Divórcio internacional: como funciona a validade no Brasil?

O divórcio internacional não segue uma única lei, não tem um único caminho e não se resolve da mesma forma para todo mundo. Mas tem solução, e entender como ele funciona é o primeiro passo para proteger seus direitos, onde quer que você esteja. 

casal fazendo divórcio internacional a mulher no brasil e o homem nos EUA
Como funciona o divórcio internacional?

O mundo ficou menor. Brasileiros vivem, trabalham e constroem famílias em outros países com uma frequência que há duas décadas seria impensável. 

Casamentos entre pessoas de nacionalidades diferentes, casais que emigraram juntos e agora se separam no exterior, estrangeiros que residem no Brasil e precisam dissolver um casamento celebrado em outro país: todas essas situações são comuns.

Qual país tem competência para julgar o divórcio? Qual lei se aplica? O divórcio feito fora do Brasil tem validade aqui? O que acontece com os filhos? 

No VLV Advogados, atendemos brasileiros que vivem no exterior e estrangeiros residentes no Brasil em todas as etapas do divórcio internacional.

A experiência acumulada nesses casos nos permite oferecer informações para você entender esse caminho antes mesmo de dar o primeiro passo. Clique aqui para falar agora com um especialista do VLV Advogados.

O que é divórcio internacional?

O divórcio internacional é a dissolução de um casamento que envolve mais de um país, seja pela nacionalidade dos cônjuges, pelo local onde vivem ou pelo país onde o casamento foi celebrado. 

Na prática, o divórcio internacional aparece em situações cada vez mais comuns: 

Em todos esses cenários, a pergunta inicial é a mesma: qual país tem competência para julgar esse divórcio?, e a resposta raramente é simples.

Quando um divórcio é considerado internacional?

Um divórcio é considerado internacional sempre que houver um elemento de conexão com mais de um país. Isso ocorre quando a dissolução do vínculo matrimonial envolve cônjuges de diferentes nacionalidades ou residentes em países distintos.

Um detalhe importante: o simples fato de o casamento ter sido celebrado no exterior não torna o divórcio automaticamente internacional. O que define essa classificação é a presença de elementos que conectem o caso a mais de um ordenamento jurídico: 

Como fazer um divórcio internacional?

Não existe um passo a passo único para o divórcio internacional, exatamente porque cada caso envolve uma combinação diferente de nacionalidades, domicílios, bens e filhos. 

O primeiro passo concreto é sempre identificar qual país tem competência para julgar o divórcio.

Qual lei é aplicada: a brasileira ou a estrangeira?

A escolha da lei aplicável ao divórcio internacional é um ponto crucial, pois diferentes sistemas jurídicos possuem regras distintas sobre requisitos, prazos e efeitos da dissolução.

No contexto brasileiro, a regra é clara: a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro determina que a dissolução do casamento deve seguir a lei do domicílio dos cônjuges. 

Assim, se um casal brasileiro vive no exterior e deseja se divorciar, a legislação estrangeira poderá ser aplicada ao processo. Na prática, isso significa que:

Um ponto de atenção importante: mesmo que o divórcio seja processado no exterior com base em lei estrangeira, para que ele produza efeitos no Brasil será necessário passar pelo processo de homologação no Superior Tribunal de Justiça.

Divórcio consensual x litigioso no contexto internacional

infográfico explicando divórcio internacional consensual e litigioso
Divórcio internacional: consensual x litigioso

A distinção entre consensual e litigioso existe no divórcio internacional da mesma forma que no divórcio doméstico, mas com implicações práticas muito mais relevantes.

No divórcio consensual internacional, os cônjuges chegam a um acordo sobre todos os pontos e submetem esse acordo ao juízo competente para homologação.

Quando o divórcio não envolve filhos menores, partilha de bens complexa ou alimentos, e ambos os cônjuges concordam com todos os termos, desde 2016 a averbação direta de divórcio consensual simples em cartório foi permitida, sem necessidade de homologação pelo STJ. 

