Recurso ordinário e recurso de revista: quando cabe cada um

A sentença ou o acórdão não saiu como você esperava. Recurso ordinário e recurso de revista são as ferramentas para recorrer na Justiça do Trabalho, cada uma com prazo, custo e limites próprios.

imagem representando recurso ordinário e recurso de revista
Recurso Ordinário e Recurso de Revista | Guia Prático

Quem perde uma ação trabalhista, total ou parcialmente, logo se pergunta se ainda dá para reverter a decisão. Na Justiça do Trabalho, esse caminho passa por dois recursos principais, que funcionam em etapas diferentes do processo.

O recurso ordinário leva a sentença da Vara do Trabalho para o Tribunal Regional do Trabalho (TRT). O recurso de revista leva a decisão do TRT para o Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas com regras bem mais restritas. Confundir os dois, ou perder o prazo, pode encerrar o processo antes da hora.

Como o VLV Advogados atende de forma online trabalhadores e empresas de todo o Brasil, com processos em diferentes TRTs, reunimos neste guia o que você precisa saber para entender cada etapa. Veja a seguir quando cabe cada recurso, quanto custa e o que acontece depois.

Entender esse caminho ajuda você a decidir com mais segurança se vale a pena recorrer. Se quiser que um advogado analise a decisão do seu processo, clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

Qual a diferença entre recurso ordinário e recurso de revista?

A diferença entre recurso ordinário e recurso de revista está no tribunal que julga e no que pode ser rediscutido. 

O recurso ordinário leva a sentença ao TRT, que pode reexaminar fatos, provas e direito. O recurso de revista leva o acórdão do TRT ao TST, que analisa apenas se a lei foi aplicada corretamente.

Recurso ordinário x recurso de revista

Critério Recurso ordinário Recurso de revista
Contra qual decisão Sentença da Vara do Trabalho (ou decisão do TRT em processo que começou no próprio tribunal) Acórdão do TRT em recurso ordinário
Quem julga TRT Turma do TST
O que pode ser discutido Fatos, provas e direito Somente questões de direito (Súmula 126 do TST)
Base legal Art. 895 da CLT Art. 896 da CLT
Prazo 8 dias úteis 8 dias úteis
Teto do depósito recursal (desde 1º/8/2026) R$ 14.411,57 R$ 28.823,14
Filtros extras Não há Admissibilidade no TRT e transcendência no TST

Na prática, o recurso ordinário funciona como uma segunda análise ampla do caso. O recurso de revista é excepcional: ele não existe para corrigir uma avaliação de provas que você considera injusta, mas para uniformizar a interpretação da lei trabalhista em todo o país.

O caminho dos recursos na Justiça do Trabalho

1. Sentença da Vara do Trabalho

Decisão do juiz de 1º grau

2. Recurso ordinário ao TRT

8 dias úteis · rediscute fatos, provas e direito

3. Recurso de revista (apresentado no TRT)

8 dias úteis · só questões de direito · admissibilidade no TRT

Admitido

Segue para uma Turma do TST, que analisa a transcendência e o mérito

Negado no TRT

Agravo de instrumento ao TST ou agravo interno no TRT, conforme o motivo da negativa

4. Embargos à SDI-1 (TST)

Quando há divergência entre Turmas ou com súmula

5. Recurso extraordinário (STF)

Só para questão constitucional com repercussão geral

Quando cabe recurso ordinário?

O recurso ordinário cabe contra decisões definitivas ou terminativas das Varas do Trabalho, ou seja, a sentença que julga os pedidos ou encerra o processo. 

Ele também cabe contra decisões dos TRTs em processos que começam no próprio tribunal, como ação rescisória e mandado de segurança (art. 895, I e II, da CLT). Tanto o trabalhador quanto a empresa podem recorrer.

O prazo é de 8 dias úteis, contados da intimação da decisão (art. 775 da CLT). Decisões tomadas no meio do processo (interlocutórias), em regra, não admitem recurso imediato e só podem ser questionadas no recurso contra a sentença (art. 893, §1º, da CLT). 

Como o TRT pode rever as provas, o recurso ordinário serve para discutir, por exemplo:

Um detalhe prático pouco explicado é que os recursos trabalhistas têm, em regra, efeito apenas devolutivo. 

Isso significa que a decisão pode ser executada provisoriamente até a penhora, mesmo com recurso pendente (art. 899, caput, da CLT). Se a empresa recorreu, o processo não fica totalmente parado para o trabalhador. 

