Audiência de Custódia: quais as chances reais de soltura?

Quando alguém é preso, as primeiras horas são as mais críticas, e é exatamente nesse período que acontece a audiência de custódia. Esse momento define se a pessoa vai continuar presa, responder em liberdade ou ter medidas alternativas aplicadas. 

homem com seu advogado em tribunal brasileiro para audiência de custódia
Quais as chances de soltura na audiência de custódia?

A audiência de custódia é o primeiro contato formal entre a pessoa presa e um juiz. Ela deve acontecer em até 24 horas após a prisão em flagrante.

Seu objetivo é bem definido: verificar se a prisão foi legal, se houve qualquer forma de abuso ou violência durante a abordagem e se a manutenção da prisão é realmente necessária.

Não se trata de um julgamento. O crime em si não é discutido nesse momento. O que está em análise é a situação imediata da pessoa presa, e a decisão tomada ali pode significar a diferença entre aguardar o processo em casa ou atrás das grades.

Muitas famílias chegam a esse momento sem entender o que vai acontecer, o que o juiz vai perguntar, o que o advogado pode pedir ou quais fatores pesam a favor ou contra a soltura. 

Os advogados criminalistas do VLV Advogados atuam em audiências de custódia e sabem que a preparação prévia influencia diretamente o resultado. Nas próximas seções, explicamos tudo.

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O que é uma audiência de custódia?

A audiência de custódia é um ato processual obrigatório que deve acontecer em até 24 horas após qualquer prisão em flagrante. Nela, a pessoa presa é apresentada pessoalmente a um juiz para que a legalidade da prisão seja avaliada de forma imediata.

Prevista no artigo 310 do Código de Processo Penal e regulamentada pela Resolução nº 213/2015 do CNJ, a audiência de custódia existe por uma razão simples: garantir que ninguém permaneça preso por mais tempo do que o necessário.

Três questões centrais estão em análise nesse momento:

Participam da audiência o juiz, o Ministério Público, o advogado do preso e, claro, o próprio preso, que tem o direito de ser ouvido e de relatar como foi tratado desde o momento da prisão.

É importante reforçar que a audiência de custódia não julga se a pessoa cometeu ou não o crime. Esse julgamento acontece em outro momento, em outra fase do processo. 

Como funciona uma audiência de custódia?

A audiência de custódia segue uma sequência estruturada, com participação do juiz, do Ministério Público e da defesa. Apesar de relativamente curta, é um dos atos mais decisivos de todo o processo penal, porque é ali que se define a situação imediata de liberdade ou prisão.

Etapas da audiência

imagem com as etapas da audiência de custódia
Etapas da audiência de custódia

1. Identificação do preso

O juiz confirma os dados pessoais da pessoa presa e verifica se ela está ciente do motivo da prisão e de seus direitos, incluindo o direito ao silêncio e o direito à assistência de advogado.

2. Verificação das circunstâncias da prisão

O juiz pergunta como foi a abordagem policial: se houve uso de força, ameaça, humilhação ou qualquer forma de violência. Esse é o momento em que o preso pode relatar qualquer irregularidade ocorrida desde o flagrante. 

3. Oitiva do preso

A pessoa presa tem a oportunidade de falar. Não é um interrogatório sobre o crime. O preso pode exercer o direito ao silêncio se preferir, e o advogado permanece ao lado.

4. Manifestação do Ministério Público

O promotor se manifesta sobre o caso, podendo pedir a manutenção da prisão, a conversão em preventiva, a concessão de liberdade provisória ou a aplicação de medidas cautelares.

5. Manifestação da defesa

O advogado apresenta seus argumentos. É nesse momento que ele pode pedir o relaxamento da prisão por ilegalidade, a liberdade provisória, a prisão domiciliar ou a substituição por medidas cautelares, como tornozeleira eletrônica ou comparecimento periódico em juízo.

6. Decisão judicial

As três possibilidades são: relaxar a prisão, conceder liberdade provisória com ou sem medidas cautelares, ou converter a prisão em preventiva.

Quanto tempo dura uma audiência de custódia?

Não existe prazo mínimo ou máximo fixado em lei para a duração da audiência. Em geral, o ato em si costuma durar entre 10 e 30 minutos.

Quais crimes vão para a audiência de custódia?

A audiência de custódia não é restrita a crimes específicos. Ela se aplica a qualquer pessoa presa em flagrante, independentemente do tipo de crime. O que determina a realização da audiência é a modalidade de prisão, não a natureza do delito.

Tanto uma prisão por tráfico de drogas quanto uma por furto simples geram o direito à audiência de custódia, desde que haja flagrante lavrado e auto de prisão em flagrante registrado.

