Pena máxima no Brasil: qual é o limite e como funciona

Você sabe qual é a pena máxima permitida no Brasil? Entender esse limite ajuda a esclarecer dúvidas comuns sobre condenações, crimes graves e como a lei funciona na prática.

Pena máxima no Brasil
Pena máxima no Brasil: qual é o limite e como funciona

É comum ver no noticiário condenações de 100, 300 ou mais de mil anos de prisão. Ao mesmo tempo, ouve-se que ninguém fica preso por mais de 40 anos no Brasil. As duas informações parecem não combinar.

A explicação está na diferença entre a pena que o juiz fixa na dosimetria da pena e o tempo que a lei permite cumprir.

Para quem tem um familiar condenado, entender essa diferença evita contas erradas e expectativas que não se confirmam.

A equipe do VLV Advogados acompanha de perto o processo criminal e a execução da pena em todo o Brasil.

A seguir, você vai ver qual é o limite, o que vale para crimes antigos e por que o teto não serve de base para os benefícios.

Dúvidas sobre tempo de prisão costumam vir acompanhadas de muita angústia. Se quiser orientação sobre o seu caso: clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

Qual é a pena máxima no Brasil?

A pena máxima no Brasil é de 40 anos de cumprimento. É o que determina o art. 75 do Código Penal: o tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode passar desse limite.

Até 2019, o teto era de 30 anos. A mudança veio com a Lei 13.964/2019, o Pacote Anticrime, em vigor desde 23 de janeiro de 2020.

Três pontos evitam confusão:

A Lei Antifacção, de março de 2026, endureceu penas e regras de execução, mas o teto do art. 75 continuou em 40 anos.

A pena máxima de 40 anos vale para crimes antigos?

Não. A pena máxima de 40 anos vale apenas para crimes cometidos depois da mudança na lei. Para os anteriores, o limite continua em 30 anos.

O motivo é constitucional: a lei penal mais grave não retroage.

O que define o teto é a data do crime, e não a da condenação. Um homicídio simples praticado em 2018 segue o limite de 30 anos, mesmo que a sentença ou o julgamento da apelação criminal ocorra anos depois.

A Primeira Turma do STF aplicou esse raciocínio em um pedido de extradição, relatado pela ministra Rosa Weber: para fatos anteriores ao Pacote Anticrime, o tempo máximo considerado foi de 30 anos.

Existe prisão perpétua ou pena de morte no Brasil?

Não existe prisão perpétua no Brasil, e a pena de morte só é admitida em caso de guerra declarada. As duas vedações estão no art. 5º, XLVII, da Constituição.

O mesmo dispositivo proíbe ainda:

A exceção da pena de morte é restrita. Ela depende de guerra declarada e alcança apenas crimes militares previstos no Código Penal Militar. Fora dessa hipótese, nenhum crime é punido com morte, por mais grave que seja.

Quando alguém passa décadas preso, a causa é uma pena alta ou uma nova condenação, e não uma prisão sem fim.

Duas situações costumam ser confundidas com prisão perpétua:

Qual crime tem a maior pena no Brasil?

Os crimes com a maior pena prevista no Brasil são o feminicídio e o domínio social estruturado, ambos com reclusão de 20 a 40 anos.

Crime Pena prevista Onde está
Feminicídio 20 a 40 anos Código Penal, art. 121-A
Domínio social estruturado 20 a 40 anos Lei 15.358/2026, art. 2º
Latrocínio 20 a 30 anos Código Penal, art. 157, § 3º, II
Homicídio qualificado 12 a 30 anos Código Penal, art. 121, § 2º

O feminicídio chegou a esse patamar com a Lei 14.994/2024. O domínio social estruturado foi criado pela Lei Antifacção, em vigor desde 25 de março de 2026, para punir o controle de territórios por facções e milícias.

Os quatro estão entre os crimes hediondos. O latrocínio e o homicídio doloso qualificado têm teto de 30 anos.

Um detalhe pouco conhecido: a pena de um único crime pode passar de 40 anos. No feminicídio, as causas de aumento elevam a pena de um terço até a metade. Mesmo assim, o tempo de cumprimento continua limitado pelo art. 75.

O que acontece quando a condenação passa de 40 anos?

Quando a condenação passa de 40 anos, as penas são unificadas para respeitar o limite de cumprimento. É o que prevê o art. 75, § 1º, do Código Penal.

Na prática, funciona assim:

  1. Cada crime recebe a sua pena na sentença.
  2. Na execução, o juiz soma todas as condenações.
  3. Se a soma passa do teto, o cumprimento fica limitado a 40 anos, ou a 30, nos crimes antigos.
  4. O tempo de prisão anterior à condenação entra na conta, pela detração da pena.

O que excede o teto não é perdoado, como ocorre no indulto. A condenação continua valendo no papel e, como você verá no próximo tópico, pesa no cálculo dos benefícios.

