Extinção de condomínio: como funciona? Guia completo 2026

Você divide um imóvel com outra pessoa e a convivência virou um problema? A extinção de condomínio é o processo legal que encerra essa copropriedade, seja por acordo ou por decisão judicial.

imagem explicando extinção de condomínio
O que é extinção de condomínio e como pedir?

A extinção de condomínio é o caminho legal para quem divide um imóvel com herdeiros, ex-cônjuge ou sócios e quer encerrar essa copropriedade, seja vendendo o bem, dividindo-o fisicamente ou recorrendo à Justiça. 

Essa situação é comum entre herdeiros, ex-cônjuges, ex-companheiros e sócios que compraram um bem juntos e não veem mais sentido em manter essa divisão. 

O VLV Advogados, reconhecido como referência em Direito de Família e Sucessões, já orientou diversas famílias nessa mesma encruzilhada. 

A seguir, você entende como funciona cada etapa do processo, os prazos, os custos e o que diz a jurisprudência mais recente sobre o tema.

As regras que envolvem esse tipo de ação mudam conforme cada situação familiar. Para entender o que se aplica ao seu caso, clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados!

O que é extinção de condomínio?

A extinção de condomínio é o processo pelo qual os coproprietários de um bem encerram a copropriedade, dividindo o imóvel fisicamente, vendendo-o ou transferindo a titularidade a um único dono. 

O termo costuma gerar confusão: não se trata de deixar de pagar a taxa de condomínio mensal, mas de encerrar juridicamente a situação em que duas ou mais pessoas dividem a propriedade do mesmo bem, com base nos artigos 1.314 a 1.326 do Código Civil. 

Essa situação é comum quando um casal se separa, quando irmãos herdam um imóvel juntos ou quando sócios compram um terreno em conjunto e um deles quer sair do negócio. 

Como ninguém é obrigado a permanecer em copropriedade contra a própria vontade, a lei garante o direito de pedir essa divisão a qualquer momento.

O que é condomínio no sentido jurídico?

Condomínio, no sentido jurídico, é a situação em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo bem ao mesmo tempo, cada uma com uma fração ideal sobre ele.

Isso é diferente do condomínio edilício (o prédio com síndico e taxa mensal), embora o nome seja parecido. 

Um terreno herdado por três irmãos, por exemplo, é um condomínio: os três são donos da totalidade do bem, na proporção de um terço cada.

Como funciona o processo de extinção de condomínio?

O processo de extinção de condomínio funciona de duas formas principais: 

1. pela via amigável, feita em cartório quando há acordo entre todos os condôminos

2. ou pela via judicial, quando não há consenso. 

Em ambos os casos, o objetivo final é o mesmo: transformar uma propriedade compartilhada em propriedade individual, seja pela divisão física do bem, pela venda ou pela adjudicação a um dos donos. 

Qualquer condômino pode dar início ao pedido, independentemente do tamanho da sua fração no imóvel. 

Quando o bem é indivisível, como costuma ser o caso de um apartamento, a solução mais comum é a venda judicial, com a divisão do valor entre os coproprietários.

Quem pode propor ação de extinção de condomínio?

Qualquer condômino pode propor a ação de extinção de condomínio, mesmo que tenha a menor fração do imóvel.

A regra está no artigo 1.320 do Código Civil, que garante a qualquer coproprietário o direito de exigir a divisão da coisa comum a qualquer tempo. 

Um erro comum é achar que só quem tem a maior parte do imóvel, ou só a maioria dos condôminos, pode pedir a extinção. 

Na prática, um único herdeiro com 10% de participação já tem legitimidade para ajuizar a ação sozinho.

Quais são as formas de extinção do condomínio?

3 formas de extinguir um condomínio

A forma aplicável depende de o imóvel ser divisível e de haver ou não acordo entre os condôminos

1

Divisão física do imóvel

Cada condômino recebe uma parte física correspondente à sua fração ideal, sem necessidade de venda.

Bem divisível
2

Venda judicial (alienação)

O imóvel indivisível, sem acordo entre os condôminos, é vendido judicialmente e o valor é dividido entre os proprietários (art. 1.322, CC).

Bem indivisível, sem acordo
3

Adjudicação

Um dos condôminos compra a parte dos demais e se torna o único dono, por acordo direto ou decisão homologada.

Acordo ou decisão judicial

VLV Advogados · Guia de Extinção de Condomínio

Existem três formas principais de extinguir um condomínio: a divisão física do bem, a venda judicial e a adjudicação. A forma aplicável depende de o imóvel ser divisível ou não, e de haver ou não acordo entre os coproprietários.

