O que é estupro e quais são as consequências do crime?

O artigo 213 do Código Penal define o crime de estupro: constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. A pena é de reclusão de seis a dez anos.

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O que é estupro e quais são as consequências do crime?

Poucos artigos do Código Penal geram tanta dúvida quanto o artigo 213. Desde a Lei nº 12.015/2009, o crime de estupro deixou de se limitar à conjunção carnal e passou a alcançar também outros atos libidinosos impostos mediante violência ou grave ameaça, o que ampliou bastante o alcance do dispositivo.

Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram 84.388 registros de estupro e estupro de vulnerável em 2025, média de 231 por dia. O levantamento reúne apenas as ocorrências que chegaram às polícias.

Com mais de 10 anos de atuação e quase 5 mil avaliações no Google, o setor criminal do VLV Advogados acompanha processos que envolvem crimes contra a dignidade sexual, tanto na orientação a vítimas quanto na defesa de pessoas acusadas.

Neste guia você encontra o que a lei define como estupro, a diferença entre os crimes sexuais previstos no Código Penal, a pena aplicável, os prazos para denunciar e os direitos de cada parte. Em caso de dúvidas, clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados!

Se você precisa de atendimento imediato, ligue 180. Central de Atendimento à Mulher, gratuita, sigilosa e disponível 24 horas. Em caso de risco imediato, ligue 190. Para casos envolvendo crianças e adolescentes, o Disque 100 também recebe denúncias anônimas.

O que é estupro segundo a lei brasileira?

O estupro é um dos crimes mais graves previstos na legislação brasileira, definido pelo artigo 213 do Código Penal como o ato de constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso. 

Não se trata apenas da penetração forçada, mas de qualquer forma de violência sexual que fira a liberdade e a vontade da vítima, independentemente do vínculo entre as partes.

Com a Lei nº 12.015/2009, o conceito foi ampliado para incluir o estupro de vulnerável, e a Lei 15.353/2026 reforçou que a presunção de vulnerabilidade da vítima é absoluta e não pode ser relativizada em nenhuma hipótese.

Os números são alarmantes. Segundo o Mapa da Segurança Pública 2025 do Ministério da Justiça, foram registrados 83.114 casos em 2024, média de 227 vítimas por dia, alta de 25,8% em relação a 2020. Desse total, 61,3% das vítimas são crianças com até 13 anos, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025.

O STJ reafirmou em 2026, por unanimidade, que consentimento, experiência sexual anterior ou relacionamento afetivo não afastam o crime. O STF seguiu na mesma linha no HC 262.747 (dezembro de 2025), mantendo a presunção absoluta de violência nos casos envolvendo menores de 14 anos. 

O que diz o artigo 213 do Código Penal

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O que diz o artigo 213 do Código Penal

O crime de estupro é regulado pelo artigo 213 do Código Penal Brasileiro, e sua redação atual, alterada pela Lei nº 12.015/2009, estabelece que:

“Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.”

Isso significa que o estupro vai muito além da penetração forçada,  ele engloba qualquer forma de violência sexual, seja ela física ou psicológica, desde que haja a imposição de um ato sexual sem o consentimento da vítima.

A lei considera crime tanto o estupro cometido contra mulheres quanto contra homens, reforçando o caráter de violação da liberdade sexual da pessoa.

A pena para quem comete esse crime é de 6 a 10 anos de reclusão, mas pode ser aumentada em situações mais graves.

Por exemplo, se a agressão causar lesão corporal de natureza grave ou for cometida contra vítima com idade entre 14 e 18 anos, a pena passa a ser de 8 a 12 anos.

Já se do estupro resultar a morte da vítima, o agressor pode ser condenado a 12 a 30 anos de prisão. Além disso, o Código Penal ainda prevê o crime de estupro de vulnerável, descrito no artigo 217-A, que se aplica quando a vítima é menor de 14 anos, tem alguma deficiência mental ou não pode oferecer resistência, como em casos de inconsciência ou efeito de entorpecentes.

Nestes casos, a pena é ainda mais severa, partindo de 8 anos e podendo chegar a 30 anos de prisão.

A legislação brasileira busca proteger a liberdade sexual como um direito fundamental da pessoa humana e trata com seriedade os casos em que esse direito é violado.

Conhecer a lei é essencial para combater a impunidade, garantir os direitos das vítimas e promover justiça.