Existe uma exceção que surpreende muita gente. Se a pessoa comete novo crime durante o cumprimento, o juiz faz nova unificação e desconsidera o tempo já cumprido (art. 75, § 2º).

Veja a conta: alguém com pena unificada em 40 anos cumpre 10 e é condenado a mais 15 por crime praticado na prisão. Somam-se os 30 que restavam aos 15 novos, o que dá 45. O novo limite de 40 anos passa a contar dali. No total, serão 50 anos.

Por isso, é possível ficar preso por mais de 40 anos no Brasil, sem que isso seja prisão perpétua.

A progressão de regime é calculada sobre os 40 anos?

Não. A progressão de regime é calculada sobre a pena total da condenação, e não sobre o teto de 40 anos. A regra vale também para os demais benefícios.

Esse é o entendimento da Súmula 715 do STF, aprovada em 24/09/2003. O tribunal segue aplicando a súmula, como no HC 242.974/PE (Primeira Turma, julgado em 19/08/2024).

Um cenário recorrente (exemplo ilustrativo): Paulo soma 90 anos em condenações. A família calcula a progressão de regime sobre os 40 anos do teto. Supondo uma fração de um sexto, a diferença é esta:

Base do cálculo Um sexto da pena
Teto de 40 anos (conta errada) 6 anos e 8 meses
Pena total de 90 anos (conta certa) 15 anos

A fração real depende do crime, da reincidência e da data do fato. O ponto central é a base: sempre a pena total.

A mesma lógica alcança o livramento condicional e a remição de pena.

A equipe do VLV, que acompanha execuções penais em todo o Brasil, vê esse erro com frequência. Em penas muito altas, a pessoa pode atingir o teto de cumprimento antes de alcançar a fração exigida para progredir.

Qual é a maior pena já aplicada no Brasil?

Não existe um registro oficial único da maior pena já aplicada no Brasil. Entre as divulgadas por tribunais, uma das mais altas é a de 1.080 anos de reclusão, imposta em Santa Catarina.

Segundo o Tribunal de Justiça de Santa Catarina, em notícia de 10 de maio de 2023, um homem foi condenado por estupro de vulnerável contra a enteada, em pelo menos 90 ocasiões. O tribunal tratou o caso como uma das maiores penas da história do Judiciário catarinense.

O número se explica por três fatores:

O réu, que havia sido alvo de prisão em flagrante, não cumprirá 1.080 anos. O tempo de prisão fica limitado pelo art. 75 do Código Penal.

Isso não torna a pena simbólica. Como os benefícios são calculados sobre o total, uma condenação desse tamanho, na prática, afasta a progressão de regime dentro do teto.

Pena máxima: por que o cálculo precisa ser conferido?

Advogado para pena máxima no Brasil
Pena máxima: por que o cálculo precisa ser conferido?

O teto de 40 anos é só uma parte da conta. A data do crime, a soma das penas e uma nova condenação mudam o tempo real de prisão.

Cada execução tem a sua história, e o cálculo de pena precisa ser lido caso a caso.

O VLV Advogados conta com equipe dedicada a Direito Criminal, com advogado criminalista e atendimento online em todos os estados. Se você tem dúvidas sobre pena máxima e cálculo de pena, clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados.

Sobre o autor

Dr. João Valença (OAB 43370) é especialista em Direito Criminal e cofundador do VLV Advogados. Atua há mais de 10 anos na defesa de clientes em casos criminais, com atendimento em todo o Brasil. Sob sua liderança, o escritório acumula mais de 3.000 avaliações positivas e se tornou referência nacional no atendimento jurídico digital. 

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Perguntas frequentes sobre pena máxima no Brasil

Menor de idade pode cumprir a pena máxima?

Não. Menores de 18 anos não recebem pena, e sim medida socioeducativa. A mais grave é a internação, que não pode passar de três anos, com liberação obrigatória aos 21 anos (Estatuto da Criança e do Adolescente, art. 121, §§ 3º e 5º).

A medida de segurança também tem limite?

Tem. Pela Súmula 527 do STJ (Terceira Seção, 13/05/2015), a medida de segurança não pode durar mais que a pena máxima prevista em lei para o crime praticado.

Quem atinge o teto sai da prisão mesmo sem ter progredido de regime?

Sim. Atingido o limite de cumprimento, a pessoa não pode continuar presa por aquelas condenações, ainda que nunca tenha saído do regime fechado. A exceção é o novo crime cometido durante o cumprimento, que leva a nova unificação.

O limite de 40 anos pode aumentar?

Pode, por nova lei, como ocorreu em 2019, quando passou de 30 para 40 anos. Um eventual aumento só valeria para crimes cometidos depois da mudança.

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Autor

  • joao valenca

    OAB 43.370 - Advogado especialista em Direito Criminal, especialista em Processo Penal e sócio fundador do VLV Advogados, escritório de advocacia digital com mais de 10 anos de experiência em atendimento em todo o Brasil.

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