Crimes que dificultam, mas não impedem, a liberdade na audiência

Alguns crimes tornam a concessão de liberdade provisória mais restrita por determinação legal ou pela gravidade que representam:

Nesses casos, a audiência de custódia ainda acontece e ainda pode resultar em liberdade, dependendo das circunstâncias. Mas o caminho exige uma atuação técnica mais firme.

De acordo com dados do CNJ, os crimes que mais geram audiências de custódia são 

Crimes em que a soltura é mais comum

Em situações que envolvem crimes sem violência, réus primários e circunstâncias que não indicam risco à ordem pública ou à investigação, a audiência de custódia tende a resultar em liberdade provisória ou medidas cautelares alternativas.

Tem como ser solto na audiência de custódia?

Sim, e acontece com mais frequência do que muitas pessoas imaginam. A soltura depende de uma combinação de fatores: o tipo de crime, o histórico do preso, as circunstâncias da abordagem policial e, em grande parte, a qualidade da atuação do advogado.

Quais as chances de sair na audiência de custódia?

Os dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) respondem essa pergunta com precisão. Em mais de 2 milhões de audiências realizadas desde fevereiro de 2015, 

Isso significa que aproximadamente 4 em cada 10 pessoas que passam pela audiência de custódia saem em liberdade. Não é maioria, mas é uma chance real e significativa.

Um dado que também chama atenção: relatos de tortura e maus-tratos foram registrados em 7% das audiências, totalizando quase 153 mil casos, o que reforça a importância de relatar com precisão ao juiz qualquer irregularidade ocorrida durante a prisão.

dados do que foi resolvido na audiência de custódia segundo o cnj
O que vem depois da audiência de custódia? Dados do CNJ!

O que o juiz avalia para conceder a liberdade

A decisão pela liberdade não é arbitrária. O juiz analisa um conjunto de fatores, e quanto mais favorável for esse conjunto, maiores as chances de soltura.

Os principais fatores que pesam a favor da liberdade:

Os principais fatores que pesam contra:

Vale mencionar que em outubro de 2025 o Senado Federal aprovou mudanças no Código de Processo Penal, estabelecendo critérios para orientar o juiz na avaliação da periculosidade do preso, como o modo de agir, o uso de violência e a existência de outros inquéritos em curso. 

O que vem depois da audiência de custódia?

Depois que o juiz toma a decisão na audiência de custódia, o processo segue caminhos diferentes, e o que acontece a partir dali depende do que foi decidido naquele momento. 

Se a prisão for relaxada, a pessoa é solta e o flagrante é anulado por ilegalidade. Isso não significa que o caso acabou: o inquérito policial pode continuar, e o Ministério Público ainda pode oferecer denúncia se entender que há provas suficientes.

Se o juiz conceder liberdade provisória ou medidas cautelares, como tornozeleira eletrônica, a pessoa responde ao processo em liberdade enquanto a investigação avança.

Se a prisão for convertida em preventiva, a pessoa permanece presa durante o inquérito e o processo penal, até que uma nova decisão revogue a prisão ou haja sentença definitiva.

Em todos os casos, a investigação segue seu curso: a polícia conclui o inquérito, o Ministério Público avalia o material e decide se oferece denúncia. 

Se a denúncia for recebida pelo juiz, começa formalmente a ação penal. A audiência de custódia não julga o crime, ela define apenas a situação imediata de liberdade ou prisão. O que vem depois ainda tem muito caminho pela frente.

Decisões possíveis na audiência de custódia

Relaxamento da prisão

O juiz reconhece ilegalidade no flagrante e a prisão é anulada. A pessoa é solta imediatamente.

Atenção: o inquérito pode continuar e o Ministério Público ainda pode oferecer denúncia se houver provas suficientes.

Liberdade provisória com medidas cautelares

A pessoa é solta, mas deve cumprir condições determinadas pelo juiz enquanto responde ao processo.

Exemplos: tornozeleira eletrônica, proibição de ausentar-se do município, comparecimento periódico em juízo.

Conversão em prisão preventiva

A pessoa permanece presa durante o inquérito e o processo penal, até nova decisão judicial ou sentença definitiva.

Importante: a defesa pode pedir a revogação da preventiva a qualquer momento se as circunstâncias mudarem.

Em todos os casos

A investigação continua: a polícia conclui o inquérito, o Ministério Público decide se oferece denúncia e, se recebida pelo juiz, começa a ação penal. A audiência de custódia não julga o crime — define apenas a situação imediata de liberdade ou prisão.

Caso ilustrativo: como o VLV Advogados atua nessa etapa

O caso a seguir é fictício e foi criado com base em situações reais atendidas pelo escritório, com todos os dados alterados para preservar a privacidade.

