Meu filho me xinga e não me respeita, e agora?

Se o seu filho te xinga e desrespeita, você não está sozinho. Conheça orientações e saiba como agir corretamente diante dessa situação.

imagem representando filho que xinga
O que fazer se meu filho me xinga?

Ouvir um xingamento do próprio filho dói de um jeito difícil de explicar. Quando o desrespeito vira rotina, é comum sentir culpa, cansaço e dúvida sobre até onde vai a sua autoridade.

A lei tem respostas para isso. Ela reconhece o seu direito de exigir respeito, define o que você pode e o que não pode fazer para corrigir e prevê proteção quando a situação passa do limite. As regras mudam conforme a idade do filho. O VLV Advogados atende famílias nessa situação em todo o país.

Veja a seguir o que fazer em cada caso: criança, adolescente ou filho adulto.

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O que fazer quando seu filho te xinga?

Quando seu filho te xinga, o primeiro passo é não revidar com agressão e deixar claro, com calma, que aquilo não é aceitável. O passo seguinte depende da idade dele, porque a lei trata cada fase de um jeito:

Idade do filho Como a lei enxerga O que você pode fazer
Criança (até 11 anos) Não responde por infração e está sob a sua autoridade Impor regras e consequências sem violência; buscar apoio psicológico e do Conselho Tutelar
Adolescente (12 a 17 anos) Agressões e ameaças podem ser ato infracional O mesmo e, em casos graves, acionar o Conselho Tutelar ou a polícia
Adulto (18 anos ou mais) Xingar e ameaçar pode ser crime Registrar ocorrência, pedir proteção e decidir se ele continua na sua casa

Enquanto o filho é menor, você exerce o poder familiar. O artigo 1.634, IX, do Código Civil dá aos pais o direito de exigir obediência e respeito. Não é só um dever moral do filho: está na lei.

Depois dos 18 anos, o poder familiar acaba, mas o respeito continua protegido de outra forma: ofensas entre adultos podem configurar crimes contra a honra.

Um ponto vale para qualquer idade. Xingamento frequente costuma ser sinal de outra coisa: mudança brusca de comportamento, uso de drogas, dificuldade na escola ou conflito entre os pais merecem atenção antes de medidas mais duras.

Como tratar um filho que não te respeita?

Para tratar um filho que não te respeita, a lei aponta um caminho: autoridade firme, sem violência. Você tem o direito de impor regras e o dever de educar. O que não pode é corrigir com castigo físico ou humilhação.

Cinco atitudes cabem dentro desse limite:

  1. Não discuta no calor do momento. Diga que a conversa continua quando os dois estiverem calmos.
  2. Seja específico sobre o que é inaceitável. Dizer que está com raiva pode; xingar e gritar, não.
  3. Avise as consequências antes. Ficar sem o celular por um dia, por exemplo. E cumpra o que disse.
  4. Dê o exemplo. A criança repete o tom que ouve em casa.
  5. Reconheça quando ele agir bem.

Se vocês são separados, alinhe as regras nas duas casas, seja qual for o tipo de guarda. E fique atento: quando a criança repete ofensas que ouve do outro genitor, pode haver alienação parental, tratada pela Lei 12.318/2010.

Quando nada disso funciona, vale procurar um psicólogo. O Conselho Tutelar também pode orientar a família e encaminhar para atendimento, sem que isso signifique punição para você ou para o seu filho.

“A lei dá aos pais o direito de exigir respeito, mas não entrega um manual. O que ela oferece são limites claros e caminhos de apoio para quando a conversa já não basta”, afirma o advogado Luiz Vasconcelos Jr., do VLV Advogados.

Pode bater em criança?

Não. Bater em criança ou adolescente para corrigir é proibido no Brasil desde 2014. A Lei Menino Bernardo incluiu no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) o artigo 18-A, que garante o direito de ser educado sem castigo físico e sem tratamento cruel ou degradante.