Quais são os crimes sexuais previstos no Código Penal? 

Os crimes sexuais estão reunidos no Título VI do Código Penal, sob o nome “Dos crimes contra a dignidade sexual”, entre os artigos 213 e 234-C. Eles são divididos em capítulos, conforme o bem protegido e a condição da vítima.

Essa organização foi definida pela Lei nº 12.015/2009, que substituiu a antiga expressão “crimes contra os costumes”. A mudança de nome acompanhou uma mudança de foco: o que a lei protege deixou de ser a moral social e passou a ser a liberdade de cada pessoa sobre o próprio corpo.

Crimes contra a liberdade sexual

Exposição da intimidade sexual

Crimes sexuais contra vulnerável

Lenocínio e exploração sexual

Ultraje público ao pudor

O Título VI ainda traz regras que valem para todos esses crimes. O artigo 226 prevê aumento de pena conforme o vínculo entre autor e vítima, o artigo 234-A trata do aumento quando do fato resulta gravidez ou transmissão de doença, e o artigo 234-B determina que esses processos corram em segredo de justiça.

Qual é a pena do crime de estupro? 

A pena varia conforme o que aconteceu no caso concreto. O intervalo previsto no artigo 213 vai de seis anos, no mínimo do caput, a trinta anos, no máximo do § 2º, quando do fato resulta a morte da vítima.

Dentro desse intervalo, o juiz fixa a pena em três etapas. Primeiro define a pena-base, olhando para circunstâncias como os antecedentes do acusado e as consequências do crime.

Depois aplica atenuantes e agravantes. Por último incidem as causas de aumento e de diminuição, que são frações somadas ou subtraídas do valor já encontrado.

Por isso duas condenações pelo mesmo artigo podem resultar em penas bastante diferentes. O resultado depende dos fatos provados, das circunstâncias reconhecidas na sentença e das majorantes aplicáveis.

Causas de aumento de pena

As causas de aumento não criam uma pena nova. Elas elevam por fração a pena já fixada, e estão nos artigos 226 e 234-A do Código Penal.

O artigo 226 prevê:

Os dois últimos casos foram incluídos pela Lei nº 13.718/2018.

O artigo 234-A vale para todos os crimes do Título VI e prevê:

Uma mesma causa de aumento não pode ser aplicada duas vezes sobre o mesmo fato. Quando a circunstância já integra o próprio tipo penal ou uma forma qualificada, ela não pode ser contada de novo como majorante.

Por que é crime hediondo 

O estupro é crime hediondo porque está expressamente listado na Lei nº 8.072/1990. O artigo 1º inclui o estupro do artigo 213, em todas as suas formas, e o estupro de vulnerável do artigo 217-A.

Essa classificação traz consequências concretas na execução da pena:

O consentimento e seus limites  

imagem representando consentimento válido em crime de estupro
O consentimento e seus limites  

O consentimento válido é aquele dado de forma livre, consciente, por alguém em condições de decidir, e que pode ser retirado a qualquer momento. Quando falta algum desses elementos, a lei entende que não houve consentimento, ainda que não tenha havido recusa expressa.

Três situações costumam gerar confusão:

Situações em que a lei não reconhece consentimento

O ponto mais consolidado é o da idade. A Súmula 593 do Superior Tribunal de Justiça firmou que, quando a vítima tem menos de 14 anos, o eventual consentimento, a experiência sexual anterior e a existência de relacionamento amoroso com o acusado não afastam o crime. Em 2018, o Congresso incorporou esse entendimento ao próprio Código Penal, com a inclusão do § 5º no artigo 217-A.

Fora dessas hipóteses, a análise depende do conjunto de provas do caso, e não de uma regra fixa.

Entenda mais em nosso vídeo abaixo sobre estupro de vulnerável:

Como denunciar e o que acontece depois

A denúncia pode ser feita em qualquer delegacia de polícia, e não apenas nas delegacias especializadas. Desde a Lei nº 13.718/2018, os crimes sexuais são de ação penal pública incondicionada, o que significa que o Ministério Público pode agir independentemente de autorização da vítima.

Essa mudança tem um efeito prático relevante. Não existe prazo para a vítima “autorizar” o processo, e o registro da ocorrência não pode ser desfeito por desistência. Uma vez que o fato chega ao conhecimento da autoridade, a apuração segue seu curso.