Quando cabe recurso de revista?

O recurso de revista cabe contra o acórdão do TRT proferido em recurso ordinário, em ação individual, quando a decisão (art. 896 da CLT):

a) interpretar lei federal de forma diferente de outro TRT ou da Seção de Dissídios Individuais do TST, ou contrariar súmula do TST ou súmula vinculante do STF;

b) interpretar de forma divergente lei estadual, convenção ou acordo coletivo, sentença normativa ou regulamento de empresa aplicado em área maior que a do TRT que decidiu;

c) violar literalmente lei federal ou afrontar diretamente a Constituição.

O recurso de revista não serve para reavaliar provas. A Súmula 126 do TST proíbe o reexame de fatos e provas nessa fase, então pedir ao TST que “acredite na outra testemunha” leva à rejeição do recurso. Há também limites especiais:

Como funciona a admissibilidade do recurso de revista?

A admissibilidade do recurso de revista funciona em duas etapas. Primeiro, o recurso é apresentado no próprio TRT, e a presidência ou vice-presidência do tribunal verifica se ele cumpre os requisitos (art. 896, §1º, da CLT). Se for admitido, a Turma do TST faz uma nova análise antes de julgar o mérito.

Nessas duas etapas, os pontos que mais derrubam recursos são:

  1. prazo e preparo: recurso fora do prazo ou sem depósito e custas;
  2. prequestionamento: indicar o trecho do acórdão em que o TRT tratou da questão (art. 896, §1º-A, I, e Súmula 297 do TST);
  3. impugnação completa: atacar todos os fundamentos da decisão, e não apenas parte deles (art. 896, §1º-A, III);
  4. transcendência: demonstrar que a causa tem relevância econômica, política, social ou jurídica (art. 896-A, §1º, da CLT). A transcendência política aparece, por exemplo, quando o TRT desrespeita súmula do TST ou do STF.

Caso inspirado em situações atendidas pelo nosso escritório:

Um trabalhador (situação fictícia) teve o pedido de horas extras negado na sentença e também no TRT. 

A empresa, obrigada a manter controle de ponto, não apresentou os registros sem dar justificativa. Mesmo assim, o tribunal decidiu como se o ônus da prova fosse dele.

Pedir ao TST uma nova avaliação dos depoimentos esbarraria na Súmula 126. 

O recurso de revista, então, foi construído em torno de uma questão de direito: a contrariedade à Súmula 338, I, do TST, que cria presunção favorável à jornada informada pelo trabalhador quando os cartões não são apresentados sem justificativa. 

Com isso, demonstrou-se a transcendência política. Esse enquadramento é o que separa um recurso viável de uma tentativa de rediscutir provas.

Qual o valor do depósito recursal para recurso de revista em 2026?

O valor do depósito recursal para recurso de revista em 2026 tem teto de R$ 28.823,14, válido para recursos apresentados a partir de 1º de agosto de 2026. 

Para o recurso ordinário, o limite é de R$ 14.411,57. Os valores foram fixados pelo Ato SEGJUD.GP nº 381/2026 do TST e reajustados pelo INPC acumulado de julho de 2025 a junho de 2026.

O depósito funciona como garantia da condenação e só é exigido de quem foi condenado a pagar valores, o que, na prática, costuma ser a empresa (Súmula 161 do TST). Se a condenação for menor que o teto, deposita-se apenas o valor da condenação. 

A cada novo recurso, um novo depósito é exigido até que a soma alcance o total da condenação (Súmula 128, I, do TST). Além do depósito, as custas precisam ser pagas e comprovadas dentro do prazo do recurso (art. 789, §1º, da CLT).

A CLT prevê tratamento diferenciado em alguns casos (art. 899, §§ 9º a 11):

Para o advogado Dr. João Valença, do VLV Advogados, o preparo merece a mesma atenção que os argumentos: “Muitos recursos não chegam a ser analisados porque o depósito foi feito a menor ou as custas não foram comprovadas no prazo. Antes de discutir quem tem razão, confira cada guia e cada valor, porque a deserção encerra o recurso sem que o tribunal examine o mérito.”

O que vem depois do recurso de revista?

