. O réu primário no estelionato pode responder em liberdade, porque a prisão antes do julgamento é exceção e exige motivo concreto, como define o artigo 312 do Código de Processo Penal.

A prisão cautelar é possível nesse crime, e o juiz costuma avaliar:

Entre a prisão e a liberdade plena, o juiz pode impor medidas como comparecimento periódico e proibição de contato com a vítima.

Quais benefícios o réu primário pode ter no estelionato?

Os benefícios do réu primário no estelionato podem evitar a prisão e até o próprio processo. Quase todos exigem a primariedade, e a maioria só cabe no estelionato simples:

Benefício O que exige Onde cabe
Acordo de não persecução penal Confessar, reparar o dano e cumprir condições, sem processo Estelionato simples
Suspensão condicional do processo Não ter outro processo e cumprir condições por 2 a 4 anos Estelionato simples
Estelionato privilegiado Ser primário e prejuízo de pequeno valor Estelionato simples
Pena alternativa Pena de até 4 anos Simples e, só com pena mínima, fraude eletrônica

Os dois primeiros evitam a condenação. No acordo, previsto no artigo 28-A do Código de Processo Penal, o Ministério Público deixa de denunciar. Na suspensão, do artigo 89 da Lei 9.099/1995, o processo fica parado e é extinto ao fim do prazo, se tudo for cumprido.

Nenhum deles é automático. Em 22/04/2026, no AgRg no REsp 2.088.701/PR, a Sexta Turma do STJ listou os requisitos objetivos do acordo, entre eles a primariedade e a pena mínima inferior a 4 anos. Decidiu também que, se o promotor recusar a proposta, a defesa pode pedir a revisão por órgão superior do Ministério Público.

No estelionato privilegiado, o juiz pode trocar a reclusão por detenção, reduzir a pena de um a dois terços ou aplicar só a multa. É a mesma regra do furto privilegiado.

A pena alternativa mais comum é a prestação de serviços à comunidade.

“No estelionato, a primeira pergunta não é o tamanho da pena. É saber se o caso é de estelionato simples ou de fraude eletrônica, porque dessa resposta depende a possibilidade de acordo”, explica o advogado João Valença, do VLV Advogados.

Devolver o dinheiro livra o réu primário do processo por estelionato?

Devolver o dinheiro não livra, por si só, o réu primário do processo por estelionato, mas pode mudar bastante o resultado. O efeito depende do momento da devolução:

Quando o valor é devolvido Efeito
Antes de o juiz receber a denúncia Redução da pena de um a dois terços (Código Penal, art. 16)
Depois disso, até a sentença Atenuante, que pesa a favor no cálculo da pena
Dentro de um acordo com o Ministério Público É condição do acordo e da suspensão do processo

Há uma exceção conhecida. No cheque sem fundos, a Súmula 554 do STF define que o pagamento feito antes do recebimento da denúncia impede a ação penal. Essa regra é específica do cheque e não se estende aos outros tipos de golpe.

Para a devolução produzir efeito, alguns cuidados contam:

  1. Devolva o valor integral. Devolução parcial tem peso menor.
  2. Faça por iniciativa própria, e não por ordem judicial.
  3. Guarde o comprovante da transferência e, se possível, um recibo da vítima.
  4. Não pressione a vítima. O contato insistente pode ser visto como coação e virar motivo de prisão.

O acerto do prejuízo também pode ocorrer na esfera cível, em uma audiência de conciliação. Se não houver acordo, a vítima pode cobrar o valor na Justiça, inclusive com bloqueio judicial de contas.

Um cenário recorrente: Rafael (exemplo ilustrativo), sem antecedentes, vendeu um celular pela internet e não entregou o aparelho. Antes de a denúncia ser recebida, devolveu todo o valor e guardou o comprovante. Com o dano reparado, o Ministério Público propôs um acordo, e ele cumpriu as condições sem ser condenado.

A vítima pode retirar a queixa no estelionato?