Divisão física do imóvel

Quando o bem é divisível, como um terreno grande, cada condômino pode ficar com uma parte física correspondente à sua fração ideal, sem necessidade de venda.

Venda judicial (alienação)

Quando o imóvel não pode ser dividido fisicamente, como um apartamento, e não há acordo entre os condôminos, o artigo 1.322 do Código Civil determina a venda judicial do bem, com a divisão do valor apurado entre os proprietários.

Adjudicação por um dos condôminos

Na adjudicação, um dos condôminos compra a parte dos demais e passa a ser o único dono do imóvel, seja por acordo direto, seja por decisão homologada no processo judicial.

Qual a diferença entre extinção de condomínio amigável e judicial?

A diferença entre a extinção de condomínio amigável e a judicial está na existência ou não de acordo entre os coproprietários. 

Na via amigável, todos concordam com os termos da divisão ou da venda, e o processo é resolvido em cartório, por meio de escritura pública, de forma mais rápida e barata. 

Na via judicial, não há consenso, e é preciso entrar com uma ação para que o juiz decida como o imóvel será dividido, vendido ou adjudicado. 

Na prática, a via extrajudicial só é possível quando, literalmente, todos os condôminos concordam com cada detalhe da partilha.

O que acontece quando não há consenso na extinção de condomínio
O que acontece quando não há consenso na extinção de condomínio

Como funciona a extinção extrajudicial (via cartório)?

Na extinção extrajudicial, os condôminos comparecem ao cartório e formalizam o acordo por escritura pública, que depois é registrada no Cartório de Registro de Imóveis, nos termos da Lei de Registros Públicos (Lei 6.015/1973). 

É o caminho mais rápido, geralmente concluído em semanas, mas exige documentação completa e concordância unânime sobre valores e condições.

Como funciona o processo judicial de extinção de condomínio?

No processo judicial, a ação é distribuída, os demais condôminos são citados para se manifestar, e o juiz tenta uma composição entre as partes. 

Não havendo acordo, é feita a avaliação judicial do imóvel, com direito de preferência de compra entre os próprios condôminos antes de o bem ir a leilão (hasta pública).

Qual a competência para julgar a ação?

A competência para julgar a ação de extinção de condomínio é do foro da situação do imóvel, ou seja, da comarca onde o bem está localizado, conforme prevê o Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015).

Cada etapa desse processo pode exigir estratégias diferentes dependendo do seu caso. Fale agora com a equipe do VLV Advogados e tire suas dúvidas.

Quanto tempo demora e quanto custa a extinção de condomínio?

O tempo e o custo da extinção de condomínio variam de acordo com a via escolhida e o nível de conflito entre os condôminos. 

Em um acordo extrajudicial, o processo costuma ser concluído em poucas semanas ou meses. 

Já na via judicial, especialmente quando há disputa sobre o valor do imóvel ou resistência de algum condômino, o processo pode se estender por anos. 

O tamanho do estoque de processos no Judiciário também influencia esse prazo: dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que o país entrou em 2026 com 75 milhões de processos pendentes, o menor volume dos últimos seis anos, o que sinaliza uma tendência de redução gradual nos prazos médios de tramitação.

Em casos consensuais, homologados em cartório, a extinção pode ser concluída em poucas semanas. Em casos litigiosos simples, sem inventário pendente, a média fica entre 1 e 3 anos. 

Já em casos mais complexos, com múltiplos condôminos, disputa sobre benfeitorias ou inventário ainda em curso, o processo pode levar de 4 a 7 anos, principalmente em comarcas com grande volume de processos.

O valor da causa na extinção de condomínio corresponde, em regra, ao valor de mercado do imóvel ou à fração discutida, servindo de base para o cálculo das custas judiciais e dos honorários advocatícios

Além das custas, é preciso considerar despesas com avaliação do imóvel, eventual perícia, emolumentos cartorários e, quando aplicável, o imposto de transmissão (ITBI ou ITCMD, no caso de heranças). 

Muitos condôminos subestimam esses valores no início do processo e só se surpreendem com o custo total na fase de venda ou adjudicação.

Como funciona a extinção de condomínio entre herdeiros, ex-cônjuges e irmãos?

A extinção de condomínio muda de configuração dependendo da relação entre os coproprietários, especialmente quando envolve herdeiros, ex-cônjuges ou irmãos. 

Embora as regras gerais do Código Civil se apliquem a todos os casos, cada situação carrega particularidades que interferem na estratégia do processo, no momento certo de agir e até na chance de sucesso da ação.

Como extinguir condomínio entre herdeiros?

A extinção de condomínio entre herdeiros ocorre quando os sucessores de uma herança, donos em comum do bem herdado, decidem individualizar sua parte, seja vendendo o imóvel e dividindo o valor, seja com um herdeiro comprando a parte dos demais. 