Passo a passo

  1. Atendimento de saúde. Hospitais e serviços do SUS têm o dever de prestar atendimento imediato e integral a vítimas de violência sexual
  2. Registro da ocorrência. Pode ser feito em qualquer delegacia, presencialmente. Não é necessário levar provas nem estar acompanhada de advogado
  3. Exame de corpo de delito. Realizado no instituto médico legal, quando cabível. A ausência do exame não impede a denúncia nem a investigação
  4. Inquérito policial. A polícia reúne depoimentos, laudos, registros e demais elementos
  5. Manifestação do Ministério Público. Concluído o inquérito, o promotor decide entre oferecer denúncia, pedir novas diligências ou requerer o arquivamento
  6. Processo judicial. Recebida a denúncia, o processo tramita em segredo de justiça

Ao longo do processo, a vítima pode ser ouvida mais de uma vez. Quando a vítima é criança ou adolescente, a oitiva segue o procedimento do depoimento especial, previsto na Lei nº 13.431/2017, com escuta realizada em ambiente adequado e por profissional capacitado.

Até quando é possível denunciar um estupro?

Não existe um prazo para registrar a ocorrência. O que existe é o prazo de prescrição, que é o tempo dentro do qual o Estado pode punir o autor do crime.

Esse prazo é calculado a partir da pena máxima prevista para o crime:

Quando a vítima é criança ou adolescente, a contagem não começa na data do fato. Pelo artigo 111, inciso V, do Código Penal, o prazo só começa a correr quando a vítima completa 18 anos, salvo se a ação penal já tiver sido proposta antes disso. 

Essa regra foi criada pela Lei nº 12.650/2012 e ampliada pela Lei nº 14.344/2022.

O advogado criminalista do VLV Advogados, Dr. João Valença traz uma observação sobre um equívoco frequente: 

“Crime hediondo não é crime imprescritível. A Constituição prevê imprescritibilidade apenas para o racismo e para a ação de grupos armados contra a ordem constitucional. Os crimes sexuais prescrevem, ainda que em prazos longos.” explica.

Direitos da vítima 

A vítima de violência sexual tem direitos garantidos por lei desde o momento imediatamente seguinte ao fato, e eles não dependem de boletim de ocorrência nem de decisão sobre denunciar. O atendimento de saúde, em especial, é obrigatório e gratuito em toda a rede do SUS. 

Direito O que significa Base legal
Atendimento hospitalar imediato Atendimento emergencial, integral, multidisciplinar e gratuito em qualquer hospital do SUS, independentemente de registro policial. Lei nº 12.845/2013
Profilaxia de gravidez e de infecções Medicação preventiva fornecida pelo serviço de saúde. A profilaxia de doenças sexualmente transmissíveis tem eficácia até 72 horas e a contracepção de emergência até cinco dias. Lei nº 12.845/2013, art. 3º
Registro em qualquer delegacia A ocorrência pode ser registrada em qualquer unidade policial, e a apuração independe de autorização da vítima. Código Penal, art. 225
Segredo de justiça O processo tramita sem publicidade, o que restringe o acesso aos autos. Código Penal, art. 234-B
Depoimento especial Criança ou adolescente é ouvido em ambiente adequado, por profissional capacitado, com escuta única sempre que possível. Lei nº 13.431/2017
Proteção contra violência institucional Submeter a vítima a procedimento desnecessário, repetitivo ou invasivo que a leve a reviver o fato pode configurar crime. Lei nº 14.321/2022
Interrupção legal da gravidez Quando a gravidez resulta de estupro, a interrupção não é punível, mediante consentimento da gestante ou de seu representante legal. Código Penal, art. 128, II
Reparação por danos O juiz pode fixar na sentença penal um valor mínimo de indenização, sem prejuízo de ação própria no cível. CPP, art. 387, IV

A vítima também pode acompanhar o processo como assistente de acusação, por meio de advogado particular ou da Defensoria Pública. Isso permite requerer provas, participar de audiências e recorrer em determinadas situações.

Quando a violência ocorre em contexto doméstico ou familiar, aplicam-se ainda as medidas protetivas de urgência da Lei nº 11.340/2006, que podem incluir afastamento do agressor do lar e proibição de contato.

