Emancipação de menor: o que é, tipos e como fazer

A emancipação de menor permite que jovens adquiram capacidade legal para realizar atos da vida civil antes dos 18 anos. Conheça os tipos e como isso impacta seus direitos.

Emancipação de menor
Emancipação de menor: o que é, tipos e como fazer

A emancipação permite que um jovem assuma a própria vida civil antes dos 18 anos: assinar contratos, abrir uma empresa, comprar e vender bens sem depender da assinatura dos pais.

É uma decisão importante, e muitas famílias chegam a ela com dúvidas. Dá para voltar atrás? O jovem pode dirigir? A pensão acaba? O VLV Advogados atende famílias nessa situação em todo o país, e essas perguntas aparecem com frequência.

A seguir, você vai entender como a emancipação funciona, como fazer e o que realmente muda depois dela.

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O que é emancipação?

O que é emancipação? É a antecipação da capacidade civil de quem ainda não fez 18 anos. Com ela, o jovem passa a praticar sozinho os atos da vida civil, como se fosse maior de idade (art. 5º do Código Civil).

Na prática, a emancipação encerra o poder familiar dos pais (art. 1.635, II). O jovem deixa de precisar de representação para contratos, negócios e documentos. Quando não há pais, essa função é do tutor, como explica o artigo sobre tutela e curatela.

Um ponto precisa ficar claro desde o início: a emancipação é irrevogável. Depois de registrada, não pode ser desfeita por arrependimento, como informa o próprio Itamaraty. E ela também traz efeitos sobre temas como a pensão alimentícia, que você verá mais adiante.

Quais são os tipos de emancipação?

Quais são os tipos de emancipação? São três: voluntária, judicial e legal. Cada uma tem uma origem e uma idade mínima diferentes:

Tipo Como acontece Idade mínima Onde
Voluntária Os pais concedem, de comum acordo 16 anos Cartório de notas
Judicial Juiz decide, para menor sob tutela, ouvido o tutor 16 anos Justiça
Legal: casamento Acontece automaticamente com o casamento 16 anos Registro civil
Legal: emprego público efetivo Posse em cargo público efetivo Sem idade mínima na lei Automática
Legal: faculdade Colação de grau em curso superior Sem idade mínima na lei Automática
Legal: economia própria Emprego ou negócio que garanta renda própria 16 anos Automática

Na emancipação legal, não é a idade que emancipa, é o fato. Casar, por exemplo, emancipa na hora, e com o casamento vêm escolhas como o regime de bens. Na prática, isso é raro: segundo as Estatísticas do Registro Civil 2024, do IBGE, a idade média ao casar foi de 29,3 anos para mulheres e 31,5 para homens.

A emancipação judicial não serve para qualquer jovem que “demonstre maturidade”. Ela é para o menor sob tutela, sem pais com poder familiar, um tema aprofundado nas 13 dúvidas sobre tutela e curatela.

Como emancipar um filho de 16 anos?

Como emancipar um filho de 16 anos? Pela emancipação voluntária, feita por escritura pública em qualquer cartório de notas, com o acordo dos dois pais. O passo a passo é este:

  1. Conversem em família e confirmem que a decisão é conjunta.
  2. Agendem no cartório de notas, presencialmente ou por videoconferência pelo e-Notariado.
  3. Assinem a escritura: pais e filho participam, e ela costuma ser lavrada no mesmo dia.
  4. Registrem a escritura no cartório de Registro Civil da comarca onde o jovem mora (art. 89 da Lei 6.015/1973).
  5. Façam a averbação na certidão de nascimento, que passa a mostrar a emancipação.

O passo 4 não é opcional: antes do registro, a emancipação não produz efeito (art. 91, parágrafo único, da Lei 6.015). Depois dele, vale pedir uma certidão de nascimento atualizada, que é o documento que bancos e órgãos públicos vão exigir. Se houver erro nos dados, a correção segue o caminho da retificação de registro civil.

Para famílias que moram no exterior, a escritura pode ser feita no consulado brasileiro e depois registrada no Brasil.

O que fazer se um dos pais não concorda com a emancipação?

O que fazer se um dos pais não concorda com a emancipação? O caminho é pedir ao juiz que resolva a divergência entre os pais (art. 1.631, parágrafo único, do Código Civil). O cartório não pode lavrar a escritura só com um deles.

A exceção é a falta do outro, como falecimento ou perda do poder familiar. Não comparecer ou estar longe não conta como falta. É a mesma lógica da autorização de viagem, em que a discordância também vai para o juiz, que decide pensando no interesse do filho, como na guarda dos filhos.

Quais documentos são necessários e quanto custa a emancipação?

Quais documentos são necessários e quanto custa a emancipação? Para a escritura no cartório de notas, geralmente são pedidos:

O custo segue a tabela de emolumentos de cada estado, divulgada pelo tribunal local. Somam-se a ela as taxas do registro no cartório de Registro Civil. A escritura costuma sair no dia, e o registro, em poucos dias úteis.

Se for preciso ir à Justiça, por divergência entre os pais ou tutela, entram também os custos do processo judicial e os honorários de advogado. Nesses casos, o acompanhamento jurídico online permite conduzir o pedido de qualquer cidade.

O que muda na vida do jovem depois da emancipação?

