O que fazer ao receber um mandado de prisão: passo a passo, direitos e como se defender

Receber um mandado de prisão assusta, mas não significa que tudo está perdido. Trata-se de uma ordem judicial que pode ser questionada, e conhecer seus direitos é o primeiro passo.

imagem representando receber um mandado de prisão
O que fazer ao receber um mandado de prisão?

Descobrir que existe um mandado de prisão contra você ou alguém da família costuma vir acompanhado de medo e de muitas perguntas ao mesmo tempo. 

É normal não saber se a ordem é verdadeira, o que pode acontecer nas próximas horas e quem procurar primeiro.

O mandado de prisão é uma ordem escrita de um juiz que autoriza a prisão de uma pessoa. Ele precisa ter fundamento legal, pode ser conferido em canais oficiais e, em várias situações, pode ser revisto ou derrubado na Justiça.

O VLV Advogados atua na defesa criminal desde a sua fundação e acompanha processos de forma online em todo o Brasil, por isso reunimos aqui as dúvidas que mais aparecem nesse primeiro momento. A seguir, você vai entender o passo a passo, seus direitos e os caminhos de defesa.

Entender seus direitos ajuda você a tomar decisões mais seguras. Se quiser que um especialista analise a sua situação, clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

O que fazer ao receber um mandado de prisão?

Ao receber um mandado de prisão, o mais importante é não agir por impulso e buscar orientação jurídica antes de qualquer decisão. Siga esta ordem:

  1. Não tente resistir. Fugir não é crime por si só, mas resistir com violência ou ameaça é crime previsto no art. 329 do Código Penal, e a fuga costuma pesar contra futuros pedidos de liberdade.
  2. Confirme a ordem. Anote ou peça cópia do número do processo, do juízo que expediu o mandado e do tipo de prisão. Confira a existência da ordem em canal oficial (veja o próximo tópico).
  3. Procure um advogado criminalista ou a Defensoria Pública. O profissional consegue acessar os autos, ler a decisão que decretou a prisão e identificar se há erro ou ilegalidade.
  4. Defina a estratégia com o advogado. Conforme o caso, pode caber pedido de revogação, habeas corpus ou uma apresentação espontânea acompanhada, que evita uma abordagem na rua ou em casa.
  5. Reúna documentos e avise a família. Documento de identidade, comprovante de residência e de trabalho e laudos médicos ajudam a defesa a mostrar vínculos e condições pessoais.

Até falar com a defesa, lembre-se de que você tem o direito de permanecer calado e não precisa assinar nem confessar nada sem entender o conteúdo. 

Se a prisão tiver natureza cautelar, vale entender também como funciona a prisão provisória, que é o tipo mais comum antes da condenação.

O que é o mandado de prisão e quais são os tipos?

O mandado de prisão é a ordem judicial escrita que determina a prisão de uma pessoa e precisa indicar o fundamento legal, a pessoa procurada e a autoridade que o expediu. Todo mandado deve ser registrado no banco de dados do Conselho Nacional de Justiça, conforme o art. 289-A do Código de Processo Penal.

Os principais tipos são:

a) Preventiva: decretada durante a investigação ou o processo, quando há risco à ordem pública, à investigação ou à aplicação da lei penal (arts. 312 e 316 do CPP). Não tem prazo fixo.

b) Temporária: usada só na investigação, por 5 dias prorrogáveis por mais 5 (Lei 7.960/1989), ou 30 dias prorrogáveis por mais 30 em crimes hediondos (Lei 8.072/1990). 

c) Definitiva: ocorre após a condenação sem possibilidade de recurso (trânsito em julgado), para início do cumprimento da pena.
d) Civil por pensão alimentícia: não é criminal e decorre de dívida de alimentos, com prisão de 1 a 3 meses (art. 528, § 3º, do CPC). Temas ligados a esse caso estão no nosso blog de pensão.

Saber o tipo do mandado é o que define a estratégia de defesa. A preventiva e a temporária fazem parte das chamadas prisões cautelares, que seguem regras próprias.

Tipos de mandado de prisão: prazo e caminho de defesa

Preventiva

PrazoSem prazo fixo, com revisão a cada 90 dias

DefesaPedido de revogação ou habeas corpus

Temporária

Prazo5 + 5 dias, ou 30 + 30 em crimes hediondos

DefesaHabeas corpus e controle do prazo

Definitiva

QuandoApós condenação sem recurso possível

DefesaNo aberto ou semiaberto, exigir intimação prévia

Civil (pensão)

PrazoDe 1 a 3 meses

DefesaPagamento do débito suspende a ordem

A validade do mandado (até quando ele pode ser cumprido) é diferente do tempo de prisão depois do cumprimento.

Como puxar mandado de prisão pelo CPF?

