Entenda por que alguns réus são absolvidos no júri
Você já se perguntou por que alguns réus acabam absolvidos no júri mesmo em casos graves? Entender como os jurados decidem ajuda a enxergar a Justiça.
O Tribunal do Júri costuma gerar dúvidas, especialmente quando ocorre uma absolvição inesperada.
Para entender esses resultados, você precisa saber como o júri funciona, quais provas realmente convencem e por que os jurados têm liberdade para decidir conforme a própria consciência.
No júri, quem define o desfecho não é o juiz, mas sete cidadãos que avaliam tudo o que veem e ouvem no plenário.
Por isso, alguns veredictos surpreendem quem acompanha apenas por fora, sem perceber como cada detalhe influencia a convicção dos jurados.
Quando você entende esse mecanismo, percebe que a absolvição não aparece por acaso.
Ela nasce de falhas de prova, versões inconsistentes ou teses jurídicas que enfraquecem a acusação, e, nesses casos, a atuação de um advogado experiente faz diferença real no resultado do julgamento.
Sabemos que questões jurídicas podem gerar dúvidas, e entender seus direitos é essencial para tomar decisões informadas. Em caso de dúvidas sobre o assunto, entre em contato aqui!
Desse modo, pensando em te ajudar, preparamos este artigo no qual você aprenderá:
- O que acontece no júri brasileiro?
- Por que réus são absolvidos no júri?
- 1. Falta de provas suficientes no júri
- 2. Contradição entre testemunhas no júri
- 3. Legítima defesa bem demonstrada ao júri
- 4. Ausência de dolo (intenção de matar)
- 5. Fragilidade dos laudos periciais apresentados
- 6. Excludentes de ilicitude alegados no júri
- Um recado final para você!
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O que acontece no júri brasileiro?
O Tribunal do Júri julga crimes dolosos contra a vida e funciona em duas etapas: a fase de instrução e a fase de julgamento.
Primeiro, o juiz analisa se existem elementos mínimos de autoria e materialidade para levar o réu ao plenário.
Se esses indícios não existirem, o caso nem chega ao júri, porque não se justifica colocar alguém diante de jurados sem base mínima para acusar.
Quando o processo segue adiante, o julgamento ocorre em plenário, diante de sete jurados escolhidos no próprio dia.
Eles escutam testemunhas, vêem o interrogatório, acompanham debates entre defesa e acusação e, ao final, respondem aos quesitos que determinam culpa ou inocência.
É um procedimento direto, mas que exige atenção a cada detalhe apresentado.
O ponto central é que os jurados decidem conforme a consciência deles, e não de forma técnica como faria um juiz togado.
Essa liberdade é prevista na Constituição e explica por que, mesmo com provas discutíveis, o resultado pode variar conforme a percepção de cada jurado.
Por que réus são absolvidos no júri?
Para que haja condenação, a acusação precisa convencer os jurados de que o réu é culpado além de qualquer dúvida razoável.
Quando isso não acontece, a absolvição se torna o caminho natural, porque a presunção de inocência exige que qualquer incerteza beneficie o réu. Esse é um princípio básico do processo penal.
Além disso, jurados avaliam não só provas técnicas, mas a coerência das versões e o contexto apresentado pelas partes.
Como são cidadãos comuns, eles também percebem nuances humanas, contradições e fragilidades que muitas vezes passam despercebidas para quem está de fora.
Isso faz com que a absolvição possa surgir por diferentes motivos, todos ligados à falta de segurança para condenar.
É importante entender que, no júri, não existe condenação por intuição. Ou a acusação prova, ou o réu é absolvido.
E, diante dessa dinâmica, a atuação de um advogado qualificado se torna essencial para garantir que cada dúvida seja bem explorada e cada lacuna seja evidenciada.
1. Falta de provas suficientes no júri
A insuficiência de provas é uma das razões mais comuns para absolvição. O júri só pode condenar quando houver certeza de que o crime ocorreu e de que o réu foi o autor.
Quando as provas deixam lacunas, criam dúvidas ou não conectam o acusado ao fato, os jurados naturalmente se inclinam a absolvê-lo, porque não querem correr o risco de condenar alguém injustamente.
Em muitos casos, o problema está na investigação inicial. Se não houve coleta adequada de vestígios, se as testemunhas não foram ouvidas no momento certo ou se as provas técnicas são escassas, a acusação perde força.
Quanto maior a dúvida, menor a chance de condenação, já que o júri não trabalha com suposições.
Por isso, quando você observa uma absolvição por falta de provas, o que ocorreu não foi uma decisão emocional, mas uma consequência direta da fragilidade da acusação.
E essa análise sempre exige olhar técnico e detalhado, algo que um advogado experiente sabe conduzir com precisão.
2. Contradição entre testemunhas no júri
Quando as testemunhas apresentam versões divergentes, os jurados têm dificuldade em confiar no que é dito.