O que muda na vida do jovem depois da emancipação? Ele ganha autonomia civil, mas não vira adulto para todos os fins. Várias proteções e proibições continuam valendo até os 18 anos:

Passa a poder Continua proibido até os 18
Assinar contratos e alugar imóveis Dirigir: a CNH exige maioridade penal (art. 140 do CTB)
Comprar, vender e financiar bens Comprar bebida alcoólica (art. 81 do ECA)
Abrir empresa e ser sócio Trabalho noturno, perigoso ou insalubre (art. 7º, XXXIII, da Constituição)
Viajar sem autorização dos pais Responder criminalmente como adulto

Um erro frequente é emancipar achando que os pais ficam livres pelos atos do filho. Na emancipação voluntária, o STJ entende que os pais continuam respondendo pelos danos causados pelo filho menor (art. 932 do Código Civil; AgRg no Ag 1.239.557, relatora ministra Isabel Gallotti). A exceção é a emancipação legal, como a do casamento.

Um caso fictício, inspirado em situações que recebemos com frequência: Márcio e Sandra emanciparam o filho de 17 anos acreditando que ele passaria a responder sozinho pelos próprios atos. 

Meses depois, o rapaz causou um dano ao carro de um vizinho, que pediu indenização por danos materiais. Como a emancipação foi voluntária, os pais também foram cobrados.

A emancipação acaba com a pensão alimentícia?

A emancipação acaba com a pensão alimentícia? Não automaticamente. A emancipação encerra o poder familiar, mas a pensão continua devida até que um juiz decida o contrário.

Quem paga e quer parar precisa entrar com uma ação de exoneração de pensão alimentícia. Nela, o juiz analisa se o jovem ainda precisa do valor, com base no dever de sustento entre parentes (art. 1.694 do Código Civil). Um emancipado que estuda e não tem renda pode continuar recebendo.

Parar de pagar por conta própria gera dívida e pode levar à cobrança judicial. É a mesma regra que vale para a maioridade, pela Súmula 358 do STJ, explicada no artigo sobre até que idade pagar pensão.

Com atuação frequente em pensão e exoneração de alimentos, a equipe de Família do VLV vê esse ponto gerar conflito entre pais que emanciparam o filho e depois tentaram encerrar a pensão sem processo.

Uma decisão para pensar em família

Emancipação de menor
Uma decisão para pensar em família

A emancipação pode abrir portas para um jovem que já trabalha, empreende ou precisa resolver a vida com mais autonomia. Mas ela é definitiva e mexe com pensão, responsabilidade dos pais e o dia a dia da família.

Cada situação merece uma conversa com calma. A equipe do VLV Advogados dedicada a Direito de Família atende com atendimento online em todo o Brasil, incluindo questões de tutela e pensão alimentícia.

Se você tem dúvidas sobre a emancipação do seu filho, clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados.

Sobre o autor

Dr. Luiz Vasconcelos Jr. é advogado inscrito na OAB sob o nº 43.462, cogestor do VLV Advogados e atua em Direito das Famílias e Sucessões. Possui formação complementar pela AASP em temas de Direito Civil, Família e Sucessões, além de estudos pela PUC-Rio nas áreas de alienação parental e perícias psicológicas.

Direito Civil | Direito de Família | Direito Criminal | Direito Previdenciário | Direito Trabalhista | Direito Bancário

Perguntas frequentes sobre emancipação

A emancipação pode ser desfeita?

A emancipação não pode ser desfeita por arrependimento, porque é irrevogável. Ela só pode ser questionada na Justiça em casos excepcionais, como fraude ou vício na vontade, e isso exige um processo judicial. Por isso, vale conversar com calma antes de assinar, especialmente sobre os efeitos na pensão.

O emancipado pode trabalhar em qualquer emprego?

O emancipado não pode trabalhar em qualquer emprego. Trabalho noturno, perigoso ou insalubre continua proibido até os 18 anos (art. 7º, XXXIII, da Constituição), mesmo com emancipação. Nos demais empregos, ele assina o próprio contrato, e os prazos trabalhistas passam a correr normalmente, como explica o artigo sobre prescrição trabalhista.

Dá para fazer a emancipação online?

Dá para fazer a emancipação online em cartórios que oferecem atendimento pelo e-Notariado, com videoconferência e assinatura digital. Pais e filho precisam participar, e o registro no Registro Civil continua obrigatório. É um caminho prático para famílias que moram longe, assim como o acompanhamento jurídico online e outros atos, como a autorização de viagem.

Brasileiro que mora no exterior pode emancipar o filho?

O brasileiro que mora no exterior pode emancipar o filho no consulado, por escritura pública, desde que pais e filho sejam brasileiros. Depois, a escritura precisa ser registrada no cartório do domicílio no Brasil para valer aqui. Decisões estrangeiras sobre o tema seguem outro caminho, o da homologação de sentença estrangeira, e o registro exige a certidão de nascimento atualizada.

O emancipado pode abrir uma empresa?

O emancipado pode abrir uma empresa e ser empresário, desde que a prova da emancipação seja registrada na Junta Comercial (art. 976 do Código Civil). Ele passa a responder pelas dívidas do negócio, o que inclui riscos como o bloqueio judicial de conta e o bloqueio de bens. Por isso, contratos e sociedades merecem revisão cuidadosa antes da assinatura.

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Autor

  • luiz azul

    OAB 43.462 - Advogado familiarista e cogestor do VLV Advogados, pós graduado em Direito Público e Privado.

    Bacharel em Direito pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e Capacitação pela AASP e TRIADE/IBDFAM em questões de direito civil, especialmente direito das famílias/sucessões (inventário) e pela PUC/RJ em alienação parental e perícias psicológicas

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