No divórcio litigioso internacional, as partes não chegam a um acordo e a decisão fica a cargo do juiz. Aqui, a complexidade aumenta em múltiplas dimensões: a definição da guarda dos filhos e da pensão alimentícia pode ser um ponto de disputa.

Questões como sequestro internacional de menores, execução de alimentos em outro país e reconhecimento da guarda estabelecida por um juiz estrangeiro também entram em cena.

Quais documentos são necessários para divórcio no exterior?

A documentação exigida no divórcio internacional varia conforme o país onde o processo será conduzido e a complexidade do caso. Não existe uma lista universal, mas há um conjunto de documentos que aparece em praticamente todos os processos:

Documentos geralmente exigidos:

Um ponto crítico que muita gente ignora: documentos emitidos no Brasil para uso no exterior precisam passar por um processo de autenticação. 

Para os países signatários da Convenção de Haia, o mecanismo é o apostilamento, que substitui a legalização consular e simplifica significativamente o processo. 

Para países não signatários, a legalização consular continua sendo obrigatória. Apresentar um documento sem a autenticação correta pode inviabilizar o processo inteiro.

No VLV Advogados, atendemos casos de divórcio internacional com toda a complexidade documental que eles envolvem, desde a identificação até a tradução juramentada. 

Se você está diante de um processo com documentação complexa ou não sabe por onde começar, fale com um dos nossos advogados. clique aqui para falar agora com um especialista do VLV Advogados

Divórcio feito no exterior tem validade no Brasil?

infográfico explicando se divórcio internacional tem validade no Brasil
Divórcio internacional tem validade no Brasil?

Sim, divórcio feito no exterior tem validade, mas não de forma automática. Um divórcio concluído no exterior não produz efeitos jurídicos no Brasil simplesmente porque aconteceu. 

Para que ele seja reconhecido aqui, é necessário passar por um procedimento formal de reconhecimento junto ao Judiciário brasileiro.

O que é a homologação de sentença estrangeira?

A homologação de sentença estrangeira é o procedimento pelo qual o Brasil reconhece oficialmente uma decisão judicial proferida por outro país, conferindo a ela os mesmos efeitos jurídicos que teria se tivesse sido proferida aqui. 

No caso do divórcio, é ela que transforma a sentença estrangeira em um documento com validade plena no território brasileiro. No Brasil, esse procedimento é essencial para garantir que a decisão estrangeira seja reconhecida e produza efeitos no país. 

O STJ exige alguns requisitos fundamentais para a homologação de sentenças estrangeiras: 

Há, no entanto, uma exceção importante introduzida em 2016: a averbação direta de divórcio consensual simples em cartório foi permitida, sem necessidade de homologação pelo STJ. 

No entanto, essa possibilidade não se aplica a casos que envolvam partilha de bens, guarda de filhos ou pensão alimentícia, que continuam demandando homologação judicial.

Quais os riscos de não registrar o divórcio estrangeiro no Brasil?

Muita gente que se divorcia no exterior simplesmente não registra a sentença no Brasil, seja por desconhecimento, seja por acreditar que o divórcio estrangeiro já é suficiente. Essa omissão pode gerar consequências jurídicas sérias, algumas delas só percebidas anos depois.

As principais consequências são:

O registro do divórcio estrangeiro no Brasil não é uma formalidade opcional, é uma providência que protege os direitos de ambos os ex-cônjuges e garante segurança jurídica.

Quais países não aceitam divórcio? O que significa?

Existem países onde a dissolução do casamento ainda é proibida ou extremamente restrita por lei, geralmente em razão de influências religiosas profundamente enraizadas na legislação civil. 

Para brasileiros casados com cônjuges oriundos dessas nações, ou que vivem nesses territórios, essa realidade cria obstáculos jurídicos concretos.