Se uma afirma algo e outra diz o contrário, o cenário se torna instável e pouco confiável.
Essa falta de uniformidade gera insegurança, e é natural que o júri prefira absolver do que arriscar uma condenação baseada em relatos conflitantes.
Em muitos processos, a única prova é justamente a palavra das testemunhas. Se elas se contradizem, a acusação perde consistência.
A defesa, por sua vez, explora essas inconsistências para demonstrar que a narrativa não é sólida e que a dúvida deve favorecer o réu.
Ao observar julgamentos desse tipo, você percebe que o júri funciona como um termômetro da credibilidade das versões.
Quanto maior a contradição, maior a dificuldade de condenar. E essa análise detalhada é parte fundamental do trabalho jurídico dentro do plenário.
3. Legítima defesa bem demonstrada ao júri
A legítima defesa tem forte impacto no júri porque dialoga diretamente com o instinto humano de autopreservação.
Quando o réu demonstra que enfrentou uma agressão injusta e reagiu para proteger a própria vida, os jurados tendem a compreender a situação de maneira mais empática. Isso acontece especialmente quando há provas claras da agressão inicial.
Para que a legítima defesa seja acolhida, é preciso mostrar que a reação foi proporcional e necessária.
Testemunhas, laudos e circunstâncias que confirmam a agressão costumam fortalecer essa tese, tornando a absolvição muito mais provável.
Quando a narrativa faz sentido e está alinhada às provas, ela ganha força diante dos jurados.
Por isso, uma legítima defesa bem construída não é apenas uma tese jurídica, mas uma narrativa coerente e humana. E ela precisa ser apresentada de forma clara, objetiva e convincente, algo que depende da habilidade da defesa no plenário.
4. Ausência de dolo (intenção de matar)
Como o júri só julga crimes dolosos contra a vida, a ausência de intenção de matar pode mudar completamente o destino do processo.
Quando as provas mostram que o réu não queria causar a morte, ou que não assumiu o risco disso acontecer, a acusação perde a base necessária para sustentar o crime doloso.
Nesse caso, o julgamento pode ser desclassificado ou até resultar em absolvição.
Essa situação aparece muito em crimes de trânsito ou brigas repentinas. Se não há intenção clara, os jurados tendem a reconhecer a diferença entre dolo e culpa.
Isso porque a percepção do ser humano sobre intenção é forte, e os jurados, como cidadãos comuns, sabem distinguir uma atitude consciente de uma tragédia não planejada.
Assim, a ausência de dolo não apenas enfraquece a acusação, mas pode afastar a competência do júri. Quando essa tese é bem demonstrada, o caminho natural é a absolvição ou a mudança de tipificação.
5. Fragilidade dos laudos periciais apresentados
Os laudos periciais têm um peso especial no júri, porque trazem informações técnicas sobre como o crime aconteceu.
Quando são bem feitos, ajudam os jurados a compreender o cenário. Mas quando são incompletos, contraditórios ou mal elaborados, geram desconfiança e prejudicam a acusação.
Um laudo frágil pode colocar o caso em dúvida porque não explica corretamente questões como causa da morte, trajetória do projétil ou dinâmica da agressão.
Sem essa clareza, os jurados ficam sem base técnica para sustentar uma condenação segura. A defesa, naturalmente, aproveita essas falhas para reforçar a incerteza.
É por isso que, em muitos julgamentos, a discussão sobre o laudo se torna decisiva. Se ele não oferece respostas concretas, a dúvida permanece.
E, novamente, essa dúvida beneficia o réu, como determina a lógica do processo penal.
6. Excludentes de ilicitude alegados no júri
Além da legítima defesa, outras excludentes de ilicitude podem explicar por que o réu agiu da forma que agiu.
O estado de necessidade, o estrito cumprimento do dever legal e o exercício regular de direito mostram que, embora o fato tenha ocorrido, a conduta era juridicamente justificada.
Nessas situações, não existe ilicitude, e o júri pode absolver.
O reconhecimento de uma excludente depende da análise do contexto. Os jurados avaliam se o réu realmente enfrentava um risco inevitável, cumpria uma ordem legal ou exercia um direito previsto em lei.
Quando essas circunstâncias são demonstradas com clareza, a absolvição surge como consequência natural.
Essas teses exigem explicação detalhada e sensível, porque precisam convencer não apenas pela técnica, mas pela lógica humana. E esse trabalho cuidadoso da defesa é o que permite que os jurados entendam o cenário completo.
Um recado final para você!
Sabemos que o tema pode levantar muitas dúvidas e que cada situação é única, demandando uma análise específica de acordo com as circunstâncias de cada caso.
Se você tiver alguma questão ou quiser saber mais sobre o assunto, recomendamos a consulta com um advogado especialista.
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Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do escritório Valença, Lopes e Vasconcelos Advocacia.
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