Uma mulher entrou em contato com o VLV Advogados na manhã seguinte à prisão do irmão, ocorrida durante uma operação policial no bairro onde ele morava. Segundo ela, o irmão estava em casa quando os policiais chegaram e afirmaram ter encontrado drogas no imóvel. 

Ele não tinha advogado constituído, e a família, em situação financeira apertada, precisava de uma resposta rápida antes da audiência de custódia, marcada para as próximas horas.

A equipe do VLV Advogados assumiu o caso com urgência. Antes da audiência, o advogado buscou acesso ao auto de prisão em flagrante para verificar inconsistências no registro policial.

Na audiência de custódia, o advogado relatou ao juiz as inconsistências identificadas, apresentou o histórico do cliente e pediu a liberdade provisória. O Ministério Público se manifestou pela conversão em prisão preventiva, citando a gravidade do crime de tráfico.

O juiz concedeu a liberdade provisória com medidas cautelares: proibição de ausentar-se do município sem autorização judicial e comparecimento mensal em juízo.

Depois da audiência, o trabalho continuou: acompanhamento do inquérito policial, análise das provas colhidas pela polícia e preparação da defesa para a fase seguinte do processo. 

Esse caso ilustra o que a audiência de custódia representa na prática: não o fim, mas o começo de uma defesa que precisa estar presente desde o primeiro momento.

O papel do advogado na audiência de custódia

homem e seu advogado em uma audiência de custódia
A audiência de custódia exige presença do advogado

A presença de defesa técnica na audiência de custódia é obrigatória por lei. Se a pessoa presa não tiver advogado particular constituído, o Estado deve providenciar um defensor público. 

O advogado é quem orienta o cliente sobre o direito ao silêncio, o que pode e o que não deve ser dito ao juiz, e como relatar as circunstâncias da prisão sem se prejudicar. 

Muitas pessoas chegam à audiência sem entender o que está acontecendo, e falam mais do que deveriam, ou deixam de relatar irregularidades por medo ou por não saber que podiam.

A audiência de custódia dura entre 10 e 30 minutos. O que um advogado preparado faz nesses minutos pode definir se a pessoa dorme em casa ou em uma cela.

Se alguém próximo foi preso e a audiência de custódia está marcada para as próximas horas, não espere. O tempo entre a prisão e a audiência é o tempo mais importante para a defesa.

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Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados

Sobre o autor

Dr. João Valença (OAB 43370) é especialista em Direito Criminal e cofundador do VLV Advogados. Atua há mais de 10 anos na defesa de clientes em casos criminais, com atendimento em todo o Brasil. Sob sua liderança, o escritório acumula mais de 3.000 avaliações positivas e se tornou referência nacional no atendimento jurídico digital. 

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Quanto tempo dura uma audiência de custódia?

A audiência em si costuma durar entre 10 e 30 minutos. Nesse tempo, o juiz verifica a legalidade da prisão, ouve o preso, escuta o Ministério Público e a defesa e toma a decisão. O que pode demorar mais é o tempo de espera até ser chamado, que varia conforme a demanda da vara criminal naquele dia. O prazo para que a audiência aconteça é de até 24 horas após a prisão em flagrante.

Réu primário tem mais chances na audiência de custódia?

Sim. A primariedade é um dos fatores que o juiz analisa ao decidir entre a liberdade provisória e a conversão em prisão preventiva. Réu primário, sem antecedentes criminais, com residência fixa e vínculos familiares estáveis tem um perfil que favorece a concessão de liberdade.

A pessoa pode ser solta na audiência de custódia?

Sim. Dados do CNJ mostram que aproximadamente 41% das pessoas que passam pela audiência de custódia são liberadas. O juiz pode conceder liberdade provisória com ou sem medidas cautelares, ou relaxar a prisão se identificar ilegalidade no flagrante.

A audiência de custódia acontece para qualquer crime?

Sim. A audiência de custódia se aplica a toda prisão em flagrante, independentemente do tipo de crime. O que muda não é a realização da audiência, mas o que acontece dentro dela.

O que acontece se a audiência de custódia não for realizada em 24 horas?

A não realização da audiência dentro do prazo de 24 horas configura ilegalidade da prisão. Nesses casos, a defesa pode requerer o relaxamento imediato da prisão por descumprimento do prazo legal, com base no artigo 310 do Código de Processo Penal e na Resolução nº 213/2015 do CNJ. A jurisprudência tem reconhecido que o excesso de prazo para realização da audiência de custódia é fundamento válido para a concessão de liberdade.

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Autor

  • joao valenca

    OAB 43.370 - Advogado especialista em Direito Criminal, especialista em Processo Penal e sócio fundador do VLV Advogados, escritório de advocacia digital com mais de 10 anos de experiência em atendimento em todo o Brasil.

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