Regulamentação de guarda: o que é e como funciona a ação?

Separação é difícil. Mas o futuro dos filhos não pode ficar no ar. A regulamentação de guarda é o processo judicial, ou extrajudicial, que organiza moradia, convivência e decisões importantes da vida da criança.

imagem representando regulamentação de guarda dos filhos
Como funciona a regulamentação de guarda dos filhos?

Mais do que uma formalidade, regulamentar a guarda é um ato de proteção. É o que garante previsibilidade, segurança jurídica e estabilidade para a rotina dos filhos, e para a sua também.

O VLV Advogados é referência em Direito de Família no Brasil e acompanha centenas de famílias que passam por essa situação todos os anos. 

Neste artigo, você vai entender o que é a regulamentação de guarda, quais são os tipos, como funciona o processo na prática e o que acontece quando a guarda não é formalizada.

Cada dúvida que você tem sobre esse assunto está respondida aqui, continue lendo.

Sabemos que decisões sobre os filhos nunca são simples. Se quiser orientação personalizada para o seu caso: Fale com um advogado especialista.

O que é a ação de regulamentação de guarda?

A ação de regulamentação de guarda é o processo legal que define quem será o responsável pela criança, onde ela vai morar, como será a convivência com cada genitor e de que forma as decisões sobre saúde, educação e criação serão tomadas.

Trata-se de um processo judicial, ou de um acordo homologado, que tem força de lei. 

Não é um combinado informal entre as partes, mas um documento com validade jurídica que pode ser exigido e cumprido perante qualquer instituição: escola, hospital, cartório, fronteira.

A base legal está nos artigos 1.583 a 1.590 do Código Civil e no artigo 227 da Constituição Federal, que estabelece o princípio do melhor interesse da criança como fundamento de toda decisão que envolva crianças e adolescentes. 

O ECA (Lei 8.069/1990) reforça que a convivência familiar saudável é um direito fundamental de toda criança, e a regulamentação de guarda é o instrumento que garante esse direito na prática.

Em termos simples: sem esse processo formalizado, qualquer decisão sobre o filho pode virar motivo de conflito, e você pode não ter como provar seu direito.

Quais são os tipos de guarda?

Os tipos de guarda previstos no ordenamento jurídico brasileiro são três: guarda compartilhada, guarda unilateral e guarda alternada. Cada um funciona de forma diferente e é aplicado conforme a realidade de cada família.

1. Guarda compartilhada é o modelo em que pai e mãe dividem as responsabilidades sobre os filhos de forma equilibrada.

Isso não significa tempo igual em cada casa, mas que as decisões importantes, escola, saúde, religião, lazer, são tomadas em conjunto. 

Desde a Lei 13.058/2014, a guarda compartilhada passou a ser a regra no Brasil. O juiz pode aplicá-la mesmo quando os pais não chegam a um acordo, desde que ambos estejam aptos a exercer o poder familiar.

Essa tendência já se reflete em dados históricos: em 2024, pela primeira vez na história brasileira, a guarda compartilhada (44,6%) superou a guarda exclusiva da mãe (42,6%) nos divórcios judiciais com filhos menores. 

Foram mais de 118 mil crianças com guarda compartilhada fixada em um único ano, reflexo direto da Lei 13.058/2014 e de uma mudança cultural significativa. 

Para o Dr. Luiz Vasconcelos Jr., essa inversão histórica traz uma consequência prática direta: quem chega a uma negociação sem entender que a guarda compartilhada é hoje a expectativa do judiciário pode abrir mão de direitos importantes sem perceber.

2. Guarda unilateral é quando apenas um dos pais fica com a guarda. Pode ocorrer quando o outro está inapto, por dependência química, abandono, prisão ou outro fator grave, ou quando as circunstâncias do caso indicam que esse modelo atende melhor ao interesse da criança. 

Mesmo sem a guarda, o outro genitor mantém o direito de visitas e de participar das decisões mais relevantes da vida do filho.