Quais países não permitem ou restringem severamente o divórcio?

Atualmente, os países que proíbem ou impõem restrições muito severas ao divórcio são:

O que acontece quando o cônjuge é de um país que não aceita o divórcio?

Essa situação coloca o casal diante de um conflito entre dois sistemas jurídicos com respostas opostas para a mesma pergunta. A solução depende de onde o divórcio será processado.

Se o casal reside no Brasil ou se a Justiça brasileira for competente para julgar o caso, o divórcio pode ser processado aqui com base na lei brasileira.

O problema surge no reconhecimento. Se o cônjuge for filipino, por exemplo, e o divórcio for decretado pelo Judiciário brasileiro, essa sentença não terá validade nas Filipinas.

Para brasileiros nessa situação, o caminho mais seguro é processar o divórcio no Brasil, garantir que a sentença esteja devidamente registrada nos documentos brasileiros e, com o auxílio de um advogado, avaliar providências adicionais.

E o divórcio de brasileiros residentes no exterior com filhos?

infográfico explicando o divórcio internacional com filhos
E o divórcio internacional com filhos?

Quando há filhos envolvidos, o divórcio internacional deixa de ser apenas uma questão de dissolução de vínculo matrimonial e passa a ser, antes de tudo, uma questão de proteção de crianças que vivem entre dois sistemas jurídicos.

Em geral, o país competente para decidir sobre guarda e convivência é aquele onde a criança reside habitualmente: o chamado critério da residência habitual do menor.

Na prática, isso significa que se um casal de brasileiros vive nos Estados Unidos com os filhos e decide se divorciar, a guarda e os alimentos serão decididos pelo juiz americano.

A lei americana, nesse caso, será aplicada às questões relativas às crianças, enquanto questões como partilha de bens situados no Brasil podem demandar intervenção do Judiciário brasileiro.

O que é a Convenção de Haia e por que ela importa?

A Convenção de Haia sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de Crianças é o principal instrumento jurídico internacional para proteger crianças em situações de divórcio.

O Brasil é signatário dessa convenção, que tem como objetivo evitar a remoção indevida de menores de um país para outro sem o consentimento de ambos os pais ou sem decisão judicial.

Na prática, isso significa que levar o filho para o Brasil sem autorização do outro genitor ou sem decisão judicial pode ser caracterizado como subtração internacional de menores. 

Como fica a guarda quando os pais vão morar em países diferentes?

Nesses casos, o Judiciário competente precisará definir com qual genitor a criança residirá de forma principal, estabelecendo um regime de convivência internacional para o outro. 

Esse regime pode incluir visitas durante férias escolares, feriados prolongados e períodos de recesso, além de contato regular por meios digitais nos intervalos.

Alguns pontos que precisam estar expressamente previstos no acordo ou na sentença judicial:

E os alimentos quando o pai ou a mãe mora fora do Brasil?

A cobrança de alimentos em outro país é possível, mas burocrática. O Brasil é signatário da Convenção de Nova Iorque sobre Prestação de Alimentos no Estrangeiro, que permite que um genitor residente no Brasil acione o sistema judicial de outro país.

Na prática, o processo funciona por meio de autoridades centrais designadas em cada país, que intermediam o pedido e a execução da obrigação alimentar internacionalmente. 

É um caminho mais lento do que a execução doméstica, mas é juridicamente viável e tem funcionado em países com tratados ativos com o Brasil.

A dica prática mais importante: quando houver filho e um dos genitores pretende residir em país diferente após o divórcio, esse ponto deve ser resolvido judicialmente antes da mudança.

Quais são as vantagens do divórcio online para quem está no exterior?

Para brasileiros que vivem fora do país e precisam formalizar o divórcio com efeitos no Brasil, uma das maiores dificuldades práticas é a distância

A partir da pandemia de 2020, o Judiciário brasileiro acelerou significativamente a adoção de mecanismos digitais para a prática de atos processuais, incluindo audiências por videoconferência, assinatura eletrônica de documentos e protocolos digitais. 

