Audiência de conciliação no divórcio: como funciona e o que acontece nela

Data marcada e medo de ceder demais? A audiência de conciliação no divórcio é a etapa em que o casal, com advogados, tenta resolver guarda, pensão e partilha antes que o processo se arraste por anos.

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Audiência de conciliação no divórcio: entenda como funciona!

Receber a intimação para uma audiência de conciliação costuma gerar mais ansiedade do que o próprio pedido de divórcio. Você não sabe quem estará na sala, o que vão perguntar nem se pode perder algum direito ali.

A audiência de conciliação no divórcio é o primeiro encontro formal do processo litigioso. 

Nela, um conciliador ou mediador ajuda o casal, sempre com advogados, a tentar um acordo sobre guarda, convivência, pensão, partilha de bens e uso do nome. Não é um julgamento, e ninguém sai dali condenado.

Como o VLV Advogados atua em Direito das Famílias, reunimos neste guia as dúvidas que mais aparecem às vésperas dessas audiências. A seguir, você vê o passo a passo da sessão, as perguntas mais comuns e o que acontece com ou sem acordo.

Entender como a audiência funciona ajuda você a chegar mais seguro e a não decidir no impulso. Se quiser analisar o seu caso antes da data marcada, nossa equipe pode conversar com você. Clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

Como funciona a audiência de conciliação no divórcio?

A audiência de conciliação no divórcio funciona como uma conversa conduzida por um terceiro neutro, marcada logo depois que o juiz recebe a ação. Em regra, todo divórcio litigioso passa por ela. 

O outro cônjuge é citado com pelo menos 15 dias de antecedência, e o mandado traz só data, horário e local, sem cópia da petição inicial (art. 695 do CPC). A intenção é que ele chegue sem se sentir atacado pelos pedidos, mas ele pode examinar o processo a qualquer momento.

Na prática, a sessão costuma seguir este roteiro:

  1. abertura: o mediador se apresenta e explica as regras, inclusive o sigilo;
  2. exposição: cada lado diz o que espera resolver;
  3. negociação: propostas e contrapropostas, às vezes em conversas separadas com cada parte;
  4. fechamento: havendo acordo, ele é escrito em um termo; não havendo, isso fica registrado.

A audiência também pode ser online, porque o CPC autoriza sua realização por meio eletrônico (art. 334, §7º) e a Resolução CNJ 354/2020 regulamenta as audiências por videoconferência. As regras variam conforme o tribunal, então confira na intimação se haverá link ou endereço. 

O VLV atende de forma online, inclusive pelo aplicativo do escritório, o que permite alinhar a estratégia mesmo quando você está em outra cidade. Se a dúvida for sobre papelada, separe com antecedência os documentos para o divórcio e veja como funciona o divórcio online.

Quem participa da audiência?

Participam da audiência os dois cônjuges, os advogados ou defensores públicos de cada um e o conciliador ou mediador. 

A presença de advogado é obrigatória (art. 695, §4º, do CPC), e quem não puder comparecer pessoalmente pode enviar um representante com procuração específica para negociar (art. 334, §10).

O juiz nem sempre está na sala. A sessão costuma acontecer no Cejusc, o centro de conciliação do tribunal. Em família, o mais comum é a mediação, que o CPC indica para pessoas com vínculo anterior; a conciliação é preferida quando não há esse vínculo (art. 165, §§2º e 3º). 

Em um divórcio com filhos, o Ministério Público é ouvido antes da homologação de qualquer acordo (art. 698).

Quanto tempo ela costuma durar?

A audiência de conciliação não tem duração fixada em lei. Ela pode levar poucos minutos, quando ninguém quer negociar, ou algumas horas, quando há muitos pontos sobre filhos e bens.

Se o caso for complexo, a audiência pode ser dividida em várias sessões (art. 696 do CPC). Nesse intervalo, o juiz ainda pode tomar medidas urgentes, como fixar pensão provisória. O tempo total do processo também depende disso.

O que o juiz pergunta na audiência de divórcio?

Na audiência de divórcio, o juiz, ou mais comumente o conciliador ou mediador, pergunta se há chance de acordo e como o casal pretende resolver filhos, pensão e bens. 