3. Guarda alternada não está prevista expressamente na legislação brasileira e é pouco aplicada. 

Nesse modelo, a criança alterna períodos iguais de residência com cada genitor. Os tribunais são cautelosos com essa modalidade porque a instabilidade de rotina pode prejudicar o desenvolvimento emocional da criança.

Saiba mais sobre os tipos de guarda em nosso vídeo:

Quando é necessário pedir a regulamentação de guarda?

A regulamentação de guarda é necessária sempre que a situação de convivência dos filhos não estiver formalizada, independentemente de os pais terem sido casados, vivido em união estável ou nunca terem tido qualquer vínculo oficial reconhecido.

As situações mais comuns que levam ao pedido são:

Há ainda uma novidade que muitas famílias desconhecem: a Resolução CNJ nº 571/2024 determinou que casais com filhos menores que queiram formalizar o divórcio em cartório precisam comprovar a resolução judicial prévia de todas as questões de guarda, visitação e alimentos. 

Na prática, sem a guarda regulamentada na Justiça, o divórcio extrajudicial, mais rápido e econômico, fica bloqueado. A regulamentação de guarda, portanto, deixou de ser apenas uma proteção para os filhos e passou a ser também um pré-requisito para quem quer dar um passo à frente na separação.

Como funciona a regulamentação de guarda?

O processo de regulamentação de guarda funciona da seguinte maneira: começa com o protocolo da ação na Vara de Família, passa por uma tentativa de conciliação e pode ou não demandar produção de provas antes de chegar à sentença.

O passo a passo é:

1. Petição inicial: o advogado protocola a ação na Vara de Família da comarca onde o filho reside, conforme o artigo 147 do ECA e a Súmula 383 do STJ.

2. Citação: o outro genitor é notificado e tem prazo legal para apresentar resposta.

3. Audiência de mediação ou conciliação: o juiz promove uma tentativa de acordo. Se as partes chegarem a um entendimento, o acordo é homologado e o processo se encerra.

4. Instrução processual: sem acordo, o juiz pode determinar estudo psicossocial, oitiva da criança (conforme sua capacidade de compreensão) e análise das provas apresentadas.

5. Sentença: o juiz decide o regime de guarda com base no princípio do melhor interesse da criança.

O STJ reforçou, em decisão unânime da Terceira Turma de abril de 2026, que o interesse do menor pode justificar ajustes provisórios na guarda, inclusive com a criança residindo temporariamente em cidade diferente, mesmo quando há acordo já homologado. 

O judiciário trata esse instituto com flexibilidade, sempre colocando o bem-estar da criança acima de qualquer formalismo rígido.

Quanto ao prazo: casos consensuais costumam ser resolvidos em poucos meses. Processos litigiosos podem levar mais de um ano, especialmente quando exigem estudo social ou perícias técnicas.

Passo a passo

Como funciona a regulamentação de guarda

Processo judicial
1
Petição inicial
Protocolo na Vara de Família (ECA, art. 147)
2
Citação
Notificação do outro genitor
3
Audiência de conciliação
Tentativa de acordo mediado pelo juiz
4
Instrução processual
Estudo psicossocial e análise de provas
5
Sentença
Decisão com base no interesse da criança
Documentos necessários
RG e CPF de ambos os genitores
Certidão de nascimento dos filhos
Comprovante de residência
Certidão de casamento ou união estável
Acordos escritos anteriores (se houver)
BO ou medidas protetivas (se houver)
Consensual: até 6 meses · Litigioso: 1 a 3 anos · Urgência: tutela provisória em dias

Quais documentos são necessários para regulamentar a guarda?

Os documentos necessários para a regulamentação de guarda são:

Dependendo das particularidades do caso, o advogado pode solicitar documentos adicionais, como laudos médicos, psicológicos ou relatórios escolares, quando a situação da criança for relevante para a decisão judicial.

É possível fazer a regulamentação de guarda sem ir à Justiça?

Sim, em alguns casos é possível regulamentar a guarda sem acionar o Judiciário, desde que os pais estejam em pleno acordo sobre todos os termos da convivência.

Quando há consenso sobre moradia, visitação e alimentos, os pais podem formalizar a guarda por escritura pública em Tabelionato de Notas. O processo é mais ágil, menos formal e geralmente mais econômico do que a via judicial.