A proibição não tira a sua autoridade. Ela muda o jeito de exercê-la:

Pode Não pode
Tirar o celular ou o videogame por um período Bater, beliscar ou empurrar
Suspender um passeio ou uma saída Humilhar ou ridicularizar
Exigir tarefas adequadas à idade Ameaçar gravemente
Definir horários e regras da casa Privar de comida, sono ou escola

Quem usa castigo físico ou tratamento cruel fica sujeito às medidas do artigo 18-B, aplicadas pelo Conselho Tutelar conforme a gravidade:

Essas medidas não são prisão nem multa. Mas agressões que deixam lesão são tratadas como violência doméstica, com processo criminal, e podem levar à suspensão do poder familiar.

Erro frequente: responder ao xingamento com um tapa “para ensinar”. Além de proibido, isso enfraquece a sua posição se o caso chegar ao Conselho Tutelar ou à Justiça.

Como lidar com o desrespeito em adolescentes?

Para lidar com o desrespeito em adolescentes, vale a mesma base de regras claras e consequências sem violência, com uma diferença: a partir dos 12 anos, o adolescente já responde pelos próprios atos na Justiça da Infância e da Juventude.

O xingamento isolado costuma ser resolvido dentro de casa. Quando o desrespeito vira ameaça, agressão ou destruição de objetos, a conduta pode ser um ato infracional, que é como a lei chama o crime praticado por menor de 18 anos.

Nesses casos, o juiz pode aplicar as medidas do artigo 112 do ECA:

Antes de chegar a esse ponto, o Conselho Tutelar é o caminho. Você pode procurá-lo por conta própria: o artigo 136 do ECA prevê que o órgão atenda e aconselhe os pais, e ele pode requisitar atendimento psicológico e apoio da escola. Pedir essa ajuda não é denunciar o filho.

Se houver agressão, registre o fato. O boletim de ocorrência pode ser feito mesmo quando o autor é o seu filho e serve de prova se a situação se repetir.

Filho maior de idade que xinga os pais comete crime?

O filho maior de idade que xinga os pais pode, sim, cometer crime. A partir dos 18 anos, ele responde como qualquer adulto, e o parentesco não diminui a responsabilidade.

Conduta Como a lei trata
Xingamentos e ofensas Injúria (artigo 140 do Código Penal)
Ameaças Ameaça (artigo 147 do Código Penal)
Humilhar ou menosprezar pai ou mãe com 60 anos ou mais Crime do artigo 96, § 1º, do Estatuto da Pessoa Idosa
Ofensas e agressões contra a mãe Violência doméstica, com aplicação da Lei Maria da Penha

Na injúria, que é um dos crimes contra a honra, quem inicia o processo é a própria vítima, em até seis meses. A decisão de processar é sua.

No caso da mãe, o STJ aplica a Lei Maria da Penha. Em decisão da Sexta Turma divulgada em 24/02/2023, sobre um filho que agredia verbal e fisicamente a mãe de 71 anos, o tribunal afirmou que a vulnerabilidade da mulher é presumida.

Há efeitos fora da esfera criminal. Ofensa física e injúria grave permitem excluir um filho da herança por deserdação, desde que isso conste em testamento, conforme o artigo 1.962 do Código Civil.

Posso colocar meu filho para fora de casa?

Depende da idade. Se o filho é menor de 18 anos, não: os pais têm o dever de guarda e sustento, e deixá-lo sem amparo pode configurar crime de abandono.

Se é maior de idade, você pode pedir que ele saia, porque não há obrigação de mantê-lo na sua casa. Dois cuidados:

O que fazer quando o desrespeito resulta em violência?

Quando o desrespeito resulta em violência, a prioridade deixa de ser a educação e passa a ser a sua segurança. Agressão, ameaça ou destruição de objetos pedem ação imediata:

  1. Em perigo imediato, ligue 190. Se o agressor for adulto, a polícia pode fazer a prisão em flagrante.
  2. Registre a ocorrência, mesmo que o autor seja o seu filho.
  3. Guarde provas: mensagens, áudios, fotos de lesões e de objetos quebrados, nomes de testemunhas.
  4. Peça proteção. A mãe pode pedir medida protetiva pela Lei Maria da Penha, que permite afastar o agressor de casa. Pais idosos contam também com as medidas do Estatuto da Pessoa Idosa.
  5. Se o agressor é menor de idade, acione o Conselho Tutelar.
  6. Use os canais de denúncia: Disque 100, para violência contra pessoa idosa, e Ligue 180, para violência contra a mulher.