Ninguém pergunta quem é culpado pelo fim do casamento: desde a Emenda Constitucional 66/2010, o divórcio não depende de motivo nem de prazo.

As perguntas mais comuns giram em torno de quatro temas:

a) Guarda e convivência: com quem os filhos vão morar e como serão finais de semana, férias e datas especiais;

b) Pensão alimentícia: quanto ganha quem paga, quais são os gastos dos filhos e qual o valor, a data e a forma de pagamento (desconto em folha ou depósito);

c) Partilha: quais bens e dívidas existem, quem fica no imóvel e como será a divisão;

d) Nome: se quem adotou o sobrenome do outro vai mantê-lo ou voltar ao nome de solteiro.

Responda com calma e deixe a negociação técnica com seu advogado. Você não é obrigado a aceitar nenhuma proposta na hora e pode pedir tempo para analisar. Se ainda não sabe quais custos estão em jogo, vale entender quanto custa um divórcio.

“Na audiência, a pergunta mais importante não é a que o conciliador faz, e sim a que você já respondeu com seu advogado antes: até onde dá para ceder em pensão e convivência sem prejudicar os filhos. Quem chega com esses limites definidos negocia com mais tranquilidade e não assina nada por cansaço”, orienta o Dr. Luiz Vasconcelos Jr., advogado de Direito das Famílias do VLV.

O divórcio litigioso pode virar consensual na audiência?

Sim, o divórcio litigioso pode virar consensual na audiência. Se vocês chegarem a um acordo, ele é escrito em um termo e homologado por sentença (art. 334, §11, do CPC), com o mesmo valor de uma decisão judicial. 

Isso pode acontecer na audiência ou em qualquer fase do processo, como explicamos no guia sobre homologação de divórcio.

O acordo também pode ser parcial: dá para fechar divórcio, guarda e pensão e deixar a partilha para o juiz decidir, porque o CPC permite sentença sobre só parte do processo (art. 354, parágrafo único). 

Quando há acordo, o divórcio costuma ser concluído em até 60 dias, conforme o ritmo da vara e do cartório que fará a averbação. É o mesmo caminho de um divórcio consensual.

O acordo, porém, não é a regra. Segundo o Justiça em Números 2026, do CNJ, 11,2% dos processos resolvidos em 2025 em todo o Judiciário terminaram em acordo homologado. 

Na fase de conhecimento, em que acontece essa audiência, o índice sobe para cerca de 17,8%. Os números incluem todos os tipos de ação, não só divórcio, mas mostram que preparação faz diferença.

Caso inspirado em situações atendidas pelo nosso escritório:

Uma mãe de dois filhos entrou com o divórcio litigioso porque o ex-marido queria vender a casa da família e não aceitava discutir a pensão. 

Na audiência, com os limites definidos previamente com a advogada, o casal fechou guarda compartilhada, calendário de convivência e valor da pensão, deixando apenas o imóvel para decisão judicial.

O acordo parcial foi homologado e o processo seguiu só quanto à partilha. Isso trouxe previsibilidade aos filhos sem que ninguém abrisse mão do patrimônio. 

O desfecho decorreu das circunstâncias desse exemplo e não representa previsão para outros casos.

O que acontece se não houver acordo na audiência de conciliação?

Se não houver acordo na audiência de conciliação, o processo segue o procedimento comum (art. 697 do CPC), e o cônjuge citado tem 15 dias úteis para apresentar contestação. 

O prazo conta da audiência ou da última sessão (art. 335, I, do CPC). Depois vêm a réplica, a organização do processo e, se necessário, provas e audiência de instrução.

A falta de acordo não impede o divórcio. Como ele não depende da vontade do outro, o juiz pode decretá-lo antes do fim do processo e continuar discutindo só guarda, pensão e bens. Isso vale inclusive quando o cônjuge não quer assinar o divórcio. 

Depois da audiência de conciliação

Audiência de conciliação ou mediação (art. 695 do CPC)

Com acordo

  1. Termo de acordo assinado
  2. Homologação por sentença
  3. Averbação no cartório de registro civil
  4. Divórcio concluído, em geral em até 60 dias

Sem acordo

  1. Contestação em 15 dias úteis
  2. Réplica do autor
  3. Organização do processo e provas
  4. Audiência de instrução, se necessária
  5. Sentença

O acordo pode acontecer em qualquer fase e pode ser parcial.