Você pode consultar mandado de prisão pelo CPF ou pelo nome em dois canais oficiais e gratuitos ligados ao Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP 3.0), mantido pelo CNJ:

  1. Aplicativo Sinesp Cidadão: baixe o app, toque em “Mandados” e digite o nome ou apelido. Na “Busca avançada”, é possível filtrar por estado, cidade, nome da mãe, número do processo e documento.
  2. Portal do BNMP: acesse o portal oficial do CNJ e pesquise pelos dados da pessoa. A consulta pública pode exigir cadastro prévio do usuário, conforme a Resolução CNJ 417/2021.

Atenção: um resultado negativo não garante que não exista ordem. Mandados sob sigilo têm caráter restrito e não aparecem na consulta pública, e o sistema pode levar um tempo para refletir revogações. 

A base é grande: em agosto de 2026, um levantamento cruzou dados eleitorais com 280.578 mandados registrados na base do BNMP utilizada pela reportagem.

Nesses casos, o advogado pode verificar diretamente nos autos eletrônicos. Como o VLV atende online e acompanha processos em diversos estados, essa conferência é feita sem que você precise se deslocar.

Como saber se um mandado de prisão é verdadeiro?

Um mandado de prisão é verdadeiro quando consta nos autos do processo e nos sistemas oficiais, e nenhuma autoridade cobra dinheiro para evitar ou suspender a prisão. 

Ligações ou mensagens de supostos delegados, policiais ou servidores pedindo Pix para “resolver” um mandado são golpe.

Até o próprio BNMP pode ter registros indevidos: em janeiro de 2026, o CNJ identificou alteração irregular de dados no sistema feita com credenciais de usuários de tribunais obtidas ilicitamente. 

Por isso, a conferência mais segura é feita pelo advogado no processo. Desconfie, desligue e procure canais oficiais ou a defesa criminal.

O que acontece depois de receber um mandado de prisão?

Depois de receber um mandado de prisão, a pessoa é conduzida pela polícia, informada de seus direitos e apresentada a um juiz na audiência de custódia. Na prática, o que vem depois do mandado segue estas etapas:

  1. Cumprimento: a polícia pode cumprir o mandado em qualquer lugar do país, mesmo fora da comarca do juiz que o expediu (art. 289-A, § 1º, do CPP). Dentro de casa, porém, à noite só com consentimento do morador. Sem ele, a polícia aguarda o amanhecer (art. 5º, XI, da Constituição e art. 293 do CPP).
  2. Direitos imediatos: você deve ser informado do direito ao silêncio e à assistência de advogado e da família, e a prisão deve ser comunicada ao juiz e a um familiar ou pessoa indicada (art. 5º, LXII e LXIII, da Constituição).
  3. Audiência de custódia em até 24 horas: a apresentação ao juiz também vale para quem foi preso por mandado, nos termos do art. 13 da Resolução CNJ 213/2015.

Na audiência de custódia por mandado, o juiz verifica principalmente a legalidade do cumprimento, a identidade da pessoa e eventuais maus-tratos. 

É nesse momento que muitos casos de homônimo são descobertos. Ela é diferente da audiência após prisão em flagrante, em que se discute também a liberdade provisória.

Quanto tempo dura um mandado de prisão?

Um mandado de prisão dura até a data de validade registrada no BNMP, que, como regra, coincide com a data da prescrição do crime. 

Passado esse prazo sem cumprimento, o sistema considera o mandado revogado automaticamente, segundo a Resolução CNJ 417/2021 e as regras de negócio do BNMP 3.0.

Não confunda validade com tempo de prisão. A validade indica até quando a pessoa pode ser presa. Depois do cumprimento, o tempo preso depende do tipo: a temporária tem prazo fixo, a civil vai de 1 a 3 meses e a preventiva não tem prazo, mas o juiz deve revisar a necessidade a cada 90 dias (art. 316, parágrafo único, do CPP).

Os prazos de prescrição variam conforme a pena do crime (art. 109 do Código Penal). Por isso, a ideia de que o mandado “caduca” rápido é um mito: em crimes graves, ele pode valer por muitos anos. Fatores como ser réu primário não alteram a validade, mas influenciam pedidos de liberdade.

Como posso me defender de um mandado de prisão?

Você pode se defender de um mandado de prisão com medidas técnicas que dependem do tipo e do fundamento da ordem. As principais são:

a) Pedido de revogação: quando os motivos da preventiva deixaram de existir (art. 316 do CPP).

b) Habeas corpus: quando há constrangimento ilegal. O STJ exige prova pré-constituída, ou seja, todos os documentos precisam acompanhar o pedido desde o início, e em 2026 a Corte rejeitou habeas corpus justamente por falta de documentação.

c) Recolhimento do mandado e contramandado: quando a ordem foi expedida de forma irregular.

d) Pagamento da dívida, na prisão civil: pago o débito, o juiz suspende a ordem de prisão (art. 528, § 6º, do CPC).