A via judicial é obrigatória quando:

Um erro frequente que a equipe do VLV Advogados identifica no atendimento é o de pais que acreditam que um acordo verbal ou um documento escrito sem assistência jurídica é suficiente para garantir seus direitos. 

Não é. Sem homologação judicial ou escritura pública registrada, qualquer combinado pode ser descumprido sem consequência legal, e você ficará sem amparo para exigir o cumprimento. 

O documento informal não vale perante escola, hospital, Receita Federal nem nenhuma fronteira.

O que acontece se a guarda não for regulamentada?

Quando a guarda não é regulamentada, a família fica sem respaldo jurídico para tomar decisões essenciais na vida dos filhos, e isso cria obstáculos concretos no cotidiano.

Algumas situações reais que surgem na ausência de formalização:

A ausência de regulamentação coloca a criança em uma posição de insegurança. Sem definição clara de com quem vive e como a convivência com cada genitor é garantida, ela fica exposta a conflitos que poderiam ser evitados com uma formalização simples.

A avó ou outro familiar pode pedir a regulamentação de guarda?

Sim, a avó ou outro familiar pode pedir a regulamentação de guarda em situações específicas reconhecidas pela lei. Esse instituto é chamado de guarda de terceiro, ou, quando envolve avós, de guarda avoenga.

O artigo 1.584 do Código Civil permite que pessoas diferentes dos pais biológicos assumam a guarda de uma criança quando essa medida for comprovadamente a mais adequada ao interesse do menor. 

Na prática, isso inclui avós, tios, padrinhos e outros familiares ou pessoas que já exercem papel de cuidado de fato.

Saiba mais em nosso vídeo:

Os casos mais comuns em que isso ocorre são:

O VLV Advogados atendeu um caso com esse perfil: uma avó que, após perder a filha e diante do abandono do neto pelo pai biológico, passou a criar a criança sozinha por anos sem qualquer suporte jurídico. 

Com o acompanhamento da equipe de Direito de Família do VLV, ela obteve a regulamentação da guarda avoenga, o que lhe permitiu matricular a criança na escola, acessar serviços de saúde em nome dela e requerer benefícios previdenciários aos quais o neto tinha direito. 

O caso foi resolvido de forma extrajudicial, com o reconhecimento e a concordância do pai biológico.

Para essas situações, a orientação jurídica especializada é indispensável. O processo costuma ser mais complexo do que a regulamentação entre os próprios pais e exige análise cuidadosa de cada caso.

A guarda dos seus filhos merece cuidado e você não precisa passar por isso sozinho

Advogada orienta casal em escritório sobre regulamentação de guarda.
A guarda dos seus filhos merece cuidado e você não precisa passar por isso sozinho

Cada família tem uma realidade diferente, e a solução jurídica certa depende de uma análise individual das circunstâncias específicas do seu caso. Não existe resposta única para situações tão pessoais quanto essas.

Buscar orientação jurídica não é sinal de conflito, é sinal de responsabilidade. Um advogado especialista pode ajudar a encontrar o caminho mais adequado para a sua situação, seja pela via consensual, extrajudicial ou judicial.

O VLV Advogados é reconhecido como referência em Direito de Família no Brasil, com atendimento 100% digital e alcance nacional.

Se você tem dúvidas sobre a regulamentação de guarda, fale com um advogado especialista. Fale conosco!

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados

Sobre o autor

Dr. Luiz Vasconcelos Jr. é advogado familiarista, cogestor do VLV Advogados, membro Associado do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM). Possui capacitação pela AASP em questões de direito civil, especialmente direito das famílias/sucessões e pela PUC/RJ em alienação parental e perícias psicológicas.

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Autor

  • luiz azul

    •Advogado familiarista, cogestor do VLV Advogados - 43462 OAB/BA
    Membro Associado do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM)
    Capacitação pela AASP em questões de direito civil, especialmente direito das famílias/sucessões e pela PUC/RJ em alienação parental e perícias psicológicas

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