Quanto tempo depois da audiência de conciliação sai a sentença?

A sentença depois da audiência de conciliação sai em tempos bem diferentes. Com acordo, a homologação pode acontecer na própria audiência ou nos dias seguintes. 

Sem acordo, o tempo depende de provas, perícias e da agenda da vara, e pode levar de alguns meses a anos.

Mesmo sem acordo, o divórcio em si pode ser decidido antes, por julgamento parcial do mérito (art. 356 do CPC), já que ele não depende de prova. 

Chegar preparado muda o rumo da audiência

imagem representando advogada orientando cliente sobre acordo antes da audiência de divórcio
Chegar preparado muda o rumo da audiência

A audiência de conciliação é a chance de resolver filhos, pensão e bens em semanas, e não em anos. Ela só funciona bem quando você conhece seus direitos e sabe até onde negociar. 

Cada caso tem particularidades, e a forma de aplicar essas regras pode mudar conforme o tribunal e a situação da família.

Se a sua audiência está marcada, você pode conversar com a nossa equipe para analisar o caso com calma. Clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados

Sobre o autor

Dr. Luiz Vasconcelos Jr. é advogado inscrito na OAB sob o nº 43.462, cogestor do VLV Advogados e atua em Direito das Famílias e Sucessões. Possui formação complementar pela AASP em temas de Direito Civil, Família e Sucessões, além de estudos pela PUC-Rio nas áreas de alienação parental e perícias psicológicas. 

Direito Civil | Direito de Família | Direito Criminal | Direito Previdenciário | Direito Trabalhista | Direito Bancário

Perguntas frequentes

A audiência de conciliação pode ser dispensada?

Sim, a audiência de conciliação pode ser dispensada quando os dois cônjuges declaram expressamente que não querem acordo. Foi o que decidiu o TJ/SP no Agravo de Instrumento 2154695-04.2025.8.26.0000 (2ª Câmara de Direito Privado, rel. Des. Fernando Marcondes, publicado em 15/10/2025), e os tribunais também a afastam em casos de violência doméstica.

Se só um recusar, a regra é que ela aconteça (o STJ discute exceções no Tema 1.271, ainda sem tese), e faltar sem justificativa pode gerar multa de até 2% da vantagem econômica pretendida ou do valor da causa (art. 334, §8º, do CPC).

O que eu disser na audiência pode ser usado contra mim depois?

O que você disser na audiência de conciliação, em regra, não pode ser usado contra você depois, porque a sessão é protegida por confidencialidade (art. 166 do CPC e art. 30 da Lei 13.140/2015). A exceção são informações sobre crime de ação pública, que não ficam cobertas pelo sigilo.

Posso levar testemunhas à audiência de conciliação?

Não é preciso levar testemunhas à audiência de conciliação, porque nela não se produzem provas: o objetivo é negociar. As testemunhas só são ouvidas na audiência de instrução, se o processo chegar a essa fase sem acordo.

O acordo fechado na audiência pode ser desfeito?

O acordo fechado na audiência, depois de homologado, só pode ser desfeito em situações excepcionais, como erro, dolo ou coação, por ação própria (art. 966, §4º, do CPC). Pensão e guarda, porém, podem ser revistas se a situação mudar (art. 1.699 do Código Civil), por isso leia o termo com seu advogado antes de assinar.

Quem fala primeiro na audiência de conciliação?

Na audiência de conciliação, quem fala primeiro costuma ser o conciliador ou mediador, que abre a sessão explicando as regras; depois, em geral, a parte que entrou com a ação expõe o que pretende. Não há ordem fixada em lei, e seu advogado pode falar por você.

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Autor

  • Dr. Luiz Vasconcelos Jr

    OAB 43.462 - Advogado familiarista e cogestor do VLV Advogados, pós graduado em Direito Público e Privado.

    Bacharel em Direito pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e Capacitação pela AASP e TRIADE/IBDFAM em questões de direito civil, especialmente direito das famílias/sucessões (inventário) e pela PUC/RJ em alienação parental e perícias psicológicas

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