Para o divórcio consensual extrajudicial, em cartório, a assinatura digital com certificado reconhecido e a procuração outorgada a um advogado no Brasil permitem que todo o processo seja conduzido sem que o cônjuge residente no exterior precise pisar em solo brasileiro.

Quais são as principais vantagens?

Quando há litígio, disputas sobre guarda, bens complexos ou questões que exigem audiências de instrução com produção de provas, o processo pode demandar etapas presenciais.

Para casais que já têm acordo e precisam apenas formalizar a separação com validade no Brasil, o divórcio online é hoje uma das soluções mais eficientes disponíveis. 

O seu divórcio é internacional? Fale com um advogado!

imagem de uma audiência de divórcio internacional
Fale com um advogado para seu divórcio internacional!

O divórcio internacional é, por natureza, um processo que exige conhecimento técnico de sistemas jurídicos diferentes, atenção aos tratados internacionais, domínio dos procedimentos de homologação e, acima de tudo, planejamento. 

A boa notícia é que, com o suporte jurídico certo, o divórcio é totalmente viável. O VLV Advogados atende brasileiros residentes no exterior e estrangeiros no Brasil.

Está fora do Brasil e precisa se divorciar com validade aqui? Ou tem um divórcio feito no exterior que ainda não foi registrado nos seus documentos brasileiros? Clique aqui para falar agora com um especialista do VLV Advogados.

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados

Sobre o autor

Dr. Luiz Vasconcelos Jr. é advogado familiarista (43462 OAB), cogestor do VLV Advogados, membro Associado do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM). Possui capacitação pela AASP em questões de direito civil, especialmente direito das famílias/sucessões e pela PUC/RJ em alienação parental e perícias psicológicas.

Direito Civil | Direito de Família | Direito Criminal | Direito Previdenciário | Direito Trabalhista | Direito Bancário

O que é divórcio internacional?

Divórcio internacional é a dissolução do vínculo matrimonial que envolve mais de um país. Isso ocorre quando os cônjuges têm nacionalidades diferentes, quando um deles ou ambos residem fora do Brasil, quando o casamento foi celebrado no exterior ou quando há bens e filhos em jurisdições distintas.

Como funciona o divórcio internacional?

O funcionamento depende do ponto de partida do processo. Quando o divórcio é iniciado no Brasil, mesmo que um dos cônjuges resida no exterior, a Justiça brasileira pode ter competência para julgar a ação. Quando o divórcio é obtido no exterior e precisa produzir efeitos no Brasil, é necessário um processo de reconhecimento. O caminho depende do país onde a sentença foi proferida.

Brasileiro no exterior pode se divorciar sem vir ao Brasil?

Sim, em muitos casos é possível. Quando o divórcio é consensual, o brasileiro no exterior pode outorgar uma procuração pública com poderes especiais a um representante no Brasil, que assina a escritura de divórcio em seu nome no cartório. Essa procuração pode ser lavrada no consulado brasileiro do país onde a pessoa reside ou em cartório local com apostilamento, para que tenha validade no Brasil.

Como fica o divórcio internacional quando há filhos?

A presença de filhos menores é o fator que mais aumenta a complexidade do divórcio internacional. As questões de guarda, convivência familiar e alimentos podem envolver mais de uma jurisdição, e as regras variam significativamente entre os países. O local de residência das crianças, a nacionalidade dos pais e a existência de decisão estrangeira sobre esses temas precisam ser analisados caso a caso.

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Autor

  • luiz azul

    OAB 43.462 - Advogado Civilista e cogestor do VLV Advogados.
    Membro Associado do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM)
    Capacitação pela AASP em questões de direito civil, especialmente direito das famílias/sucessões e pela PUC/RJ em alienação parental e perícias psicológicas

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