Depende da data do fato. A vítima podia retirar a queixa no estelionato até pouco tempo atrás, mas a regra mudou em maio de 2026:

Data do fato Como funciona
Até 03/05/2026 O processo depende de pedido da vítima, salvo exceções. Ela pode voltar atrás até a denúncia ser oferecida
A partir de 04/05/2026 O Ministério Público pode processar sem pedido da vítima. Retirar a queixa não encerra o caso

A mudança veio da Lei 15.397/2026, que revogou o § 5º do artigo 171 do Código Penal. Esse parágrafo, criado pela Lei Anticrime, valia desde 2020 e exigia a chamada representação, que é a manifestação da vítima de que quer ver o autor processado.

Para os fatos anteriores, a leitura que tem prevalecido entre quem comenta a lei é a de que a exigência continua valendo, porque a regra nova é mais dura para o acusado. Os tribunais ainda vão consolidar esse ponto.

Nesses casos antigos, dois detalhes importam:

Muitos textos na internet ainda apresentam a regra antiga como atual. Antes de contar com a desistência da vítima, confira a data do fato.

Quais as chances de absolvição do réu primário no estelionato?

As chances de absolvição do réu primário no estelionato não dependem da primariedade, e sim do que a acusação consegue provar. Nenhum profissional pode prometer esse resultado. O que se pode dizer é o que costuma afastar o crime:

Sobre provas, vale conhecer uma decisão recente. Em 10/06/2026, a Terceira Seção do STJ admitiu, em caráter excepcional, a condenação por estelionato sem perícia técnica, quando e-mails, extratos bancários e testemunhas comprovam o fato. O caso foi divulgado no Informativo 896, e o processo corre em segredo de justiça.

Na prática, mensagens e extratos pesam muito, para a acusação e para a defesa. Quem é investigado deve reunir:

  1. o contrato, o anúncio ou a proposta que deu origem ao negócio;
  2. as conversas completas com a outra parte, sem cortes;
  3. comprovantes de pagamento, de entrega ou de tentativa de cumprir o combinado.

Se houver condenação, cabe apelação criminal. A absolvição definitiva encerra o caso e mantém a primariedade, embora o registro do processo ainda possa aparecer em parte das certidões, como explicamos no texto sobre ficha criminal.

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No estelionato, a primariedade vale muito, mas só quando usada no momento certo. A modalidade do crime, a data do fato, o valor do prejuízo e a reparação definem se cabe acordo, suspensão do processo ou pena alternativa, e algumas dessas portas se fecham depois da denúncia. 

É a análise individual que mostra qual caminho existe no seu caso. O VLV Advogados tem equipe dedicada ao Direito Criminal e atende online. Se você tem dúvidas sobre a situação do réu primário no estelionato, clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados.

Sobre o autor

Dr. João Valença (OAB 43370) é especialista em Direito Criminal e cofundador do VLV Advogados. Atua há mais de 10 anos na defesa de clientes em casos criminais, com atendimento em todo o Brasil. Sob sua liderança, o escritório acumula mais de 3.000 avaliações positivas e se tornou referência nacional no atendimento jurídico digital.

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Perguntas frequentes sobre réu primário no estelionato

Golpe do Pix é estelionato simples ou fraude eletrônica?

Em regra, fraude eletrônica, quando o engano acontece por rede social, telefone, mensagem ou aplicativo. Nesse caso, a pena é de 4 a 8 anos, e não de 1 a 5.

Emprestar a conta bancária para outra pessoa é crime?

Pode ser. Desde 04/05/2026, a lei pune quem cede a conta para que por ela passe dinheiro que financia crime ou que vem de crime. A pena é a do estelionato simples.

Réu primário pode fazer o acordo com o Ministério Público mais de uma vez?

Não em seguida. Quem já foi beneficiado por acordo, transação penal ou suspensão do processo nos cinco anos anteriores ao novo fato não pode receber outra proposta.

O delegado pode arbitrar fiança no estelionato?

Não. O delegado só concede fiança em crimes com pena máxima de até 4 anos, e a do estelionato simples é de 5. Nesse caso, o pedido é feito ao juiz.

Quem é condenado por estelionato deixa de ser réu primário?

A condenação definitiva passa a contar para o futuro. Se a pessoa cometer novo crime depois dela, será reincidente, e a maior parte dos benefícios deste artigo deixa de valer.

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Autor

  • joao valenca

    OAB 43.370 - Advogado especialista em Direito Criminal, especialista em Processo Penal e sócio fundador do VLV Advogados, escritório de advocacia digital com quase 10 anos de experiência em atendimento em todo o Brasil.

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