Cuidados ao comprar na Shein: taxas e direitos

Compras de até US$ 50 na Shein deixaram de pagar Imposto de Importação em maio de 2026. Entenda o que mudou, quanto ainda se paga e o que fazer quando o pedido não chega. 

imagem representando compras na Shein.
Cuidados ao comprar na Shein: entenda as dicas e não erre!

Comprar na Shein é uma importação. Isso muda a conta final, o prazo de entrega e o caminho a seguir quando algo dá errado. A tributação mudou em 13 de maio de 2026. 

A Medida Provisória 1.357/2026 zerou o Imposto de Importação de 20% que incidia sobre compras de até US$ 50 feitas por pessoas físicas em plataformas com a Shein. 

O ICMS estadual continua sendo cobrado, com alíquotas entre 17% e 20% conforme o estado. A regra ainda não é definitiva: a MP foi prorrogada pelo Congresso e tem prazo até setembro.

A seguir, como funciona a taxação hoje, como calcular o valor final de um pedido e o que fazer quando o produto não chega, vem com defeito ou é diferente do anunciado.

Como funciona a taxação de compras na Shein em 2026

A taxação depende da faixa de valor do pedido. Compras de até US$ 50 pagam 0% de Imposto de Importação e apenas o ICMS estadual, entre 17% e 20%. 

Compras acima desse valor voltam a pagar imposto federal, somado ao mesmo ICMS. Em ambos os casos o tributo é calculado e cobrado no próprio checkout, porque a Shein é certificada no programa Remessa Conforme. O pacote chega ao Brasil com a tributação quitada. 

Faixa de valor Imposto de Importação ICMS
Até US$ 50 0% 17% a 20%, conforme o estado
De US$ 50,01 a US$ 3.000 30%, com desconto fixo de US$ 30 sobre o tributo 17% a 20%, conforme o estado
Regra aplicável: valores vigentes desde 13 de maio de 2026, conforme a Medida Provisória 1.357/2026, para plataformas certificadas no Remessa Conforme.

O que mudou em maio foi a primeira faixa. O Imposto de Importação de 20% sobre compras de até US$ 50, criado em agosto de 2024 e apelidado de “taxa das blusinhas”, foi zerado pela Medida Provisória 1.357/2026, com efeito a partir de 13 de maio de 2026. 

Qual o valor máximo para não ser taxado na Shein

Não existe valor que fique completamente livre de tributação. O que existe é a faixa de até US$ 50, isenta do Imposto de Importação federal desde maio de 2026, mas que continua pagando ICMS estadual, entre 17% e 20% conforme o estado de destino.

Ou seja, mesmo uma compra pequena chega com acréscimo. A pergunta faz sentido porque a regra mudou três vezes em pouco tempo. Vale entender a linha do tempo:

Período Imposto de Importação até US$ 50 ICMS
Até agosto de 2024 Isento Cobrado
De agosto de 2024 a maio de 2026 20% A chamada “taxa das blusinhas” Cobrado
Desde 13 de maio de 2026 0% Cobrado
Atenção: o ICMS é estadual, varia de 17% a 20% conforme o estado de destino e nunca esteve incluído na isenção.

Em todos esses períodos o ICMS permaneceu. Ele é estadual, incide sobre todas as remessas internacionais e nunca esteve incluído na isenção.

Como calcular o valor final da compra na Shein, com exemplo numérico

O cálculo tem três etapas: converter o valor do pedido para reais pela cotação do dólar, aplicar o Imposto de Importação quando houver, e somar o ICMS do estado de destino. 

Para compras de até US$ 50 em plataformas certificadas, só a terceira etapa incide. O valor aparece discriminado no checkout, então dá para conferir antes de fechar o pedido.

Compra de até US$ 50

Um pedido de US$ 40, com o dólar a R$ 5,08:

Antes de maio de 2026, o mesmo pedido pagaria ainda R$ 40,64 de Imposto de Importação, chegando perto de R$ 287.

Compra acima de US$ 50

Um pedido de US$ 80, com o mesmo câmbio:

Perceba o efeito do desconto fixo nessa faixa. Ele reduz o imposto devido e, em pedidos logo acima de US$ 50, pode zerá-lo. Três fatores mudam o resultado:

O que fazer quando o produto da Shein não chega

O primeiro passo é confirmar se o prazo realmente venceu, porque remessas internacionais ficam dias sem atualização durante o desembaraço aduaneiro. 

Vencido o prazo, a reclamação começa na própria plataforma, em “Meus Pedidos”, com a opção de informar o não recebimento. Sem solução, o caminho segue para os canais públicos de defesa do consumidor. O percurso costuma ser este:

O Código de Defesa do Consumidor se aplica a compras em plataformas que direcionam sua oferta ao Brasil. Pelo art. 35, descumprida a oferta, o consumidor pode exigir o cumprimento, aceitar produto equivalente ou pedir a devolução do valor pago, com correção.

O que fazer quando o produto vem com defeito ou diferente do anunciado

Produto com defeito segue o art. 26 do Código de Defesa do Consumidor: 30 dias para reclamar em bens não duráveis e 90 dias em bens duráveis, contados do recebimento. 

Produto diferente do anunciado é descumprimento de oferta, tratado pelo art. 35. E, como toda compra na Shein é feita fora do estabelecimento físico, vale ainda o direito de arrependimento do art. 49, que permite desistir em até 7 dias do recebimento, sem precisar justificar.

O que fazer em cada caso:

Tamanho diferente da tabela de medidas é falha de informação. Se a peça não corresponde às medidas informadas no anúncio, o caso é de descumprimento de oferta, não de arrependimento. 

A distinção importa porque, no arrependimento, o custo da devolução é da loja, e a discussão sobre quem paga o frete de retorno é justamente onde esses casos travam. 

Meus direitos valem em compra internacional?

O Código de Defesa do Consumidor se aplica quando a plataforma estrangeira direciona sua oferta ao mercado brasileiro, com site em português, preços em reais e afins.

Nesse cenário, a relação é de consumo regida pela lei brasileira, ainda que a empresa não tenha sede no país. O art. 1º do CDC estabelece que suas normas são de ordem pública e interesse social, o que impede que sejam afastadas por termos de uso da plataforma.

Na prática, isso garante os mesmos direitos de qualquer compra online. A diferença não está no direito, e sim na execução. Cobrar uma empresa sem sede no Brasil é mais lento, o suporte costuma ser padronizado e a solução extrajudicial nem sempre chega. 

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados

Sobre o autor

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