O que vem depois do recurso de revista depende do que acontece com ele. Veja os caminhos possíveis:

  1. Se o TRT negar seguimento ao recurso, o recurso cabível depende do motivo da negativa:

regra geral: agravo de instrumento ao TST, em 8 dias úteis (art. 897, “b”, da CLT), com depósito de 50% do valor exigido para o recurso que se quer destrancar (art. 899, §7º);

negativa baseada em precedente vinculante do TST: agravo interno no próprio TRT, e não mais agravo de instrumento, conforme a Resolução 224/2024 do TST, em vigor desde 24/2/2025;

negativa baseada em precedente vinculante do STF: agravo de instrumento ao TST, conforme a Resolução 226/2026, de 17/4/2026. Se a negativa misturar temas, os dois agravos devem ser apresentados ao mesmo tempo.

  1. Se a Turma do TST julgar o recurso, ainda cabem embargos à SDI-1 quando a decisão divergir de outra Turma, da própria SDI ou de súmula do TST ou do STF (art. 894, II, da CLT).
  2. Se houver questão constitucional, a última etapa é o recurso extraordinário ao STF, que exige repercussão geral (art. 102, III e §3º, da Constituição).

Em qualquer fase, as partes também podem encerrar o processo por acordo, inclusive em audiência de conciliação, ou simplesmente desistir do recurso, o que mantém a decisão anterior. 

Como o julgamento do recurso de revista ocorre em Brasília, o acompanhamento pode ser feito a distância: o VLV atende online clientes de processos em todos os estados atendidos pelo escritório.

Escolher o recurso certo começa por uma leitura técnica da decisão

Advogada destacando trechos da decisão trabalhista junto ao cliente
Escolher o recurso certo começa por uma leitura técnica da decisão

O recurso ordinário permite rediscutir fatos e provas no TRT, enquanto o recurso de revista leva ao TST apenas questões de direito, com filtros como depósito, prequestionamento e transcendência. 2Q

Prazo, valores e caminho recursal podem variar conforme o tipo de processo, o rito e o motivo da decisão, por isso cada caso exige análise própria.

O VLV Advogados atua em diversas áreas do Direito, incluindo a trabalhista, e já atendeu clientes em mais de 5 mil cidades brasileiras. 

Se você quer entender se vale a pena recorrer da decisão do seu processo, clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados

Sobre o autor

Dr. João Valença (OAB 43370) é advogado e cofundador do VLV Advogados. Atua há mais de 10 anos na defesa de clientes em todo o Brasil, com atendimento presencial e remoto. Sob sua liderança, o escritório acumula mais de 3.000 avaliações positivas e se tornou referência nacional no atendimento jurídico digital. 

Direito Civil | Direito de Família | Direito Criminal | Direito Previdenciário | Direito Trabalhista | Direito Bancário

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora para sair a sentença do recurso ordinário?

O tempo para sair a decisão do recurso ordinário (que, no TRT, se chama acórdão) não tem prazo fixo em lei e varia de tribunal para tribunal. Como referência, o TRT da 4ª Região (RS) registrou tempo médio de 120 dias para julgamento no 2º grau em 2025.

Quanto tempo leva para o TST julgar um recurso de revista?

O tempo para o TST julgar um recurso de revista não tem prazo legal e costuma ser maior que o do TRT, porque soma a admissibilidade no tribunal regional e o julgamento na Turma. Só a etapa de admissibilidade no TRT da 2ª Região (SP) levou, em média, 14,4 dias em fevereiro de 2026, e os indicadores do TST podem ser consultados no portal de estatística do tribunal.

Quem julga o recurso de revista?

O recurso de revista é julgado por uma das Turmas do TST, em Brasília (art. 896 da CLT). Antes disso, a presidência ou vice-presidência do TRT faz a primeira análise de admissibilidade.

Qual o prazo para interposição do recurso de revista?

O prazo para interposição do recurso de revista é de 8 dias úteis, contados da intimação do acórdão do TRT (art. 6º da Lei 5.584/1970 e art. 775 da CLT). A Fazenda Pública tem prazo em dobro (Decreto-Lei 779/1969).

5/5 - (2 votos)

Autor

  • Dr. João Valença

    OAB 43.370 - Advogado especialista em Direito Criminal, especialista em Processo Penal e sócio fundador do VLV Advogados, escritório de advocacia digital com quase 10 anos de experiência em atendimento em todo o Brasil.

    Ver todos os posts
Olá, tudo bem?
Fale conosco no WhatsApp! Rápido e seguro.