Se a prisão for mantida, ainda podem existir alternativas, como a prisão domiciliar em situações específicas previstas em lei.

Infográfico com formas de defesa contra mandado de prisão.
Mandado de prisão: quais medidas podem ser usadas na defesa?

Quando um mandado de prisão pode ser ilegal?

Um mandado de prisão pode ser ilegal quando não tem fundamentação concreta, foi expedido contra a pessoa errada ou desrespeitou uma etapa obrigatória. 

Uma das ilegalidades mais frequentes envolve condenados ao regime aberto ou semiaberto que responderam ao processo em liberdade.

Nesses casos, a pessoa deve ser intimada para começar a cumprir a pena antes de qualquer mandado de prisão (art. 23 da Resolução CNJ 417/2021, com redação da Resolução CNJ 474/2022). 

O STJ aplicou essa regra no HC 757.739/SP (Sexta Turma, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro), em que determinou o recolhimento do mandado de um condenado ao semiaberto e a sua intimação prévia. 

A regra protege quem respondeu solto. Ela não se aplica a quem já está em prisão preventiva, nem a quem foi intimado e não se apresentou.

O Dr. João Valença, especialista em Processo Penal, orienta: “Antes de qualquer pedido, a defesa precisa ler a decisão que decretou a prisão. É ali que aparecem os erros que derrubam um mandado, como a falta de intimação prévia, um fundamento genérico ou dados de identificação incompletos.”

Caso inspirado em situações atendidas pelo nosso escritório:

Uma pessoa condenada a 2 anos e 6 meses em regime semiaberto, que respondeu a todo o processo em liberdade, descobriu um mandado de prisão em seu nome ao consultar o CPF. Ela nunca havia sido intimada para iniciar o cumprimento da pena.

A defesa identificou a ausência da intimação prévia e pediu o recolhimento do mandado com base na Resolução CNJ 474/2022. O juízo expediu o contramandado e intimou a pessoa, que iniciou a pena diretamente no regime fixado na sentença. 

Agir com orientação muda o rumo do seu caso

Mulher conversando com advogado por videochamada e fazendo anotações.
Orientação jurídica faz diferença no seu caso

Um mandado de prisão é uma ordem séria, mas não é o fim da linha. Confirmar a ordem em canal oficial, não resistir, conhecer seus direitos e entender o tipo de prisão são os passos que abrem caminho para uma defesa técnica. 

Cada caso tem particularidades, e a mesma regra pode ter aplicações diferentes conforme o processo.

O VLV Advogados atua há mais de 10 anos com atendimento jurídico digital em todo o Brasil, com acompanhamento de processos criminais também pelo app próprio do escritório. Se você quer entender a sua situação concreta, clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados

Sobre o autor

Dr. João Valença (OAB 43370) é especialista em Direito Criminal e cofundador do VLV Advogados. Atua há mais de 10 anos na defesa de clientes em casos criminais, com atendimento em todo o Brasil. Sob sua liderança, o escritório acumula mais de 3.000 avaliações positivas e se tornou referência nacional no atendimento jurídico digital. 

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Perguntas frequentes

O que acontece se eu não me apresentar no local da prisão?

Se você não se apresentar, o mandado continua em aberto e pode ser cumprido em qualquer abordagem, como uma blitz, em qualquer lugar do país. Além disso, a fuga pode ser usada como argumento contra pedidos de liberdade, por indicar risco à aplicação da lei penal.

A polícia pode cumprir mandado de prisão dentro de casa à noite?

Não, a polícia só pode cumprir mandado de prisão dentro de casa à noite com o consentimento do morador. Sem autorização, ela deve aguardar o amanhecer para entrar, conforme o art. 5º, XI, da Constituição e o art. 293 do CPP.

Quem não pode pagar advogado tem direito a defesa gratuita?

Sim, quem não pode pagar advogado tem direito à defesa gratuita pela Defensoria Pública. Núcleos de prática jurídica de faculdades de Direito também podem oferecer orientação.

Mandado de prisão por pensão é resolvido com o pagamento?

Sim, o mandado de prisão por pensão é suspenso com o pagamento do débito, conforme o art. 528, § 6º, do CPC. A dívida que autoriza a prisão abrange as três parcelas anteriores à ação e as que vencerem durante o processo (Súmula 309 do STJ).

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Autor

  • joao valenca

    OAB 43.370 - Advogado especialista em Direito Criminal, especialista em Processo Penal e sócio fundador do VLV Advogados, escritório de advocacia digital com mais de 10 anos de experiência em atendimento em todo o Brasil.

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