A proteção ficou mais ampla. Em agosto de 2026, o STF decidiu, em recurso com repercussão geral, que as medidas protetivas da Lei Maria da Penha valem para toda forma de violência contra a mulher baseada no gênero.

A situação é mais comum do que parece. Em 2025, o Disque 100 recebeu 179.316 denúncias de violência contra pessoas idosas, e os filhos foram os mais apontados como autores, segundo levantamento com dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos.

Um cenário recorrente: Lúcia (exemplo ilustrativo), de 68 anos, mora com o filho de 35, que a xinga todos os dias e passou a quebrar objetos quando ela nega dinheiro. Ela registra a ocorrência, apresenta os áudios e pede medida protetiva. O juiz determina o afastamento do filho da casa.

Pedir proteção não é abandonar o filho. Quando há dependência química, a medida pode vir acompanhada de encaminhamento para tratamento.

O desrespeito do filho passou do limite? Saiba quando buscar ajuda

Nenhum pai ou mãe precisa escolher entre aguentar calado e revidar. Entre uma coisa e outra, a lei oferece caminhos que mudam conforme a idade do filho, a gravidade do que acontece e a situação da família, e é essa análise individual que mostra qual deles cabe no seu caso. 

O VLV Advogados tem equipe dedicada ao Direito de Família e atende online. Se você tem dúvidas sobre o que fazer diante do desrespeito de um filho, clique aqui para falar com um especialista do VLV Advogados.

Artigo de caráter meramente informativo elaborado por profissionais do VLV Advogados.

Sobre o autor

Dr. Luiz Vasconcelos Jr. é advogado inscrito na OAB sob o nº 43.462, cogestor do VLV Advogados e atua em Direito das Famílias e Sucessões. Possui formação complementar pela AASP em temas de Direito Civil, Família e Sucessões, além de estudos pela PUC-Rio nas áreas de alienação parental e perícias psicológicas.

Direito Civil | Direito de Família | Direito Criminal | Direito Previdenciário | Direito Trabalhista | Direito Bancário

Perguntas frequentes sobre filho que xinga e desrespeita os pais

Posso chamar o Conselho Tutelar para o meu próprio filho?

Pode. O Conselho Tutelar atende e orienta os pais, e pode encaminhar a criança ou o adolescente para atendimento psicológico e outros serviços. Procurar o órgão é um pedido de apoio, não uma punição.

Filho que xinga os pais pode perder a herança?

Pode, em casos graves. Injúria grave e ofensa física são causas de deserdação, mas ela só vale se você a declarar em testamento, indicando o motivo. Depois da sua morte, os outros herdeiros precisam provar o fato na Justiça.

Posso parar de pagar pensão para um filho que me ofende?

Não por conta própria. O Código Civil prevê o fim da pensão quando quem recebe tem conduta indigna em relação a quem paga, mas isso precisa ser pedido ao juiz e provado. Parar de pagar sem decisão gera dívida.

Posso gravar meu filho me xingando?

Em regra, sim. A gravação feita por quem participa da conversa costuma ser aceita como prova. Guarde o arquivo original, com data, e evite divulgá-lo fora do processo.

Criança que xinga os pais pode ser punida pela Justiça?

Não. Menores de 12 anos não recebem medida socioeducativa. Quando praticam ato grave, ficam sujeitos apenas a medidas de proteção, como acompanhamento e orientação, aplicadas pelo Conselho Tutelar.

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Autor

  • luiz azul

    OAB 43.462 - Advogado familiarista e cogestor do VLV Advogados, pós graduado em Direito Público e Privado.

    Bacharel em Direito pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e Capacitação pela AASP e TRIADE/IBDFAM em questões de direito civil, especialmente direito das famílias/sucessões (inventário) e pela PUC/RJ em alienação parental e perícias psicológicas

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