Segundo o Dr. Luiz Vasconcelos Jr., advogado familiarista e cogestor do VLV Advogados, grande parte dos conflitos entre herdeiros nasce da ausência de um planejamento sucessório claro, o que transforma a divisão do imóvel em uma disputa judicial que muitas vezes poderia ser evitada. 

Em um caso comum no nosso atendimento, três irmãos herdaram um apartamento e não conseguiam decidir se venderiam ou se um deles ficaria com o bem,

O impasse só foi resolvido depois da ação de extinção de condomínio, com a venda judicial e a divisão proporcional do valor entre eles.

É preciso concluir o inventário antes?

Em regra, sim: a extinção de condomínio entre herdeiros pressupõe que o inventário esteja concluído, já que é ele que define a fração exata de cada herdeiro sobre o bem. 

Existem entendimentos que dispensam o registro definitivo da partilha para o ajuizamento da ação em situações específicas, mas essa análise deve ser feita caso a caso com um advogado, já que o tema ainda gera divergência entre tribunais.

Extinção de condomínio entre ex-cônjuges ou ex-companheiros

Entre ex-cônjuges ou ex-companheiros, a extinção de condomínio costuma ocorrer depois do divórcio ou da dissolução da união estável, quando o imóvel do casal ainda não foi partilhado. 

É importante observar, no entanto, que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que a extinção de condomínio não pode ser usada para afastar o direito real de habitação

Quando um dos ex-companheiros permanece no imóvel com os filhos por essa garantia legal, o tribunal entende que forçar a venda do bem contrariaria a própria proteção que a lei buscou dar ao núcleo familiar.

Por isso o outro coproprietário não pode exigir a extinção do condomínio nem cobrar aluguel pelo uso do imóvel nesses casos. 

Trata-se do entendimento consolidado mais recente do STJ sobre esse conflito específico entre extinção de condomínio e direito de moradia.

Extinção de condomínio entre irmãos

Entre irmãos, a extinção de condomínio costuma surgir depois da herança dos pais, quando cada um recebe uma fração do mesmo imóvel e nem todos têm interesse em mantê-lo. 

Como não existe hierarquia entre irmãos coproprietários, qualquer um deles pode iniciar o pedido de extinção, mesmo que os demais prefiram manter o bem em comum, aplicando-se as mesmas regras gerais do Código Civil sobre a impossibilidade de permanência forçada em condomínio.

Documentos necessários e escritura de extinção de condomínio

Os documentos necessários para a extinção de condomínio variam conforme a via escolhida, mas alguns são exigidos tanto no processo judicial quanto no extrajudicial. 

Reunir essa documentação com antecedência evita atrasos e questionamentos no cartório ou no processo.

Os documentos  necessários são:

O que é a escritura de extinção de condomínio?

A escritura de extinção de condomínio é o documento lavrado em cartório que formaliza o acordo entre os condôminos sobre a divisão, venda ou adjudicação do bem. 

Depois de assinada, ela precisa ser registrada no Cartório de Registro de Imóveis para que a nova titularidade produza efeitos perante terceiros, conforme determina a Lei de Registros Públicos.

Cada família e cada copropriedade têm uma história diferente

Advogado e cliente encerram atendimento sobre extinção de condomínio com aperto de mão.
Cada família e cada copropriedade têm uma história diferente

Dividir um imóvel com outra pessoa, seja irmão, ex-cônjuge ou sócio, mexe com questões práticas e, muitas vezes, também emocionais. 

Por isso, cada caso de extinção de condomínio merece uma análise individual, que leve em conta a relação entre os condôminos, o tipo de imóvel e os documentos disponíveis. 

O VLV Advogados tem equipe especializada em Direito de Família e Sucessões e atende clientes em todo o Brasil, com atendimento também on-line, o que facilita o acompanhamento do processo mesmo à distância.

Se você tem dúvidas sobre extinção de condomínio, fale com um advogado especialista. O VLV Advogados atende em todo o Brasil. Clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados!

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados

Sobre o autor

Dr. Luiz Vasconcelos Jr. é advogado familiarista (441446 OAB/SP), cogestor do VLV Advogados, membro Associado do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM). Possui capacitação pela AASP em questões de direito civil, especialmente direito das famílias/sucessões e pela PUC/RJ em alienação parental e perícias psicológicas.

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Autor

  • luiz azul

    OAB 43.462 - Advogado Civilista e cogestor do VLV Advogados.
    Membro Associado do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM)
    Capacitação pela AASP em questões de direito civil, especialmente direito das famílias/sucessões e pela PUC/RJ em alienação parental e perícias psicológicas

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