Nota falsa de R$200: o que acontece com quem recebe sem saber
Cinco pessoas foram presas na Bahia vendendo notas falsas de R$ 200. Mas quem fica com o prejuízo quando a cédula falsificada chega às suas mãos?
Na manhã de 5 de junho, a Polícia Militar flagrou cinco pessoas comercializando notas falsas de R$ 200 no centro comercial de Conceição da Feira, no interior da Bahia. Foram apreendidas 34 cédulas falsificadas e quatro celulares.
No fim da cadeia, porém, quem costuma arcar com o prejuízo não é quem fabricou nem quem vendeu, é o cidadão comum que recebeu a nota sem desconfiar de nada e, na hora de descobrir, não sabe o que fazer. Receber nota falsa sem saber é crime? Quem ressarce o prejuízo? O que a lei prevê para quem fabrica e distribui dinheiro falsificado?
Os especialistas em Direito Criminal do VLV Advogados respondem a essas perguntas. Se você está passando por isso ou quer entender seus direitos, fale conosco.
Desse modo, pensando em te ajudar, preparamos este artigo no qual você aprenderá:
Recebi uma nota falsa sem saber: cometi algum crime?
Receber uma nota falsa sem ter conhecimento de que ela é falsificada não configura crime. O Código Penal brasileiro exige, para a condenação por moeda falsa, que o agente tenha agido com dolo, ou seja, com conhecimento e intenção. Quem recebeu a cédula no troco, em uma venda ou em qualquer outra transação sem desconfiar de nada está protegido pela boa-fé.
O problema começa se, após descobrir que a nota é falsa, a pessoa tentar colocá-la de volta em circulação, repassando para outra pessoa, usando em uma compra ou em qualquer outra transação. Essa conduta está prevista no art. 289, §2º do Código Penal e configura crime, ainda que com pena menor do que a prevista para quem fabrica ou distribui intencionalmente: detenção de seis meses a dois anos, mais multa.
Em outras palavras: o que define se há ou não crime não é ter a nota: é o que você faz depois de saber que ela é falsa. Quem descobre que está com uma nota falsificada deve interromper qualquer tentativa de usá-la e seguir os passos corretos.
E se eu tentar usar a nota sem saber que era falsa, é crime?
Não. Se no momento em que você usou a nota não sabia que ela era falsificada, não há crime. A lógica é a mesma do bloco anterior: sem conhecimento, não há dolo, e sem dolo, não há condenação por moeda falsa.
O Código Penal só pune quem age sabendo. Isso vale tanto para quem guarda a nota quanto para quem tenta gastá-la: se a boa-fé estava presente, o direito penal não alcança essa conduta.
Onde está o limite?
A linha que separa a boa-fé do crime é o momento em que a pessoa descobre que a nota é falsa. Antes dessa descoberta, qualquer uso da cédula é penalmente irrelevante. Depois dela, repassar a nota a outra pessoa já configura o crime previsto no art. 289, §2º do Código Penal, mesmo que a intenção seja apenas “se livrar do prejuízo”.
O que pode complicar na prática
Mesmo sendo inocente, quem é abordado com notas falsas pode ser levado à delegacia para prestar esclarecimentos. Nesses casos, demonstrar boa-fé é essencial, e isso inclui explicar como recebeu a nota, em qual estabelecimento, em que circunstâncias. Quanto mais detalhes a pessoa conseguir fornecer, mais fácil fica afastar qualquer suspeita.
O que fazer quando descobrir que se tem uma nota falsa?
A primeira regra é a mais importante: não tente usar a nota nem repassá-la para outra pessoa. Como explicado anteriormente, esse é o momento em que a boa-fé deixa de ser uma proteção jurídica. O caminho correto é:
1. Separe a nota imediatamente Retire-a de circulação e não a misture com as cédulas verdadeiras. Não a destrua, ela é material de prova.
2. Registre um boletim de ocorrência O BO protege você legalmente e documenta que a nota chegou às suas mãos como vítima, não como cúmplice. Tente lembrar onde e de quem recebeu: estabelecimento, horário, circunstâncias. Esses detalhes importam para a investigação.
3. Leve a nota a uma agência bancária Qualquer banco é obrigado a recolher cédulas suspeitas e encaminhá-las ao Banco Central para análise. O procedimento é gratuito e não gera consequências para quem entrega de boa-fé.
4. Aceite o prejuízo financeiro Não há ressarcimento automático para quem recebeu nota falsa. A cédula é recolhida e o valor não é devolvido. Se a nota foi recebida em um estabelecimento comercial identificado, é possível tentar o ressarcimento na via cível.
Como identificar uma nota de R$ 200 falsa?
A nota de R$ 200, a mais falsificada em circulação atualmente, tem elementos de segurança que podem ser verificados sem nenhum equipamento:
- Cédulas verdadeiras são impressas em papel-moeda com fibras de algodão.
- Passe o dedo sobre o número “200”, o retrato do lobo-guará e a palavra “BRASIL”.
- Ao segurar a nota contra a luz, aparecem a imagem do lobo-guará e o número “200” em tons mais claros.
- Há um fio metálico embutido no papel, visível quando a nota é inclinada.
- O número “200” no canto inferior direito da frente muda de dourado para verde quando a nota é inclinada.
Fique atento! E lembre de não repassar nota falsa, o prejuízo pode ir para você.
Sofreu um golpe de nota falsa? Saiba o que fazer!
Cair no golpe da nota falsa não é descuido é consequência de uma ação criminosa que prejudica quem menos tem culpa.
Se você passou por isso, o primeiro passo é não tentar resolver sozinho: não use a nota, não a descarte e registre um boletim de ocorrência.
A partir daí, um advogado pode orientar se há caminhos para buscar ressarcimento e garantir que você não seja responsabilizado por algo que não cometeu.
Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados
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