Direitos de quem é acusado 

Quem responde a uma acusação por crime sexual tem os mesmos direitos assegurados a qualquer acusado no processo penal brasileiro. A gravidade do crime não reduz essas garantias, ainda que traga restrições próprias na execução da pena, caso haja condenação.

O ponto de partida é a presunção de inocência, prevista no artigo 5º, inciso LVII, da Constituição. Ninguém é considerado culpado antes do trânsito em julgado da sentença condenatória, e o ônus de provar a acusação é de quem acusa.

Garantias aplicáveis

Caso VLV Advogados

Em um caso acompanhado pelo VLV Advogados, o acusado foi apontado como autor de um crime sexual a partir de um reconhecimento realizado sem a observância das etapas previstas em lei.

Durante a análise desse tipo de processo, a equipe pode verificar como o ato foi conduzido, se havia outras pessoas com características semelhantes no momento do reconhecimento, se houve exibição prévia de imagens e se a descrição inicial coincide com as características do acusado. Registros de localização, mensagens, depoimentos e laudos periciais também são avaliados em conjunto.

O objetivo dessa análise é verificar se os elementos reunidos sustentam a imputação, e o resultado depende do conjunto probatório de cada processo.

Exemplo genérico, sem dados que permitam identificar pessoas envolvidas.

Importância do apoio jurídico no crime de estupro

imagem representando mulher em advogada por crime de estupro
Importância do apoio jurídico no crime de estupro

O crime de estupro é um dos mais graves do Código Penal brasileiro e justamente por isso, qualquer erro no processo pode custar caro para todos os envolvidos. 

A vítima que não recebe orientação adequada pode ver o caso prescrever, perder provas ou enfrentar um processo traumatizante sem o suporte necessário. 

O acusado que não conta com defesa técnica pode ter direitos violados, sofrer prisão injusta ou ser condenado sem que as provas tenham sido devidamente contestadas.

Nos dois casos, o que muda o resultado é a qualidade da defesa jurídica desde o primeiro momento.

O VLV Advogados é referência nacional em Direito Criminal, com equipe especializada para atuar tanto na defesa de acusados quanto na representação de vítimas que buscam responsabilização e justiça. Clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados!

Se você tiver alguma questão ou quiser saber mais sobre o assunto, recomendamos a consulta com um advogado especialista.

O suporte jurídico adequado é fundamental para que decisões sejam tomadas de forma consciente e segura.

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados

Sobre o autor

A equipe VLV Advogados é composta por redatores jurídicos e advogados especializados com atuação ativa nas áreas de Família, Previdência, Trabalho, Criminal e Cível. Todo o conteúdo é baseado em casos reais, jurisprudência atualizada e legislação vigente.

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Perguntas frequentes sobre o crime de estupro

Homem pode ser vítima de estupro?

Sim. Desde a Lei nº 12.015/2009, o artigo 213 usa a palavra “alguém”, e não mais “mulher”. Qualquer pessoa pode ser vítima e qualquer pessoa pode ser autora, independentemente de gênero ou orientação sexual. Os canais de denúncia e os direitos de atendimento em saúde também se aplicam da mesma forma.

Estupro tem fiança?

Não cabe fiança, por vedação do artigo 5º, inciso XLIII, da Constituição. Isso não significa que a prisão seja obrigatória até o julgamento. O juiz pode conceder liberdade provisória sem fiança, com ou sem outras medidas cautelares, quando não estiverem presentes os requisitos da prisão preventiva.

Tentativa de estupro é crime?

Sim. Quando o ato é iniciado e não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente, aplica-se a regra da tentativa do artigo 14 do Código Penal, com a pena do crime consumado reduzida de um a dois terços. A definição do que já configura consumação depende dos atos praticados e é analisada caso a caso.

E se o acusado for menor de 18 anos?

Adolescentes não respondem a processo criminal. A conduta é apurada como ato infracional, no procedimento previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, e pode resultar em medidas socioeducativas, incluindo a internação. Criança, definida como pessoa com menos de 12 anos, fica sujeita a medidas de proteção.

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Autor

  • joao valenca

    OAB 43.370 - Advogado especialista em Direito Criminal, especialista em Processo Penal e sócio fundador do VLV Advogados, escritório de advocacia digital com mais de 10 anos de experiência em atendimento em todo o Brasil.

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